“Uma coisa em nós é rasa e profundamente igual
Queremos ser felizes
O mais grave dos homens
se ver no prato um ovo de duas gemas, ainda que, de boca fechada, sorrirá
Tudo guarda um sinal
Tudo é escritura, código, aviso, palavras, poemas
Voz que de outra maneira soa
De seu lugar, o retrós, o albatrós, até o fim dos tempos falarão
A borboleta, só de abrir e fechar as asas, está falando
Não se pode fazer poesia apenas com palavras
Poemas, sim, mas quem precisa deles?”
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A escritora mineira Adélia Prado acabou de completar 90 anos no dia 13 do mês corrente, que vem em comemoração do lançamento de seu novo livro, “Jardim das Oliveiras”. Coincidentemente, celebramos no mesmo dia e mês o aniversário do meu filho, cujo sobrenome, por parte da família paterna, é Oliveira.
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No dia 13 de dezembro também se celebra o Dia de Santa Luzia, a Padroeira dos Olhos e da Visão, aclamada para proteger contra doenças oculares e cegueira espiritual, no catolicismo.
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Na filosofia Iorubá, Luzia é Negra, uma entidade espiritual. É inspiração para o mascote do Calango, símbolo do hotel que sempre nos hospedamos em Arraial d’Ajuda, na Bahia.
Conta a história que foi uma maldição lançada pela profecia à Negra Luzia. Por ter concebido um filho fora do matrimônio, ela teria seus descendentes pestanejando no chão pelo resto de suas vidas, criando assim a fábula deste réptil.
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Acolhidas pela época do fim do ano em que celebramos nossa viagem de férias e a comemoração do aniversário do nosso Potrich de Oliveira, constatamos, através do poema “Solo” de Adélia Prado, que a vida é cheia de poesia, bichos, eventos, entidades de luzes e lendas. A vida é poema recitado por palavras, pelos poetas.
Ahhhh, Adélia: “quem precisa deles?”, não é mesmo?
Eu lhe digo quem precisa:
Todos nós. Todos nós precisamos de poesia para ser feliz.
