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Ancestralidade linguística

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25.01.2026 - 12:25:22
Movidos pela força da sobrevivência, somos impulsionados a reproduzir, desenvolver e ampliar espaços que garantam a manutenção de nosso clã. Desde tempos remotos, as moedas de trocas eram recursos essenciais para sobrevivência como: alimentos, temperos, couro, ferramentas, armas. Esses elementos não apenas sustentavam a vida material, mas também estruturam sistemas simbólicos e sociais que moldaram a linguagem e o pensamento humano.
Na língua mais antiga já documentada, o sânscrito, a tradução para “guerra”, apresentada no filme do canadense Denis Villeneuve, “A Chegada” (2016), é gavisti, expressão que significa o “desejo por mais vacas”. A narrativa se concentra na contratação de dois profissionais ambivalentes, uma linguista e um físico, incumbidos de estabelecer comunicação com seres extraterrestres. O aspecto curioso no termo reside no fato de não ser a tradução mais literal, mas sim a mais coerente dentro do contexto ilustrativo da cena, pois a vaca foi, em antigas civilizações, uma importante moeda de troca, além de carregar um profundo simbolismo sagrado para diferentes culturas como o Hinduísmo e religiões afins. No Budismo, por exemplo, o sentimento do desejo é a origem de todo sofrimento. Essa ambígua contradição se estende adiante ao sânscrito na tradução do termo, Yoga.
Utilizado nos textos estudados pelo teólogo alemão Richard Wilhem, para interpretar os hexagramas do “I Ching”, yoga, no sentido estrito de sua etimologia, não deve ser confundida com as várias correntes do pensamento indiano. Yoga vem da raiz sânscrita yug, que se referia a canga usada para juntar a parelha de bois. O termo, portanto, significa um recurso ou meio de união, no caso a união do consciente com o inconsciente, conforme pretendida pelo misticismo chinês, principalmente em correntes filosóficas como o Taoismo, Tai Chi Chuan e Kung Fu. Popularmente conhecida também como jugo, do latim iugum, a madeira que une animais para trabalhar é interpretada de forma figurativa como uma submissão, opressão ou domínio, que vem da expressão “tomar o jugo”.
Ambivalências à parte, entendemos desde terna infância que o trabalho, o sacrifício, a submissão são tão inerentes na vida quanto o descanso, o prazer e o poder, assim como o sofrimento que se contrapõe ao desejo.
A relação mais virtuosa que poderíamos aprender com a história de nossos ancestrais e, talvez, com a suposta ideia da existência de seres superiores de outras dimensões é a compreensão de que, somos uma fórmula orgânica de sentimentos, interpretações e simbolismos em constante progressão. Uma equação que não se fecha, pois tende a permanecer aberta a mais uma incógnita, a mais uma letra, a mais uma língua entre tantas que habitam o mundo.
A cada nova palavra, símbolo ou estrutura linguística se reconfigura a forma que percebemos a realidade, ampliando nossas redes de significados e remodelando nossos processos mentais. Considerando que a ancestralidade linguística não apenas preserva o passado, mas atua como força viva na construção dos pensamentos e, consequentemente, nas ações cotidianas, devemos todos nos comprometer com a escolha cautelosa das palavras e de suas interpretações que, certamente, transformarão o nosso futuro.
Fazenda Babilônia, Pirenópolis, Goiás
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por Tatiana Potrich

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