
Produção: French School – National Gallery.
Créditos: Gabrielle Enthoven Collection.
(original em preto e branco)
Fonte: V&A (URL: collections.vam.ac.uk).
Falando especificamente sobre o campo da música de conjunto realizada no Renascimento, temos uma certeza: não se deve usar o termo “orquestra” em nenhum de seus dois significados; nem no etimológico e, tampouco, naquele que define um corpo de instrumentistas, como utilizado nos dias atuais, para se referir às orquestras sinfônicas (ou filarmônicas). Concordando com os autores Tim Carter e Erik Levi, mesmo em relação ao século XVII, sabe-se que nenhum conjunto instrumental era chamado de orquestra. E o mais importante, nenhum agrupamento musical se parecia ou se comportava como uma “orquestra” conhecida atualmente (Carter; Levi, 2005, p. 14).

Um integrante da Banda1 Os 24 Violinos do Rei (1577 a 1761).
Autor: Nicolas Arnoult (c.1650-c.1722).
Fonte: commons.wikimedia.org
2) A chegada da ópera italiana na França

Retrato do jovem Luís XIV (1638 – 1715) em traje sagrado.
Pintura de Henri Testelin (1616-1695).
Fonte: www.meisterdrucke.pt

Sentado: Cardeal e primeiro-ministro Jules Mazarin (1602-1661).
Fazendo reverência: Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), o ministro da Economia do Rei-Sol.
Fonte: www.meisterdrucke.pt

Retrato de Jean-Baptiste Poquelin (1622-1673).
"Molière"
Autor: Jean-Baptiste Mauzaisse (data: 1841).
Fonte: britannica.com
Foi desta última sociedade que surgiram os primeiros tipos de entretenimentos parecidos com ópera (gênero musical italiano), porém cantados em francês como, por exemplo:
- La Pastorale d'Issy, encenada em abril de 1659 na aldeia d´Issy (comuna Issy-les-Moulineaux), mais precisamente no Castelo de M. de la Haye*. E, posteriormente, foi organizada uma récita exclusiva para o monarca Luís XIV no Castelo/Château de Vincennes em Paris;
- Ariane ou Le Mariage de Bachus et d’Ariane, também apresentada no Château d´Issy, em 1661;
- Pomone (19/3/1671), escrita para a inauguração da Academia de Ópera (atual Ópera de Paris). Com efeito, Pomone pode ser considerada a primeira ópera disponibilizada ao grande público e não apenas à aristocracia francesa. (Desarbres, 1868, pp. 19 e 163; Lasalle, 1875, pp. 4-6, 13 e 265).

À esquerda: Busto do libretista Pierre Perrin (c.1620-1675).
Autor: Jules Renaudot (1836-1901).
Fonte: operadeparis.fr
À direita: Busto do músico Robert Cambert (c.1628-1677).
Autor(es): Delmaet, Hyacinthe-César (1828-1862)/Durandelle, Louis-Émile (1839-1917).
Document des collections de L'École Nationale Supérieure des Beaux-Arts
De fato, em 28/6/1669, o libretista Pierre Perrin, por meio de um “privilégio” concedido pelo monarca Luís XIV, obteve o monopólio (exceto na corte) sobre as representações de música dramática em solo francês. E mais: conseguiu o direito de fundar e administrar, por doze anos, a Académie d'Opéra. (Desarbres, 1868, p. 1; Spitzer; Zaslaw, 2004, p. 88).
Figura 7

O “privilégio” concedido ao libretista Pierre Perrin (1669).
3) As diferentes sedes da Académie d'Opéra
A primeira sede: Salle de la Bouteille
Desta forma, aquele projeto iniciado com La Pastorale d'Issy (1659, no Château d´Issy), o corpo artístico doravante conhecido pela denominação Académie d`Opéra alugou a sua primeira sede na cidade de Paris: a Salle de la Bouteille ou Salle du Jeu de Paume de la Bouteille* (entre 1671 e 1672), situada na antiga rua des Fossés-de-Nesles, atual rue Mazarine, quase em frente à rue Guénégaud. E, como já foi dito, a supracitada Pomone foi a primeira ópera encenada naquele local, em 19/3/1671. (Desarbres, 1868, pp. 2 e 163; Lasalle, 1875, pp. 13-14 e 22).

