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Tão novos, e tão antigos

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31.07.2012 - 11:45:11

O objetivo desta coluna é falar de tecnologia e, principalmente, do uso que se faz dela. E, sob esta ótica, as redes sociais são matéria-prima inesgotável para este tipo de análise. Fatos recentes escancararam uma conclusão até óbvia: as mais modernas formas de comunicação têm servido para reproduzir comportamentos tão antigos que, provavelmente, um antropólogo concluiria que elas apenas repetem o que nossos antepassados faziam desde o tempo em que pinturas rupestres representavam o que de mais avançado existia para o compartilhamento de informações entre os seres humanos.

Três fatos, em especial, chamaram a minha atenção nos últimos dias. Dois deles ligados aos Jogos Olímpicos de Londres, onde a elite esportiva se reúne e para onde os olhos de boa parte da humanidade se voltam. A primeira polêmica envolveu a atleta grega Voula Papahristou (santo Google!), que resolveu fazer uma piada infeliz, para dizer o mínimo, que culminou na exclusão da delegação do país helênico. O conteúdo de seu post no Twitter: “Com tantos africanos na Grécia, pelo menos os mosquitos do Nilo comerão comida caseira!".
 
Dois dias depois, outro comentário no Twitter custou o corte do jogador de futebol suíço Michel Morganella. O lateral direito escreveu, também no microblog:  "Eu quero bater em todos os sul-coreanos. Bando de retardados!". Não restou ao comandante da delegação outra alternativa a não ser mandar o jogador de volta para casa.
 
O terceiro caso é bem mais próximo e teve como palco do Facebook, este zoológico humano, para usar uma expressão da coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, Rosa Maria Farah. Entre relatos de tristeza pela morte de uma jovem eu um acidente de trânsito, algumas pessoas publicaram comentários com juízo de valor em relação à vítima. A garota foi chamada de “patricinha”, “irresponsável”, e houve insinuações de que ela provavelmente estava alcoolizada ou “queria aparecer”. Enfim, coisas que não acrescentam nada e que só contribuem para aumentar o sofrimento de familiares e amigos.
 
A verdade é que em uma fauna de mais de um bilhão de usuários, é normal que as redes reflitam preconceito, tolerância, racismo, igualdade, maldade, compaixão, inveja, altruísmo, medo, coragem, ou seja, todos os sentimentos que constituem cada um de nós desde sempre. Ocorre que, com o atual potencial de eco, que antes ficavam restritas ao círculo de convívio pessoal, uma opinião mal colocada, mesmo que seja um ato falho, pode ganhar proporções incontroláveis.
 
 A coleção de gafes no Twitter e no Facebook é interminável e vai da política ao futebol. Geralmente ocorrem porque entramos na espiral da velocidade da informação em tempo real e não paramos um segundo antes de começar a digitar. Pesquisa da Universidade da Califórnia (EUA) já revelou que o uso das redes sociais estimula a liberação de ocitocina, um hormônio ligado a vínculos afetivos. Estimulados pelo “doping” de retuítes, acabamos esquecendo que, quando não temos o que falar, é preferível calar a boca, ou, melhor ainda, amarrar os dedos.
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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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