Alguns conceitos estão fadados ao fracasso. Essa ideia de homem (ou mulher) ideal, por exemplo. Basta a gente folhear uma dessas revistas de celebridades para a loira da vez estar com a cara e peitos estampados na capa bradando: encontrei o homem da minha vida, somos feitos um para o outro, ele é perfeito. Bom, perfeito até daqui dois meses quando mais uma capa trará a separação da alma gêmea, com direito a troca de farpas e escândalos.
Talvez o grande problema da humanidade seja essa idealização. Não só dos parceiros, mas da vida em geral. A gente quer ter o namorado perfeito, o marido perfeito, a casa perfeita, o filho perfeito, o corpo perfeito. É humanamente impossível.
Essa idealização absurda faz a gente esquecer o óbvio, que a vida é cheia de incertezas, desvios, buracos e atalhos. O caminho às vezes é árduo, mas muitas vezes prazeroso. Só que dificilmente será perfeito.
E quem disse que o perfeito é que é bom ? Olhe para você mesmo, para o seu umbigo. Você realmente se acha isso tudo ? Temos o péssimo hábito de minimizar os nossos defeitos e olhar os do outro com uma lupa.
Aí realmente fica difícil alguém estar à nossa altura. Afinal somos as mulheres maravilhas, os super homens, os tais. E não estou falando apenas de relacionamento homem-mulher. Estou falando das relações em geral. No trânsito, por exemplo. Sob a nossa ótica distorcida quando somos nós quem desrespeitamos as leis, é infração leve. Quando é o motorista do lado, gravíssima.
A falta de paciência e tolerância tomou níveis sérios. A gente perde a cabeça por qualquer bobagem. Seja com o marido, com o frentista ou com o garçom. Viramos todos uns tiranos.
Talvez seja a hora de dar aquela respirada, olhar para dentro da gente e se perguntar se tanto estresse, intolerância e insatisfação valem a pena. Se essa é a pessoa que queremos ser. Nunca seremos perfeitos, mas sempre dá tempo de sermos melhores.