Local da primeira encenação de uma ópera francesa – Pomone – em 16/03/1671.
Fonte: wikimedia commons
Aproveitando-se daquela situação, após a devida solicitação formal ao amigo Luís XIV, o compositor Jean-Baptiste Lully conseguiu o “direito” de explorar, de forma exclusiva4, aquela companhia de ópera. Coube então a Lully, ao lado do libretista Philippe Quinault (1635-1688), a tarefa de desenvolver na Académie d`Opéra, a partir de março de 1672, um tipo de ópera mais próximo do gosto da sociedade de corte francesa: a tragédie lyrique5.
A segunda sede: Salle Jeu de Paume de Becquet
Entre novembro de 1672 e fevereiro ou junho de 1673, a "Ópera de Paris" ocupou a sua segunda sede: Salle du Bel-Air ou Salle Jeu de Paume de Becquet (também escrito Béquet) na rue Vaugirard, em frente aos Jardins de Luxemburgo. Ao que parece, as novas instalações se mostraram insuficientes para o desenvolvimento artístico da trupe de Lully. Assim, aquele corpo artístico foi obrigado a retornar ao teatro de Perrin. (Desarbres, 1868, pp. 2; Lasalle, 1875, p. 23).
Figura 9

Autor: não identificado.
Fonte: wikimedia commons
Costuma-se dizer que a obra Cadmus et Hermione seja a primeira tragédia lírica produzida pela parceria Lully-Quinault. Sua estreia ocorreu em 11/2/1673 no Jeu de paume de Béquet (Desarbres, 1868, p. 164). Efetivamente, Cadmus foi a segunda e última obra apresentada na Salle du Bel-Air ou Salle du Becquet. (Lasalle, 1875, p. 22).

Autor: François Puget (1651-1707).
Localização aual: Departamento de Pinturas do Louvre.
Fonte: commons.wikimedia.org
A terceira sede: o Théâtre du Palais-Royal
Em 1673, por decisão do monarca Luís XIV, o direito de uso do Théâtre du Palais-Royal ou Grande Salle du Palais-Royal foi cedido6 para o músico Jean-Baptiste Lully. Por consequência, já em seu terceiro endereço, a Académie d`Opéra foi instalada na rue Saint-Honoré, ala leste do Palais-Royal, próximo ao museu do Louvre.
É importante esclarecer que a designação "Palais Royal" foi utilizada na época de Luís XIV (o Rei-Sol) para se referir a uma edificação particular, cuja finalidade, desde seu planejamento e construção (c.1633 a 1639), era residencial.
Na realidade, tratava-se da suntuosa moradia do Cardeal Richelieu7 (primeiro-ministro do monarca Luís XII). Daí o nome original daquela propriedade: Palais-Cardinal. É imprescindível revelar que o teatro daquele palácio foi erigido posteriormente, entre os anos de 1637 e 1641. Este que, para Lasalle (1875, p. 25), à época, foi considerado a sala de espetáculos mais espaçosa e opulenta de Paris.
Também é relevante acrescentar que, entre entre 1660 e 1673, a Troupe du Roy – comandada pelo dramaturgo Molière (falecido em fevereiro de 1763) – fez uso do Théâtre du Palais-Royal. (Desarbres, 1868, p. 2; Lasalle, 1875, pp. 25 e 27; Lima, 2012, p. 149).

Pintura óleo sobre painel – monocromática (técnica: "grisalha" ou grisaille).
Obs.: há incongruência entre duas das três fontes pesquisadas quanto
as informações básicas (obra encendada, legenda etc.)
concernentes à figura acima.
A Figura abaixo (invertida em relação à grisalha de autoria de Justus van Egmont ou Jean de Saint-Igny) foi escaneada do livro L'Histoire de la mise en scène dans le théâtre français de 1600 à 1657 (1933, p. 52) de Sophie Wilma Deierkauf-Holsboer. A legenda exibida para a gravura de Michel Van Lochon é sustentada por John S. Powell em Music and Theatre in France 1600-1680, editado no ano 2000.
Ressalta-se que no entendimento de Powell, o balé teria sido representado em 1942. Ainda para John Powell, é possível que na cadeira mais à esquerda, em vez do Cardeal Richelieu (dono do teatro) seja Gaston, o Duque de Orléans (o irmão mais novo de Luís XIII). Quanto aos músicos participantes da aludida apresentação de balé, Powell esclarece que estão tocando na galeria do segundo nível, à direita. Os instrumentos utilizados na obra (trompete, alaúde, violão, cornetto) são identificados em Music and Theatre in France 1600-1680 (pp. xv, 16).
Figura 12

Autor da gravura: Michel Van Lochon (1601-1647).
Fonte nº3: commons.wikimedia.org
Legenda (da esquerda para a direita):
1) Gaston, o Duque de Orléans – o irmão mais novo de Luís XIII (?);
4) O Delfim, futuro Luís XIV.
Abaixo, a vista externa do Palais-Royal

Até 1763, ano de sua destruição pelo fogo (6/4/1763), várias óperas de Jean-Baptiste Lully (1632-1687) foram estreadas na Grande Salle do Palais Royal (Palais-Cardinal), incluindo Alceste (19/01/1674), Amadis (18/01/1684) e Armide (15/02/1686).
Figura 14

Autor: Gabriel Jacques de Saint-Aubin (1724-1780).
Fonte: jaimemonpatrimoine.fr
Figura 15

Destruição da Salle du Palais-Royal pelo fogo (6/4/1763).
Autor: Paul-André Basset (1785-1819)
Em 6/4/1763, como aludido, um incêndio destruiu a Théâtre du Palais-Royal. (Beaujoint, 1881, p. 143; Desarbres, 1868, p. 4; Lasalle, 1875, p. 58). Este teatro seria reconstruido e reaberto em 1770.
A quarta sede
Mas, até o seu retorno ao Palais-Cardinal, a Ópera de Paris, a começar pelo dia 24/1/1764, foi alojada (temporariamente) em sua 4ª sede: a Salle de Machines8 no Palais des Tuileries9 (Lasalle, 1875, p. 61). É oportuno dizer que o Palácio de Tulherias funcionou como residência real para vários soberanos franceses. No entanto, desde 1692, o Palácio de Versalhes representava o centro de poder da corte do Rei-Sol.
Figura 16

Outros endereços ocupados ao longo do tempo:
É importante dizer que, em mais de 350 anos de existência (desde 1669), a Opéra National de Paris10, além da fase inicial na Sala d`Issy (1659), ocupou mais de uma dezena de espaços:
- Le Jeu de Paume de la Bouteille ou Salle de la Bouteille (1671-1672);
- La Salle du Bel-Air ou Salle Jeu de Paume de Becquet (1672-1673);
- Primeira sala no Théâtre du Palais-Royal – Sala do Cardeal Richelieu (1673-1763);
- La Salle de Machines no Palais des Tuileries (1764-1770);
- Segunda sala no Théâtre du Palais-Royal (1770-1781);
- Salle des Menus-Plaisirs (1781);
- La Salle de la Porte-Saint-Martin (1781-1794);
- L'Opéra de la rue Richelieu ou Théâtre des Arts (1794-1820);
- Salle della rue Louvois (1821);
- Salle Favart (1821);
- La salle della rue Le Peletier (1821-1873);
- Salle Ventadour (1874);
- Le Palais Garnier (1875-1936);
- Théâtre Sarah Bernhardt (1936, aguardando reforma no Garnier);
- Théâtre des Champs-Élysées (1936-1937, aguardando reforma no Garnier);
- Le Palais Garnier (1875-1936 e depois de 1937 até os dias atuais);
- L’Opéra Bastille (1989 até os dias atuais).
Figura 17

