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(Foto: Mapa/ Istock)

Com salvaguarda da China, Brasil pode deixar de exportar até 500 mil toneladas de carne bovina

País terá cota de pouco mais de 1,1 milhão de toneladas

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02.01.2026 - 12:00:21

São Paulo – A adoção de medidas de salvaguarda pela China sobre a importação de carne bovina deve representar um impacto relevante para o Brasil, com redução expressiva no volume exportado ao principal destino da proteína brasileira. A avaliação é do sócio-diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, ao comentar a decisão anunciada pelo governo chinês na quarta-feira (31).

Segundo Torres, o mercado já esperava a imposição de cotas e tarifas, mas o efeito sobre o Brasil é significativo. Pelas novas regras, o País, que vinha exportando cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina por ano para a China, terá uma cota de pouco mais de 1,1 milhão de toneladas em 2026. “Na prática, o Brasil deve deixar de exportar perto de 500 mil toneladas de carne bovina ao mercado chinês em 2026. É um baque, porque era um fluxo que vinha crescendo”, afirmou.

Na avaliação do analista, Argentina e Uruguai tendem a ser relativamente menos afetados quando se considera o tamanho de seus rebanhos e os volumes historicamente exportados. “Quem sai beneficiado nessa história é a Argentina e o Uruguai, se você fizer a comparação com o tamanho do rebanho deles. O Brasil, nesse aspecto, foi penalizado”, disse Torres. Ele acrescenta, no entanto, que grupos com atuação regional, como a Minerva, podem se beneficiar de forma indireta, já que têm plantas frigoríficas nesses países.

Apesar do impacto negativo imediato, Torres pondera que a China continuará sendo um parceiro comercial relevante. As autoridades chinesas indicaram que as cotas terão pequenos aumentos ao longo dos três anos de vigência da salvaguarda, até 2028, embora, na visão do especialista, esses avanços sejam modestos frente ao desempenho recente do Brasil. “É uma notícia ruim. Era esperada, mas sempre é chato”, resumiu.

Diante desse cenário, a tendência é a de que o Brasil busque alternativas. “Provavelmente o País deve diversificar mercados, principalmente aqueles que não têm cota nem tarifa ou mercados novos”, afirmou o sócio-diretor da Scot, citando ainda a possibilidade de triangulações dentro de determinados limites de volume.

O Ministério do Comércio da China (Mofcom) anunciou oficialmente a adoção da salvaguarda, que entrou em vigor ontem, 1º de janeiro, e terá validade até 31 de dezembro de 2028. A medida estabelece cotas anuais por país e a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem os limites definidos. Para o Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês, a cota será de 1,106 milhão de toneladas em 2026, subindo para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.

A decisão foi justificada pelo governo chinês como uma forma de proteger a indústria local, alegando que o aumento das importações causou “graves danos” aos produtores domésticos.

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por Agência Estado

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