Na arena política de Goiás e de Goiânia, a movimentação que já era grande, agigantou-se nos últimos dias, com inúmeros nomes que estão ao centro e à margem do picadeiro, buscando proeminência e holofotes.
Com a vigência do recesso parlamentar em todos os níveis, diálogos se intensificaram e dos bastidores começam a surgir hipóteses de alianças outrora improváveis ou com remotas possibilidades, mas que, com a proximidade do pleito, as conversas evoluem e acordos parecem próximos.
Na capital, com a volta das férias do prefeito Rogério Cruz, tudo continua como antes: nenhuma notícia ou fato novo surge no Paço Municipal, a não ser mais uma suspensão do atendimento aos pacientes oncológicos aos segurados do Imas e da paralisação nas maternidades públicas que atendem aos menos favorecidos. E a coleta de lixo, apesar da contratação em caráter “emergencial” de uma empresa para o serviço, em valores que para os cofres públicos serão de algumas dezenas de milhões de reais, aparentemente não voltou à normalidade.
Na educação, embora haja um concurso em vigor com milhares de aprovados, a gestão conta com a aquiescência da Câmara Municipal e prefere a velha fórmula dos contratos temporários, que em tese se tornam permanentes.
Esses fatos citados são apenas a face mais visível de setores que afetam diariamente a vida do goianiense.
De positivo, com um atraso de anos, a sanção da lei que institui auxílio para manutenção dos instrumentos, saúde vocal e vestuário para os músicos da Orquestra Sinfônica de Goiânia. Uma luta de anos, e que embora válida, não resolve os problemas.
As eleições se aproximam e o eleitor goianiense tem que se conscientizar que para uma metrópole com inúmeras demandas como Goiânia não bastam propostas que visem unicamente eleger um grupo político. A cidade não pode esperar mais uma gestão que apenas “preencha” o espaço do poder.
O próximo a ocupar o sexto andar do Paço precisa ter comprometimento e competência, com capacidade política e de gestão para que o município volte a encontrar minimamente níveis de desenvolvimento econômico. E, concomitantemente, uma visão com viés para o social e humano. Não pode simplesmente trafegar pelas ruas e fazer vista grossa para o drama de milhares de seres humanos que vivem nas calçadas e sob marquises, permanentemente ameaçados pela violência e pela miséria. E não basta apenas mais uma vez repetir o ato de “eternamente” cadastrar quem está na situação: é preciso agir rápida e efetivamente, com soluções eficazes e plenas, duradouras.
Além disso, na próxima legislatura o parlamento municipal precisa resgatar a sua independência, deixando de funcionar como um apêndice da prefeitura.
Os vereadores eleitos precisam ter consciência de seu papel, de quem representam e da responsabilidade que têm. Goiânia é uma metrópole com grande força econômica e política, e também com problemas e necessidades equivalentes. Enquanto a Câmara Municipal se limitar a ser apenas um braço “de luxo” da administração municipal, os problemas hão de crescer e a gestão tende a se acomodar, limitando-se às ações básicas – ou nem isso – enquanto a população fica ao deus-dará.
Os desafios são muitos e diante disso o goianiense precisa dar valor ao seu voto, quando decidirá quem vai comandar por quatro anos os destinos da capital. Uma das formas de dar valor é não aceitar voto de cabresto direcionado por seus líderes e sobretudo perceber quem é o mais comprometido com a solução dos problemas que a cidade, sua região e seu bairro enfrentam e o que é preciso resolver mais rapidamente. Salutar ouvir vizinhos, amigos e principalmente sua consciência. Somente assim, a bela Goiânia poderá novamente viver dias de progresso econômico e social.
Paulo Rolim é jornalista e escritor
2024 chegou… e é ano de eleições municipais!
*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG