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Anavitória, assaz-assim, de volta a Goiânia

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09.06.2017 - 11:24:43

Goiânia – A história é bem-esta: em Araguaína, Tocantins, mesmo conhecidas desde os tempos de uma meninice-de-escola, em algum momento de 2013 é que elas voltaram a palavrar. Sim, “elas” “voltaram”. A reunião de cadências, expectativas e trajetórias principia pelo nome do duo, Anavitória, formado por Ana Caetano e Vitória Falcão.
 
Singulares, arquitetando enlaces de dias e horas, trevos de quatro folhas, cores de marte, e devagar falando tudo sobre o mundo — elas cantam. Retomam estilos, reinventando outros, e se refazem, desmanchando precisões, esquecimentos, querenças. Dão até de enternecer rotinas, os verbos, em versos… 

(Foto: anavitoriaoficial)

E foi assim que, papéis em branco, foram-se esparramando Brasil afora, adentro, nas dobras e desdobras do universo da cibercultura. Sim, é bonito quando se esparramam as diversidades. E que outros tons também consigam se achegar da gente…
 
Pois assim é que dali-logo se percebe que um dos ditos do Manoel de Barros se refaz ainda hoje: é preciso a gente não só puxar válvulas, olhar relógios, apontar lápis. Quem dera fosse também possível sonhar e renovar as pessoas usando borboletas…
 
No caso delas, Anavitória, foi sendo. Sonho-de-depois-de-sonho. E em novos fôlegos compondo e esparramando música. Incrível como, em tempos de hoje, virtualescos, apropriação e esparramação ficam, em alguns casos, menos “priv(ilegi)adas”.
 
Com a carreira iniciada por elas mesmas, na internet, e produzidas logo-adiante por Tiago Iorc, o duo tem hoje visualizações no YouTube que impressionam: passam de 5 milhões aqui, cerca de 10 milhões ali, quase 20 milhões dali-a-pouco.  


 

A internet, como a gente sabe, vai dando na gente esses giros. Que importam e desimportam por sem fim de motivos, claro. Neste caso, importa menos qualquer um dos nomes que se dê ao estilo Anavitória ou que elas estejam “na berlinda”, “em vias de sucesso”. Importa bem-mais a possibilidade de diversificar as nossas “escolhas repertoriais”, dando a gente até de delirar, como se diz, muitas linearidades…
 
Hoje, aqui de novo, na capital goiana, o duo se apresenta. No Teatro Rio Vermelho, às 21h. Céu desabando sobre a gente, sombras de avião rastejando feito cobra no chão… E as meninas cantando muito (sobre) um delicado pluriamor…
  

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por Carol Piva

*Carol Piva é doutoranda em Arte e Cultura Visual na UFG e uma das editoras-fundadoras do jornal literário "O Equador das Coisas". Servidora do TRT de Goiás, tradutora e ficcionista.

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