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10 anos sem o Homem de Preto

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13.09.2013 - 19:05:08

Ontem foi aniversário de morte de Johnny Cash. Tinha me programado para escrever sobre isso no dia 12, mas o deputado João Campos me impediu de homenagear a memória de um dos meus ídolos. Mas ainda está em tempo de dar essa incensada que o cara merece.

Vasculhe sua memória e tente se lembrar de alguém que não gosta de Johnny Cash. Pensou? Eu aqui não me recordei de ninguém. Se bem que minha memória não é algo que possamos chamar de confiável… Impressiona o quão vasta é a gama de fãs do cara. De roqueiros com cara amarrada a hipsters vegetarianos. A soma do poder de sua obra e integridade artística que construiu proporciona esse status de quase unanimidade – e que contraria Nelson Rodrigues, pois está longe de ser burra.

Cash teve uma vida lascada. Nasceu em um rincão rural estadunidense. O pai era alcoolista e abusava dos filhos. Aos cinco começou a trabalhar na lavoura, onde iniciou seu contato com a música cantando enquanto ralava. Perdeu o irmão que era sua grande referência e se culpou por isso até o final da vida. Serviu o exército e lutou na Segunda Guerra Mundial. Foi pai de quatro filhos no primeiro casamento.

Foi à Sum Records mostrar seu trabalho de gospel e foi esculachado pelo lendário Sam Phillips, quem revelou metade dos ícones dos primórdios do rock n’ roll. Gente do calibre de Elvis Presley e Jerry Lee Lewis.

Voltou à Sum com um material que deixou todos embasbacados. Foi contratado, caiu na estrada e virou estrela. Emplacou hit atrás de hit. Conheceu a mulher de sua vida na carreira artística, June Carter. Caiu de cabeça no vício em anfetaminas e barbitúricos. Recuperou-se. Teve seu próprio programa de televisão por anos onde levou fãs de seu trabalho – Bob Dylan e Neil Young, por exemplo.

Deixou de ter relevância no final dos anos 1970 e na década seguinte. Foi revalorado por Rick Rubin (que tem em seu vasto currículo trabalhos de Beastie Boys a Slayer) nos anos 1990 com a série American. Morreu aos 71 anos por complicações causadas pela diabete, apenas quatro meses após sua amada June. Duas dicas prazerosas para conhecer mais da vida do cantor são o filme Johnny & June de James Mangold de 2005 e o gibi Cash – Uma biografia de Reinhard Kleist.

Conheci o trabalho dele com as reinterpretações tocantes dos álbuns American. Para ficar fã e devorar todo restante da obra foi um pulo. Meu preferido da gigantesca discografia é o ao vivo At Folsom Prision de 1968. A parceria com Willie Nelson em Storytellers também tem lugar cativo no meu coração.

Toda vez que sinto necessidade de ouvir algo sincero, que tem verdade em cada acorde, volto nesses discos. A voz retumbante e grave, típica de quem está dizendo algo que merece atenção, me sensibiliza.

Cash deixou seu exemplo de integridade artística ao mundo. Nosso dever é aprender e levar esse legado adiante. A parte dele inegavelmente foi cumprida. 

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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