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Entrevista com o violinista/violista Luciano Pontes

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10.08.2020 - 08:58:59
Em 2017, o músico Luciano Ferreira Pontes (n.1984) iniciou seu doutoramento em “Performance Cultural” na Universidade Federal de Goiás (UFG). Antes, havia cursado, nessa mesma Instituição, o Mestrado em Música (2010-2012), sob a orientação da Professora Glacy Antunes de Oliveira, e o Bacharelado em Violino (2002-2005), na classe do professor Alessandro Borgomanero. Desde 2016, é professor efetivo (concursado) na Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC) da UFG.

 

Luciano Pontes

Recentemente, Luciano Pontes foi selecionado para a fase final do World Bach Competition (WBC) na categoria “WBC Professional: Instrumental”. Encontra-se em andamento, desde o dia 1º de agosto (2020), uma votação pelo canal do YouTube – Boulder Bach Festival – para a escolha do “favorito da audiência”. 
 

Para votar em Luciano Pontes basta entrar no link abaixo (até o dia 15 de agosto), assistir e dar um Like. (https://youtu.be/8ATRXep92eE)

 

Othaniel Alcântara: Luciano Ferreira Pontes, sabemos que a etapa “favorito da audiência” é apenas uma das fases do concurso World Bach Competition (WBC). Qual(is) obra(s) você enviou para se inscrever nesse concurso?
 
Luciano Pontes: Este concurso foi direcionado a intérpretes da obra de Bach. Salvo engano, na inscrição estava sendo exigido 12 minutos de gravação da execução de uma ou mais obras. Eu, então, enviei três movimentos da Suíte Nº 1 para violoncelo/viola.
 
Othaniel: Houve uma fase eliminatória?
 
Luciano: Sim. O concurso se divide em duas etapas. Na primeira etapa, ou seja, na fase eliminatória, foram selecionados 273 músicos de 39 países diferentes, dentre todos os vídeos encaminhados para o concurso. Na segunda etapa, ou fase final, o candidato já entra concorrendo aos prêmios oferecidos pelo concurso.
 
Othaniel: Quais são esses prêmios?
 
Luciano: Uma das premiações é a participação do “favorito da audiência”, o qual você já citou. Nesse caso, quem vota para escolher os vencedores desta fase é o público. Os 273 vídeos estão no YouTube, numa espécie de festival internacional virtual. O vídeo que conseguir mais likes dentro de cada categoria se tornará o ganhador desse prêmio inicial. Depois disso, vem o ponto alto do concurso, quando, por meio de seleção realizada por uma banca de jurados, ocorrerá a indicação dos 3 primeiros colocados de cada categoria.
 
Othaniel: Haverá premiação em dinheiro?
 
Luciano: Para o vencedor do mencionado “favorito da audiência” e, ainda, para aqueles que receberem “menção honrosa”, não! Aqui vale prestígio. Até porque o concurso é muito concorrido e também de alto nível técnico. Eu percebi isso apenas depois que fiz a minha inscrição e fui ao YouTube assistir à parte dos vídeos. Enfim, é uma grande oportunidade de os músicos mostrarem o seu trabalho. Já para aqueles 3 primeiros colocados dentro de cada categoria haverá, sim, um prêmio em dinheiro.
 
Othaniel: Esse concurso é realizado sempre dessa forma, quero dizer,   Online?  Ou neste ano está sendo assim realizado devido à situação atual causada pela pandemia do coronavirus?
 
Luciano: Eu não tenho 100% de certeza se essa edição é a primeira a ser realizada de forma online. Fiz uma pesquisa no site do concurso e me certifiquei, então, de que várias outras edições foram presenciais. Tanto que, nesse site, há diversas fotos de pessoas recebendo suas premiações.
 
Othaniel: Com que frequência este concurso é realizado?
 
Luciano: Parece ser anual. Mesmo sendo minha primeira participação, me recordo de ter acompanhado um pouco das edições do ano passado e do ano retrasado. Ficou claro pra mim que o Boulder Bach Festival é realizado com frequência. 
 
Othaniel: Como aludido, são 273 candidatos concorrendo na fase final do Boulder Bach Festival. Você saberia me dizer quantos brasileiros estão neste seleto grupo?
 