Fonte: commons.wikimedia.org
Figura 18

Fonte: fr.wikipedia.org
Por outro lado, a inviabilização por determinação real dos recursos humanos vinculados aos conjuntos instrumentais mantidos pela corte de Luís XIV, impulsionou a criação de uma nova “orquestra”, exclusiva11, na rebatizada Académie Royale de Musique (1672).
Para essa nova empreitada, Lully teria:
Por conseguinte, a historiografia musical assevera que a primeira orquestra que verdadeiramente apresentou um funcionamento integrado e consistente, sob uma única administração e liderança, surgiu na instituição atualmente conhecida por “Ópera Nacional de Paris”.
Nesse diapasão, os autores Carter e Levi (2005, p. 06) sustentam a tese de que Lully, em suas
tragédie lyriques (ver nota nº 5), teria estabelecido a partitura orquestral padrão francesa do Seiscentos: núcleo de cordas reforçado por algumas madeiras (flautas, oboés e fagotes). E Samuel Adler (2002, p. 04), por sua vez, declara – sem apresentar comprovação – que, em 1686, o mencionado compositor teria utilizado, além da seção de cordas: flautas (traverso ou doce), fagotes, trompas, trompetes e tímpanos.
Tabela elaborada por Othaniel Alcântara Jr., a partir das informações disponibilizadas por Spitzer & Zaslaw (2004, pp. 90-91).
O petit choeur (cravo, teorbas, violinos e baixos), dependendo da ocasião, tinha funções de realizar o “contínuo” ou de “concertino”.
Por sua vez, cabia ao grand choeur (cordas com arco, mais Flûtes [bisel ou flauta doce], flûtes allemandes14, hautbois15, bassons16) acompanhar as seções corais, bem como “aberturas” (francesas), ritornelos, além da música de dança, esta que, costumeiramente, era introduzida por Jean-Baptiste Lully em cada ato de suas óperas.
Deduz-se daí que, no grande “coro”, as linhas musicais destinadas à família de violons eram usualmente duplicadas pelos poucos instrumentos de sopro (Bernardes, 2016, p. 24; Carter; Levi, 2005, p. 05, Spitzer; Zaslaw, 2004, p. 90).
Não obstante, a “Orquestra” da Académie Royale de Musique (atual Ópera de Paris) liderada por Jean-Baptiste Lully acabou se transformando, ainda em fins do século XVII, dos organismos musicais do gênero, o mais prestigiado do Velho Mundo. E, nessa condição, inspirou a formação de agrupamentos musicais semelhantes – com e sem sopros – em diversos ambientes palacianos daquele continente (Grout; Palisca, 2001, p. 415; Vasconcelos, 2014, p. 4).
Enfim, o modelo de atuação e organização da “orquestra” criada por Lully é considerado como sendo a matriz em torno da qual a orquestra “moderna” foi estruturada (Barclay, 2005, p. 26; Candé, 2001, p. 501; Holoman, 2012, p. 03; Sandys; Forster; 2006, p. 98; Spitzer; Zaslaw, 2004, pp. 32, 69 e 72).
NOTAS:
2) Festivais: entre 1645 e 1662, foram encenadas cerca de sete óperas na França. Em Orfeo (1647) de Luigi Rossi, por exemplo, foram usados em torno de quarenta instrumentistas, cujas funções eram bem semelhantes ao modelo iniciado por Claudio Monteverdi, em 1607. Presume-se que músicos da Chambre (Os 24 Violinos do Rei etc.) e da Écurie da corte de Luís XIV participaram dessas montagens (Candé, 2001, p. 467; Spitzer; Zaslaw, 2004, pp. 49 e 87).
3) Ballet de cour (balé da corte): "tipo de balé dançado na corte francesa, do final do séc. XVI ao final do séc. XVII. Circé ou le Balet comique de la Royne (1581) foi o primeiro a reunir poesia, música, cenário e dança em um único roteiro cênico […]. Lully contribuiu para o gênero a partir de c. 1655, mas o Ballet de cour sofreu um baque quando Luís XIV deixou de dançar (1670) e só foi revivido, por um breve período, com Luís XV". A obra cênica chamada comédie-balllet é um tipo de Ballet de cour e foi "criada por Lully e Molière". (Dicionário Grove de Música – edição concisa, editado por Stanley Sadie, 1994, pp. 70 e 209).
4) A parceria Lully-Molière durou até 1672. Esses artistas haviam combinado pedir, conjuntamente ao rei, aquele monopólio outrora pertencente à parceria Perrin-Cambert. Lully, porém, se antecipou em solicitar à Luís XIV um “privilégio” em seu único e exclusivo proveito e vitalício, extensivo, inclusive, aos seus herdeiros. Segundo George Ricardo Carvalho Monteiro (2019, p. 59), "em 12 de março de 1672, [Lully] obteve do rei [Luís XIV] cartas patentes que o tornaram o único mestre da ópera e do balé associado a qualquer gênero dramático […]. Assim, sufocou a concorrência e obteve carta-branca para inaugurar um gênero novo de arte cênica que associava ópera e balé: a tragédie lyrique ou tragédie en musique". Conforme atesta Candé (2001, pp. 469 e 472), qualquer apresentação com mais de dois músicos seria possível apenas mediante autorização e pagamento de taxas a Lully. Em favor da Trupe du Roy de Molière foi feita uma única concessão: o direito de empregar até seis cantores e doze instrumentistas em seus espetáculos.
