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Emicida foi a grande atração do 10º Vaca Amarela

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13.09.2011 - 11:49:08


Raisa Ramos

Três dias, quase 50 bandas, aproximadamente 4 mil pessoas. Esse é o saldo do festival Vaca Amarela, que completou 10 anos de rock e música boa na Capital goiana, que até pouco tempo era vista como uma cidade sertaneja. Hoje não é mais. Com uma seleção bem pensada de grupos, a Fósforo Cultural, produtora do evento, trouxe para Goiânia nomes importantes da cena alternativa brasileira e também revelações de bandas aqui desconhecidas. Apesar da forte concorrência, o Oscar de melhor show de todo o festival vai para o rapper Emicida, que acaba de lançar um novo álbum, intitulado "Doozicabrada e a Revolução Silenciosa", que conquistou quatro estrelas na edição de setembro da revista Rolling Stone e foi produzido pelos estadunidenses Beatnick e K-Salaam. Os profissionais são responsáveis pelo sucesso de 50 Cent e Lil Wayne.
 
Leandro Roque é aquele tipo de pessoa que consegue conquistar qualquer pessoa com sua força e vontade de cantar. Herdou o apelido "Emicida" por conta das rinhas de MCs, em que "matava" todos os concorrentes com suas rimas quase impossíveis de superar. Misturando hip hop com outros estilos musicais, como o samba, o rapper da zona norte paulistana já vendeu mais de 10 milhões de cópias dos discos anteriores – na verdade, mixtapes -, que ele mesmo, com a ajuda dos amigos, fez a gravação, as cópias, a capa e a comercialização. No show do Vaca Amarela, o artista riu: "É bom demais ver a rádio e a televisão, que um dia te rejeitaram, irem atrás de você, querendo sua participação nos programas".
 
Com cara de poucos amigos e um som tão forte que fazia o corpo do público tremer, literalmente, Emicida escalava a armação do palco, como se crescesse lentamente, a cada grito da plateia, que exaltava o cantor com o movimento de mão típico do hip hop. Todos juntos dançavam ao ritmo daquela música violenta que prega a paz e o respeito social. Um gênero que até pouco tempo não era visto com bons olhos fica mais acessível e sedutor na voz de Leandro. Não é à toa que o rapper concorre ao troféu de Artista do Ano no prêmio VMB, e também não é à toa que o sábado, dia de sua apresentação, foi o mais lotado de todo o evento. Só ele já valeu o festival inteiro.
 
Medalhas de prata
O cearense Falcão também fez sucesso, como já era de se esperar. Acompanhado de uma banda exemplar, o cantor brega mostrou sua experiência de mais de 20 anos de carreira e cantou grandes clássicos, como "Ai, minha mãe" (que foi repetida por várias e várias vezes, e sempre conseguia arrancar gargalhadas da plateia) e "As bonitas que me perdoem, mas a feiúra é de lascar". O arquiteto mostrou que o brega e a qualidade musical podem andar juntos e funcionam muito bem.
 
Outros grupos que comprovaram o ponto de Falcão foi a goiana Banda Uó, que acabou de lançar novo clipe – "O gosto amargo do perfume" – e a argentina Kumbia Queers, que segue a mesma linha de misturar o brega com outros ritmos. Enquanto os conterrâneos mixam o ritmo com o pop e o eletro, os hermanos são mais "rockers", e conseguem unir o gênero brega com, por exemplo, a pesada Black Sabbath. E o resultado é muito bom. A plateia que o diga! Não ficou parada em nenhum momento. Ainda no estilo cafona, a paraense Gabi Amarantos era uma das atrações mais esperadas da sexta-feira, mas não pode comparecer ao festival por problemas de logística. O trio Falcão, Banda Uó e Kumbia Queens, contudo, fez o público esquecer desse imprevisto.
 
No sábado, como já foi dito em outra matéria [vide "Leia mais" abaixo], o Copacabana Club, pela segunda vez na cidade, fez Goiânia esquecer o calor e pular sem parar durante os 40 minutos de show. A Capital já está sentindo falta dos paranaenses simpáticos e animados, que tocaram o melhor do eletro-rock no palco do Martim Cererê. Último dia do evento, o domingo foi menos lotado. Como segunda-feira é "dia preto  na folhinha", muita gente não pode comparecer. Os que foram, contudo, não se arrependeram, mesmo acordando de ressaca no dia seguinte. Dedicada ao heavy metal, a data contou com os queridos Dance of Days, de São Paulo, e Mugo, de Goiânia. Foi tanta coisa boa que, no começo da semana, sem Vaca Amarela, a sensação é de que está faltando algo. Definitivamente, a 10ª edição do festival entrou para a história como a melhor de todos os tempos. E que venha 2012! Já estamos ansiosos.
 
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por Redacao Jornal

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