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“Jornal das Cooperativas” registrou a transformação do setor nos anos 1980

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08.12.2021 - 12:27:51

Jales Naves
Especial para o AR

Goiânia – Os anos 1980, um dos períodos mais importantes do Cooperativismo goiano, foram registrados, em relatos detalhados e ricos em informações, pelo “Jornal das Cooperativas”, órgão de divulgação da Organização das Cooperativas do Estado de Goiás (OCG), formato tabloide, em suas 90 edições e mais de 720 páginas. Mostrou como se deu a transformação da OCG, então uma entidade pequena, acanhada, sem pessoal e sem muitas atividades, numa das mais fortes e representativas em Goiás e no Brasil, em termos políticos. Ela liderou as mais diversas atividades na área econômica, em especial quanto às questões da agropecuária e suas reivindicações, e teve papel de destaque no crescimento das Cooperativas, mais especificamente as de produtores rurais.

Nesses 10 anos, a Organização saiu de uma pequena sala alugada no centro e passou por três sedes – mais uma alugada e duas próprias –, cada uma simbolizando os passos que estavam sendo dados no sentido de fazê-la crescer e atender as filiadas em suas expectativas. Ela evidenciou a força do sistema cooperativista, o seu exemplo de união e a determinação de seus dirigentes em destacar como a união em torno de objetivos comuns, base do processo de cooperação, traz resultados rápidos e para todos os envolvidos.

As Cooperativas de produtores rurais, que eram em maior número, estavam se estruturando para ocupar seu espaço na economia. Começavam a entender o significado e a necessidade dessa união, cresceram e passaram a dar maior respaldo aos seus cooperados em suas atividades produtivas, e tinham lideranças que sobressaíam em suas atividades, assumindo papel de relevância nesse novo momento que o sistema estava vivenciando. As demais Cooperativas, muitas pioneiras em suas áreas, como a dos médicos, também serviram de modelo e ressaltaram a importância da união para ampliar e consolidar suas conquistas, especialmente em termos profissionais e de prestação de serviços.

Na época existiam 80 Cooperativas, divididas entre as de produtores rurais, de consumo, de trabalho e de eletrificação rural. As de Crédito, urbanas e rurais, eram reduzidas, sofriam severas restrições por parte do Banco Central do Brasil, responsável por ditar os rumos da economia nacional e fazer o sistema financeiro funcionar corretamente, fiscalizando e acompanhando suas atividades. O importante trabalho de reorganização desse segmento, começado nesses anos, teve grandes frutos nas décadas seguintes.
 
Como começou
A primeira edição do jornal, com oito páginas, ilustrações do cartunista Jorge Braga e referente a dezembro de 1979, anotou como tudo começou.

No início daquele ano, o presidente da então Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano Ltda. (Comigo), de Rio Verde, Paulo Roberto Cunha, teve brilhante participação no III Congresso Nacional de Economia Orizícola, realizado em Goiânia. A repórter Eliana Prudente da Silva (Nana), da TV Anhanguera e que integrava a Cooperativa dos Jornalistas de Goiás Ltda. (Projornal), fundada na capital goiana em dezembro de 1978, cobriu o evento, ficou impressionada com a performance do dirigente da Comigo e ao entrevistá-lo disse da criação da entidade dos profissionais goianos. Ele se interessou em conversar com os membros da Projornal e no dia seguinte compareceu na sede provisória da Cooperativa, na rua 72 nº 407, sobreloja, no antigo bairro Popular, acompanhado do diretor de Planejamento e Cooperativismo do Banco Nacional de Crédito Cooperativo S/A (BNCC), Tertuliano Boffil, e do juiz de Direito Luiz Alberto Di Lorenzzo do Couto. Entusiasmado com a nova entidade dos profissionais da imprensa, Paulo Roberto conversou com os jornalistas cooperados e explicou seus planos para a OCG.

“Nós indicamos o Presidente e vocês o Secretário. Os demais cargos negociamos para formar uma chapa forte, para dar um impulso nessa entidade que pouco tem feito pelo Cooperativismo”, disse, ao frisar que a Organização precisava ser reestruturada, dinamizada e fazer valer o que as Cooperativas representavam.

A chapa era formada por cinco nomes.

Acordo selado, as Cooperativas de produtores rurais indicaram para Presidente o juiz Luiz Alberto do Couto, que era membro da Cooperativa Agropecuária Mista de Paraúna Ltda. (Campal), e para Secretário a Projornal apresentou o jornalista Jales Rodrigues Naves, que fora um dos fundadores, integrava seu Conselho de Administração e coordenava a parte editorial da Cooperativa. Para o Conselho Diretor foram sugeridos, ainda, os presidentes da Cooperativa Central Rural de Goiás Ltda. (Go-Go), com sede em Goiânia, José Frauzino Pereira Neto; da Cooperativa Agropecuária do Mato Grosso Goiano Ltda. (Coapemago), com sede em Inhumas, Roberto Egídio Balestra; e da Cooperativa Agropecuária Portuense Ltda., de Porto Nacional, Deijayme Aires da Silva.
A chapa única, eleita em 22 de abril e sem posse festiva, começou a trabalhar já no dia seguinte.

A sede era no edifício Rita de Albuquerque, na av. Anhanguera, 3.001, na esquina de uma viela entre a av. Araguaia e a rua 6. A sala 906, que ocupava, era pequena, e mesmo assim dividida em dois espaços, entrecortados por um banheiro no centro: no primeiro ficava a recepção e, no segundo, uma mesa com telefone e um armário com os documentos da entidade e das suas filiadas. Contava com apenas uma funcionária, Rosa Ângela Maria Rabelo, cedida pelo convênio entre a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão do Governo Federal naquele momento responsável pelo registro e fiscalização das Cooperativas; a Coordenadoria Regional do Incra em Goiás criou o Grupo de Cooperativismo, que administrava o acordo e os recursos financeiros destinados à área. Ela ficou muitos anos na função de secretária da Organização, até retornar ao Incra.     

