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Z – A Cidade Perdida ou Caminho sem Volta

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05.06.2017 - 09:30:37
Goiânia – A chama que resplandece e preenche os créditos iniciais que expõem o título de Z – A Cidade Perdida (2016), novo filme do mestre James Gray, representa uma luz diante de um cenário atual medíocre que é a tônica em Hollywood com restrições obviamente. A película é baseada no best-seller de não ficção de David Grann e narra a saga do explorador inglês Percy Fawcett (Charile Hunnan), condecorado herói militar britânico, selecionado para participar de uma expedição com o escopo de desbravar territórios inexplorados pelo homem branco na floresta Amazônia, precisamente no Brasil e na Bolívia.
 
As bases que confeccionam o cinema do diretor se fazem presentes, ao mesmo tempo em que há um contraponto em relação à sua pregressa filmografia. O ambiente urbano tão característico cede local a um ambiente hostil, em uma aventura incessante rumo a uma floresta a ser descoberta. Os laços familiares retratados com primor ao longo de sua carreira são marcas indeléveis e aparecem de modo abissal em seu recente trabalho. Impregnado por um classicismo que não deve em nada aos grandes mestres do cinema americano, a narrativa de James Gray tece semelhanças com outros filmes espetaculares cujo mote versa sobre a busca infindável pelo desconhecido. É impossível não rememorar de obras como O Comboio do Medo, Aguirre, Fitzcarraldo ou Apocalypse Now.
 
Embrenhar-se em solo incógnito à procura de respostas e de conhecimento é uma tarefa árdua e que carece de sacrifícios. E é este o embate que se instala um belo drama familiar configurado com doses certeiras de uma carga emocional vigorosa em que as rusgas entre os entes são inevitáveis, principalmente envolvendo o pai e o filho mais velho que expõe suas críticas em relação ao comportamento do pai, sentindo-se desamparado por suas longas e intermináveis ausências mediante a uma causa que parece indecifrável ou a cena memorável que estoura um conflito entre Fawcett e Nina (Sienna Miller), sua fiel esposa, que almeja retornar com o marido para a selva sendo prontamente rechaçada por ele. 
 
Ao lado de seu assistente Henry Costin (Robert Pattinson), um ator que já demonstrou seu talento em filmes como Cosmópolis desvencilhando um pouco sua imagem à sua anódina interpretação na saga Crepúsculo, Fawcett retorna diversas vezes à selva encarando as reações nada amistosas dos nativos ou da própria floresta. À certa altura, quando retorna de uma expedição, Fawcett está plenamente convencido da existência da mítica cidade esclarecendo seu posicionamento perante a sociedade. Ele acaba sendo ridicularizado por parte daqueles imbuídos de uma visão míope e incapaz de acompanhar o seu lado visionário. 
 
No fundo, trata-se de defender seu ponto de vista, mesmo que seja necessário remar contra a maré, contra tudo e contra todos, tal como o personagem o próprio James Gray navega por águas tortuosas em prol de sua verdade, independentemente de críticas ou insucessos comerciais, a sua obra extrapola o senso comum e sobrevive ao tempo. Não é um filme fugaz a ser esquecido pouco após a exibição, é cinema perene e que reverbera cujo ápice emana uma força apaixonante. Assim como Fawcett, James Gray acende uma vela e ilumina a escuridão. 
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por Declieux Crispim

*Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte.

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