Augusto Diniz
Goiânia – O governador Ronaldo Caiado (DEM) afirmou que a imprensa "é um alicerce da democracia". A fala em reverência ao trabalho do jornalismo profissional goiano ocorreu durante confraternização na manhã desta quinta-feira (9/12) no Salão Nobre Dona Gercina Borges Teixeira, no Palácio das Esmeraldas, em Goiânia. "A imprensa tem essa característica. Ela relata o fato, ela opina. E o cidadão, a partir de então, começa a analisar qual é a interpretação dele em relação a um governo, quais são as suas ações, de que maneira o governo está respondendo ao clamor da comunidade."
Para Caiado, "não tem democracia sem imprensa livre". O governador disse aos jornalistas presentes na confraternização ser fundamental que o governante esteja sempre aberto ao diálogo e ao debate, para "ouvir os pontos que existem de discordância, corrigir rumos no Estado e reconhecer aquilo que estamos acertando". "A vida é isso, é uma troca de experiência", declarou o democrata.
O governador afirmou que, na posição de chefe do Executivo, precisa ter uma visão ampla do que ocorre no Estado, da "vida como ela é" em suas diferentes realidades, seja em Goiânia, Mambaí, Cabeceiras ou Cavalcante. Tudo isso para poder enxergar a melhor forma de atender as pessoas mais vulneráveis, "que não têm porta-vozes e que estão, muitas vezes, segregadas de condições de cidadania".
Caiado confessou aos jornalistas que o mês de dezembro, mesmo aos 72 anos, não perdeu "aquela magia, aquele encanto especial do Papai Noel, da esperança, da renovação, do advento". "Esse espírito natalino toma conta da gente. […] É um momento em que fazemos uma análise da nossa vida, o que conseguimos fazer."
Pandemia
De acordo com Caiado, o ano de 2020 impossibilitou os encontros, mesmo os de fim de ano, pela tensão vivida entre o fim da primeira onda da pandemia de covid-19 com a expectativa da chegada da segunda onda no início de 2021. "Se atingirmos 100% da segunda dose, que é a grande luta nossa, sensibilizar as pessoas que acreditem na ciência, pelo amor de Deus, que possamos viver tranquilamente, sem o risco de uma outra onda da covid-19. É algo que nos alegra. E chegou nesse final de ano", ponderou o govenador.
Neto de Totó Caiado, o governador não escondeu que sempre sonhou em ser chefe do Executivo estadual. E o desejo é o de resgatar a cidadania das pessoas que precisam ser assistidas por políticas públicas, de acordo com democrata. "Me orgulho de ser político. Mas, no momento [em que assumi o governo], Goiás precisava romper uma tradição de que secretarias eram muito mais capitanias hereditárias. Não são capitanias hereditárias, são estruturas que compõem o governo", descreveu.
Ao assumir o governo, Caiado disse que se assustou com a situação fiscal do Estado. Ali, o democrata relata que Goiás ocupava um dos quatro piores lugares em dívidas, ao lado de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. "Ganhei a eleição, no outro dia estava lá a professora, o funcionário público falando 'governador, me pague o salário de novembro e dezembro que eu não recebi'."
Negociação das dívidas
Para socorrer o Estado em suas finanças, a busca foi por alternativas jurídicas. "Vamos poder comemorar até o dia 22 [de dezembro], quando o Ministério da Economia vai convalidar que Goiás será o único Estado a renegociar as suas dívidas", comemorou Caiado. O alívio vem na descrição de uma dívida de R$ 250 milhões por mês que será reduzida em um pagamento mensal de R$ 90 milhões em 2022.
Caiado lembrou da iniciativa de fechar as atividades não essenciais no início da pandemia da covid-19, ainda em março de 2020. "Não tem pandemia na história que não seja tratada pedindo para as pessoas se afastarem", relatou governador, que é médico. Era a medida possível para diminuir o risco da ploriferação do coronavírus, descreveu. "Já pensou se eu como governador tivesse assistindo no Estado de Goiás cenas como vimos em Manaus, em Belém do Pará, com gente morrendo por falta de oxigênio, sem leito?", observou.
De acordo com Caiado, o trabalho do Estado nos últimos dois anos foi de reestruturação da rede hospitalar goiana, para não deixar mais o morador de Goiás refém de uma ambulância sem atendimento na sua região. "Peço a quem não conhece que visite as nossas policlínicas. É coisa de primeiro mundo."
Para o governador, as dificuldades do cidadão exigem uma resposta imediata do governante. "Você criar um clima de resgate ao respeito às pessoas", destacou Caiado.
Melhorias na educação
Na educação, o democrata disse que o Estado não pode maquiar números e deve encarar as dificuldades para melhorar a estrutura. De acordo com o chefe do Executivo, é preciso dar condições de formação educacional às crianças e adolescentes nas escolas estaduais, não mais alimentar a lógica de gerar analfabetos funcionais e comemorar números que não traduzem a realidade, como uma nota baixa no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], como 4,83.
Caiado disse que é preciso melhorar a estrutura dos colégios, a condição das salas de aula. "Durante dois anos, nós reformamos 1.049 escolas. Estamos derrubando todas as escolas de placa e estamos construindo todas de alvenaria. Estamos recuperando todas as obras paradas em Goiás. Já investimos mais de R$ 3 bilhões só em infraestrutura na educação."
Segundo o chefe do Executivo, hoje há melhoria na estutura escolar oferecida às crianças, da qualidade dos prédios ao uniforme. Caiado destacou a qualidade dos materiais fornecidos, desde o chromebook aos livros e itens didáticos usados dentro e fora da sala de aula, com a qual é possível exigir um aprendizado maior. "Esse é o governar que eu aprendi na minha vida. E que é a aplicação correta do nosso dinheiro. A partir daí, as coisas vão acontecendo", pontuou Caiado.