5) A tragédie lyrique (equivalente à ópera italiana) é o amálgama de dois elementos tradicionais da cultura nacional, oriundos do teatro e da dança: o ballet e a tragédia clássica francesa (Candé, 2001, p. 476; Grout; Palisca, 2001, pp. 326 e 364).
7) O nome de batismo do Cardeal de Richelieu é Armand Jean du Plessis (1585-1652). Richelieu foi primeiro-ministro da França de 1624 a 1642, servindo ao monarca Luís XIII. "Filho de François du Plessis, pertencente à pequena nobreza de Poitou, e da burguesa Suzanne de la Porte, unia, dessa forma, prestígio e nobreza". Teve uma educação refinada. Aos 22 anos tornou-se bispo de Luçon e, em 1622, foi promovido a Cardeal. (Hahn, 2005).
9) O Palácio das Tulherias foi erigido a partir de 1564 por iniciativa de Catarina de Médici (1519-1589), uma nobre italiana que, após a morte de seu marido Henrique II (1519-1559), governou a França, entre 1547 e 1559. O local destinado à construção do supracitado palácio havia pertencido a uma fábrica de telhas (tuiles). Daí o nome Palais des Tuileries. Mas, durante o reinado de Carlos IX (1550-1574), as obras naquela propriedade foram gradualmente abandonadas. Já no início do século XVII, o monarca Henrique IV (1553-1610) decidiu ligar o Palácio do Louvre ao Palácio das Tulherias, por meio de uma galeria no Rio Sena. Todavia, após a sua morte, aquele imóvel passou por um novo período de abandono. Sabe-se que o Palais des Tuileries foi a residência real escolhida pelos seguintes soberanos: Henrique IV, Luís XIV, Luís XV, Luís XVIII, Carlos X, Luís Filipe, além dos imperadores Napoleão Bonaparte e Napoleão III. Sabe-se, ainda, que em outubro de 1789, os revolucionários transferiram a família real (Luís XVI, Maria Antonieta e filhos) de Versalhes para o Palais des Tuileries. Após uma série de eventos, aquele sítio foi apanhado por um incêndio em maio de 1871. E, em 1882, suas ruinas foram demolidas.
10) A Académie d'Opéra (Académie Royale des Opéra) foi fundada em 1669 pelo monarca Luís XIV. Em 1672, sob o comando de Jean-Baptiste Lully, passou a responder pelo nome de Académie Royale de Musique. Depois "mudou de nome várias vezes, mas desde 1994 é chamada de Opéra National de Paris e sua companhia de dança é o Ballet de l´Opéra de Paris. (Monteiro, 2019, p. 69).
11) É bem provável que, para a criação da “orquestra” da Academia Real de Música, Lully tenha recrutado novos executantes do quadro de membros da Confrérie de St-Julien des ménestriers (veja na Coluna: Os 24 Violinos do Rei) ou até mesmo, entre jovens aprendizes, muitos deles filhos de integrantes das bandas Les Petits Violons e Les Vingt-Quatre Violons du Roy (Spitzer; Zaslaw, 2004, pp. 90-91).
13) O documento notarial é o instrumento que contém fé pública do tabelião e tem o caráter de documentário público.
14) A Flûte allemande (flûte D’Allemagne, flûte traversière, flauto traverso), feita de madeira ou marfim, foi utilizada na Europa nos séculos XVII e XVIII. A ópera Le triomphe de l’amour (1681), de Lully, é a primeira obra conhecida a incorporar a flauta transversal barroca em sua orquestração. (Cosme, 2017, pp. 09 e 11).
15) Hautbois: segundo consta na historiografia musical, a primeira menção ao hautbois (madeira/alta) – oboé em português – ocorreu no Balé L’Amour Malade (1657) de Jean-Baptiste Lully (Carter, 2012, pp. 71 e 88; Ribeiro, 2005, p. 132).
16) Ao que tudo indica, uma primitiva espécie de Basson (fagote), conhecida como Bombarda ou baixão (versão portuguesa), foi usada nas igrejas entre os séculos XV e XVII. Acredita-se que os franceses foram os primeiros a construírem fagotes com quatro partes e três chaves, os quais seriam utilizados nas orquestras do final do século XVII, quando passou a coexistir com o seu antecessor direto, a dulciana – ou dulcian (Cury, 1999, pp.21 e 78).
Figura 19

Acervo: Othaniel Alcântara Jr.
Figura 20

Palais Garnier (jan/2008)
Acervo: Othaniel Alcântara Jr.

Acervo: Othaniel Alcântara Jr.
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