Luciano: Sim, eu sei te falar porque eu olhei o nome de todos os candidatos para verificar se havia outros brasileiros participantes. E acho que você vai ficar surpreso. Nós somos dois sul-americanos. E os dois são brasileiros. E somos dois músicos da comunidade interna da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás (EMAC/UFG). O outro candidato é um violonista, aluno do Professor Eduardo Meirinhos. O nome dele é André Marcílio. Ele está concorrendo na categoria “Universitários”.
 
Othaniel: Acompanho sua carreira há muito tempo e sei que você venceu diversos concursos até o momento. Acho que o primeiro deles, em nível nacional, foi o X Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio, em 2003. Qual repertório você apresentou nesse Concurso? 
 
Luciano: No concurso Paulo Bosísio eu concorri na categoria “B”, direcionada a violinistas com até 19 anos de idade. Na primeira fase, eu toquei o Prelúdio e Allegro [Fritz Kreisler, n.1875-1962]. Na fase final, toquei a peça chamada Desafio, do brasileiro Marlos Nobre (n.1939) e o primeiro movimento do Concerto em Lá Maior, Nº 5, de Mozart [1756-1791].
 
Othaniel: Como foi a sua preparação para esse concurso? E como foi essa experiência?
 
Luciano: Tem uma história interessante relacionada a esse concurso. Vou contar rapidamente. Naquela época, eu tocava na Orquestra Goyazes [atual Orquestra Filarmônica de Goiás] e na Sinfônica de Goiânia. Além disso, eu ministrava aulas no Basileu França [antigo Veiga Valle, Escola de Música mantida pelo Estado de Goiás] e fazia a Faculdade [EMAC/UFG]. 

No ano anterior [2002], eu havia participado – pela primeira vez – de um festival, ocasião em que fui ter aulas no Festival de Música de Brasília. Lá eu vi meninos da minha idade tocando concertos românticos e eu tocando Vivaldi. Pensei de imediato: estou atrasado em relação a esse pessoal. Então, percebi que não ia rolar. Quero dizer: eu não ia conseguir crescer na carreira de performer trabalhando daquele jeito. Cheguei à conclusão que eu era muito novo para trabalhar em todos aqueles empregos. Daí, resolvi ficar apenas na Orquestra Goyazes, na qual eu era o spalla. Quando eu saí, Othaniel, precisamente um ano depois, eu ganhei o Concurso Paulo Bosísio. Esse concurso me abriu as portas para vencer outros concursos.
 
Othaniel: Aproveitando a deixa, quais outros prêmios você destacaria aqui?
 
Luciano: Além do Prêmio Paulo Bosísio, eu venci outros 3 prêmios nacionais, atuando como violinista: o IV Concurso para Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica da Bahia; o Concurso Jovens Solistas do Festival Internacional de Inverno de Brasília e o prêmio “Música Viva”, recebido do Maestro Ira Levin pelo meu desempenho como spalla da Orquestra Sinfônica Acadêmica do Mencionado Festival de Brasília. Fora esse tipo de concurso, fui aprovado em audições para o ingresso em orquestras como a Orquestra do Teatro Nacional Cláudio Santoro, de Brasília.
 
Othaniel: Antes do World Bach Competition, você participou de algum concurso como violista?
 
Luciano: Em 2016, fui aprovado no concurso para docente (efetivo) na EMAC/UFG, na vaga de viola. A banca examinadora foi composta por 3 membros: você, a professora Sônia Ray (UFG) e o violista Ricardo Kubala (UNESP). Logo depois, ainda em 2016, eu aproveitei o repertório de viola que eu preparei para esse concurso e o apresentei em uma competição realizada em Nova Iorque. E o que aconteceu? Ganhei o segundo prêmio. A participação nesse concurso me valeu um concerto no Carnegie Hall, em novembro de 2016. Também fui convidado para ministrar uma masterclass na Pennsylvania State University. Isso destravou minha carreira como violista.
 
Othaniel Alcântara: Obrigado pela entrevista*!
 
* Entrevista realizada dia 8 de agosto de 2020, via aplicativo Zoom.
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por Othaniel Alcântara

*Othaniel Alcântara é professor de Música da Universidade Federal de Goiás (UFG) e pesquisador integrado ao CESEM (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical), vinculado à Universidade Nova de Lisboa. [email protected]

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