A partir daí os novos dirigentes começaram a melhor se informar sobre as Cooperativas, que eram novas, estavam se estruturando e conhecendo sua área de trabalho, ao mesmo tempo em que davam início a atividades de apoio aos cooperados, a realizar promoções e a buscar mais espaços para atuarem. A OCG passou a ficar mais próxima das filiadas, a oferecer serviços, cursos para o pessoal das filiadas e a pensar em alternativas.

A Diretoria, logo no terceiro mês, teve que ser alterada, pois o presidente eleito, como Juiz de Direito, fora designado para a comarca de Araguaína, no norte de Goiás, pediu licença e se mudou para essa região.

Secretário, Jales Naves já representava a entidade nas diversas convocações para reuniões, vinha dando cobertura jornalística às atividades e a divulgar as Cooperativas e o trabalho que realizavam, foi indicado pelos outros três diretores – José Frauzino, Roberto Balestra e Deijayme Aires – e assumiu a Presidência em julho.

Na primeira edição do jornal, a extensa entrevista com o presidente licenciado, Luiz Alberto do Couto, que discorreu sobre os mais diversos assuntos. O destaque do periódico foi para uma das principais conquistas da OCG no período: inserir as Cooperativas de produtores de milho e soja no processo de exportação desses produtos. Houve reuniões na OCB e na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil, na época responsável pelas exportações brasileiras, quando a OCG conseguiu as primeiras cotas para ingressar nesse disputado mercado, já começando a exportar soja. Também matérias sobre a Cacex e a Projornal, que editou o jornal por sua Agência de notícias; anunciado como mensal, o periódico era publicado quando possível, no mês, bimestral ou trimestralmente, sempre com oito páginas (às vezes com 12 e até com 24 páginas, chegando inclusive a ter um encarte, mostrando o Cooperativismo numa linguagem didática), relatando os avanços obtidos, os trabalhos realizados, as promoções, apresentando as pessoas, resgatando participações, contando histórias e fazendo crescer as Cooperativas e a sua entidade de representação.

A OCG ficou no ed. Rita de Albuquerque até o segundo semestre de 1980, quando alugou um novo espaço, no setor Sul, maior e que possibilitou novas atividades e mais reuniões dos diversos segmentos.
 
Outras três sedes
O jornal registrou os principais momentos vividos pelo Cooperativismo e suas sedes representaram, cada uma, avanços importantes no período. A segunda sede, ainda alugada, foi numa ampla casa no setor Sul, na rua 96 nº 290, quando implantou o Escritório de Compras e Vendas, que significou maior união das filiadas e sua inserção no processo de cooperação entre elas. As informações estão na sexta edição do periódico.

Esse crescimento da entidade despertou disputas, quando se viu, pela primeira vez, a apresentação de duas chapas. Lançado à reeleição em janeiro de 1981, durante homenagem que lhe foi prestada pelas Cooperativas, Jales manteve o ritmo do trabalho, o cumprimento do programa de ação definido anteriormente e formou uma chapa por segmento cooperativista, ampliando a representatividade dos dirigentes.

A Assembleia Geral Ordinária de eleição, no dia 2 de abril desse ano, foi histórica, a de maior participação, com a presença de representantes de 47 filiadas, das 60 em condições de voto, conforme a 15ª edição do jornal. A reeleição de Jales foi tranquila, obtendo 33 votos contra 14 para a oposição, representando 70% do total. Neste pleito a chapa era formada por 14 nomes, já com diretores por segmento cooperativista.

A primeira sede própria, na rua 3 nº 372, centro, significou um grande passo, quando as Cooperativas complementaram o valor doado pelo BNCC para essa aquisição, uma casa ampla, com muito espaço, inclusive um pequeno auditório. A inauguração foi no dia 28 de abril de 1982, e marcou a introdução de novos serviços prestados pela OCG, como na parte de consultoria e auditoria.

A segunda e definitiva sede própria, representando a consolidação da entidade e marcando sua presença, começou com a aquisição de um lote no Jardim Goiás, então uma área pouca habitada e já com o shopping Flamboyant em frente. Ali foi construído um prédio, com quatro pavimentos e dois blocos, para atender as necessidades de espaço da Organização pelos 50 anos seguintes, com amplo auditório, salas de trabalho, para aluguel e alojamentos para participantes de cursos e mesmo para dirigentes e técnicos de Cooperativas em suas vindas a Goiânia. A obra, com 1.526 m² de área construída e projeto do arquiteto Fernando Galvão, financiada pela Caixa Econômica Federal, via Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social, foi realizada pela Conenge Construções e Engenharia Ltda., dos engenheiros Wilton Marra e Santos Tavares, e fica na av. Deputado Jamel Cecílio, 3.427.  

A sua inauguração aconteceu no 25 de agosto de 1988, com a presença do ministro da Agricultura, Iris Rezende Machado, e do presidente da OCB, Roberto Rodrigues, além de mais de 300 convidados, dirigentes, técnicos de Cooperativas e seus familiares. Símbolo da autonomia e independência do Cooperativismo brasileiro, a sede foi considerada um dos três principais acontecimentos do ano na área, ao lado do X Congresso Brasileiro de Cooperativismo e das oito inserções sobre o sistema cooperativista na futura Constituição Federal. O corte da fita simbólica, inaugural, foi feito por Iris, Roberto e Jales Naves, idealizador da obra. A matéria sobre a inauguração está na edição nº 76 do jornal.
 

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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