Logo

Janela de Plantio: Como funciona? Quais os cuidados?

08.09.2020 - 14:00:00
WhatsAppFacebookLinkedInX

O substantivo feminino “janela” tem sido utilizado para várias denotações, entretanto é mais aplicado quando nos referimos a um vão em paredes de uma construção a meia altura que permite a entrada de ar e claridade nos ambientes. Mas quando o relacionamos à agricultura, essa terminologia é usada para definir a melhor época para se realizar o plantio das culturas, levando em conta o menor risco de frustração de safra.
 
A partir da safra 1995/1996, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) passou a disponibilizar informações para os agricultores sobre a melhor época de plantio de várias culturas de acordo com o município, as características do clima, o tipo de solo e o ciclo das cultivares.
 
A finalidade dessa informação é repassar ao agricultor o período em que há a menor possibilidade de adversidades climáticas, que coincidam com as fases mais sensíveis das culturas, reduzindo, desta maneira, as probabilidades de quebra de safras. Assim, na agropecuária brasileira, estes períodos são conhecidos como “janela de plantio”.
 
A importância da janela de plantio fica mais evidente quando observamos os agentes financiadores da produção agrícola baseando suas decisões de liberação de recursos a partir da análise da capacidade financeira do produtor e dos aspectos técnicos para a instalação e condução da lavoura, tendo como ponto principal de decisão o período de plantio definido no Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).
 
Para conhecer o melhor período de plantio, o agricultor pode acessar o portal do Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático por meio do site do Mapa https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/riscos-seguro/programa-nacional-de-zoneamento-agricola-de-risco-climatico, onde se pode fazer a busca pelo município e pela cultura a ser implantada.
 
Para se ter sucesso no plantio do milho safrinha é importante prestar atenção na época de semeadura, já que, quanto mais tarde for semeado, menor será o potencial produtivo da cultura e maior será o risco de perdas por geada e/ou seca, dependendo da região produtora. Como alternativa para aumentar esta janela de plantio para a cultura do milho safrinha, o uso de cultivares de soja mais precoces é recomendado e essa prática é usualmente adotada.  
 
 O uso de cultivares de soja superprecoce ou precoce no sistema soja-milho safrinha tem permitido ao produtor encurtar o ciclo da soja em pelo menos 20 dias, quando comparado ao uso de cultivares de ciclo médio, e em pelo menos 40 dias, quando comparado com as cultivares de ciclo tardio. Embora essa escolha amplie o período de plantio do milho dentro da janela de plantio, muitas reduções têm ocorrido nos patamares produtivos da soja quando comparamos com o plantio de cultivares com ciclos médio, semitardio e tardio na mesma época.
 
Ainda que as informações estejam disponíveis, alguns agricultores, que adotam em suas áreas agrícolas a sucessão soja–milho safrinha, frequentemente encontram dificuldades no plantio do milho, realizando a operação, muitas vezes, fora da janela recomendada.
 
Normalmente, a capacidade operacional é suficiente para o cultivo de verão, porém, com a janela menor para a de safrinha, o produtor acaba finalizando a operação de plantio fora da época e colocando a cultura em condições em que o risco de perda de produtividade é iminente.
 
Assim, para buscar o ajuste da safrinha dentro da época ideal, muitos produtores do Brasil estão adiantando o cultivo de verão com a soja, justamente para viabilizar a segunda safra, mesmo que isso signifique a possibilidade de aumento do risco de frustração da safra de verão.
 
É importante o produtor conhecer o novo sistema de classificação de ciclo de cultivares, o Grupo de Maturidade Relativa (GRM),  que se fundamenta na resposta ao fotoperíodo em práticas de manejo e na área geral de adaptação. O GRM define o ciclo, em dias, da cultura da semeadura até a maturidade fisiológica e estabelece com mais realidade o ciclo da soja permitindo que o produtor conheça melhor forma de cultivar a ser utilizada em sua área de produção.
 
Resta, portanto, ao agricultor fazer o planejamento mais adequado da propriedade para o sistema produtivo a ser adotado, analisando os riscos e as probabilidades para frustração de safra utilizando tecnologias e informações que permitam maiores produtividades, sem prejudicar o rendimento das culturas selecionadas para plantio.
 
Conhecer  o rendimento operacional (ou seja, quantos hectares por dia são gastos para a semeadura) e os dados de Zarc para o plantio de safrinha, podem definir quais as datas de início do plantio da soja no verão e, principalmente, calcular a área a ser semeada com milho safrinha, podendo explorar o máximo das produtividades das duas culturas.

*Décio Karam é membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Ph.D, pesquisador de Manejo de Plantas Daninhas da Embrapa Milho e Sorgo
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Décio Karam

*

Postagens Relacionadas
Décio Gazzoni e Antônio Buainain
25.02.2026
O papel do engenheiro agrônomo na realidade contemporânea

O Acordo entre o Mercosul e a União Europeia significa um marco histórico nas trocas comerciais no mundo, pela amplitude de países, população e valores financeiros (PIB e trocas comerciais) envolvidos. É um exemplo acabado da realidade comercial contemporânea. Do ponto de vista da União Europeia, as vantagens apontam especialmente para uma abertura de mercado […]

Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]