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O Gênio do Mal

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27.11.2017 - 09:10:00
 
Goiânia – Desde o princípio de O Gênio do Mal (1965), de Robert Mulligan, tem se a impressão de estar ao lado de um grande filme. A câmera foca a estrada ao passo que em seguida nos é apresentado um ônibus. Posteriormente a isso, a tela é preenchida com a face de Georgette Thomas (Lee Remick) imiscuída em nuvens que promove um estado de deslumbramento, como se a personagem estivesse em paz e indo em direção à felicidade acompanhada de uma bela canção. De repente, o ônibus para e sobe uma senhora que se senta ao lado de Georgette e de sua filha Margaret Rose (Kimberly Block).
 
Ela estabelece uma relação com as duas partindo do pressuposto do clima quente instaurado naquele local e comenta sobre o longo atraso do veículo. A filha de Georgette, a bela garotinha, comenta que estão indo para que ela conheça seu pai. A senhora pergunta se ele estava no exército e Georgette prontamente afirma que ele estava viajando. Passados alguns instantes, a película mostra alguns prisioneiros trabalhando próximo a uma prisão. 
 
A menina questiona o que é uma prisão, e a senhora responde que é o lugar em que os condenados são postos para pagar seus pecados. Não satisfeita e com toda a curiosidade inerente à idade, pergunta o que é um condenado, sendo prontamente respondida pela senhora que é alguém que violou a lei e que deve ser penalizado por isso. Há uma outra parada e sobe um senhor e logo a garotinha pergunta a mãe se ele é um condenado e a mãe afirma que não.
 
O deslocamento em direção a um lugar ao sol, o sonho de reconciliar-se com a felicidade por meio do amor, este magnânimo sentimento que move as personagens a se abdicar de uma insatisfação e de se aventurar por novos rumos, novos caminhos. Mãe e filha descem e param num restaurante onde conhecem Slim (Don Murray), um senhor simpático e amigável, e começam a dialogar. Ela informa que irá se encontrar com seu marido, não se sabe quando, mas que o procurará por toda parte. Comenta ainda que as coisas estavam ruins em seu emprego e que optou por isso pediu demissão, pois estava cansada de toda aquela cidade e que escrevera uma carta ao marido. Quando ele descobre que o marido dela se chama Henry Thomas (Steve McQueen), este afirma que o conhece há muito e que ele está por perto. 
 
A felicidade irrompe e aparece estampada em seu rosto contrapondo-se à feição fechada do marido em seu reencontro, algo entre uma densa e obscura aura que emana sentimentos conflitantes, como que se prenunciasse um mal que se avizinha, mas cujo sentimento se aflora. Dois mundos díspares e que parecem que não se conectaram mais. Há um princípio em que a paz parece prevalecer, mas logo, Henry, um cantor de country, que possui uma relação conflituosa com sua mãe devido ao seu estilo de vida. Ela quer que ele estude, enquanto ele quer vencer na vida pela música. A dificuldade para manter a família faz com que sua natureza violenta se manifeste novamente e ele acaba por cometer um ato que o leva de volta à cadeia.
 
O início e o fim do filme dialogam-se. Há um ponto de convergência que apresenta dois caminhos. O carro que leva Georgette e sua filha guiado pelo senhor que lhes ajudara se entrecruza com o do marido. Georgette puxa a filha para que não veja seu pai, novamente um condenado a caminho da penitenciária. Outra localidade será o destino das duas. Uma busca febril pela paz e pelo recomeço que guia o ser humano, uma capacidade singular de buscar a luz diante das trevas e de, mesmo diante das intempéries da vida, de toda a dificuldade e de todo o sofrimento, alçar aos céus o desejo profundo de viver em paz.
 
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por Declieux Crispim

*Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte.

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