Carla Lacerda
Goiânia –
É grande a procura de artistas e empresários por datas para a realização de grandes shows, ainda este ano, na capital goiana. A informação é do secretário municipal de Cultura, Zander Fábio, que concedeu entrevista exclusiva ao jornal
A Redação nesta terça-feira (19/10).
O primeiro evento do gênero em Goiânia desde o início da pandemia vai funcionar como teste. Trata-se do show do sertanejo Gusttavo Lima, que será realizado no próximo sábado (23/10), no estacionamento do estádio Serra Dourada, para um público de 15 mil pessoas.
Aliás, é o gênero que puxa as solicitações formais já protocoladas no Paço Municipal. “O público em Goiânia, para esses grandes eventos, é, em si, o sertanejo. Mas tem de todos os segmentos. Nós teremos agora a volta, em novembro, do Chorinho, do festival do Canto de Ouro”, adiantou o secretário ao AR.
Além de servir como um termômetro para eventos semelhantes, Zander acredita que a realização de shows deve contribuir para conscientizar a população mais jovem sobre a importância da imunização contra a covid-19, já que a participação estará atrelada à vacinação completa (duas doses ou dose única),
entre outras medidas.
Confira os principais trechos da entrevista:
AR: Como a Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia (Secult) vê este momento de retomada dos eventos culturais no País, principalmente os grandes shows, como será o caso da apresentação do Gusttavo Lima em Goiânia?
Zander: O show do Gusttavo Lima é um evento particular. A Prefeitura participa apenas com a formalização das regras sanitárias e dos protocolos que precisam ser realizados. É um evento importante porque vai nos nortear, como já nos nortearam os jogos de futebol – os dois com o Atlético, os três com o Goiás, e com o Vila Nova. Esses eventos têm servido como exemplo para que a gente possa, gradativamente, liberar um número maior de pessoas para participar.
Segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), o mercado de shows caiu 80% no ano passado, em relação a 2019. Goiânia acompanha esse número?
Sim, eu acredito que até talvez mais. Goiânia teve regras rígidas, os decretos tinham vedado a organização de shows e eventos com público. Eu entendo que pode até ser maior do que 80%, mas agora estamos na retomada.
Já existe uma procura grande por datas e a prefeitura, mesmo quando eu era vereador, já tinha tirado, desses grandes eventos, o Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2%. Agora a prefeitura, com o Novo Código Tributário, votou essa lei que vai fazer com que esses eventos possam acontecer em Goiânia de uma forma mais efetiva. Tenho certeza de que à medida que a gente puder liberar o público em maior quantidade, o setor vai pulsar novamente.
O senhor falou sobre a procura de empresários e músicos por datas para realização de shows em Goiânia. Quais outros shows podem ser realizados na capital até o final deste ano?
A demanda para a realização de shows não passa aqui pela secretaria, inicialmente. A solicitação é feita dentro da prefeitura. A liberação, dependendo do local, passa pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), ou em outros órgãos. Mas eu sei que, pelas reuniões que nós fizemos, já existe uma procura muito grande por vários artistas, empresários, para que ocorra essa retomada, bem como as peças de teatro. A retomada vai ser total.
O senhor acredita que, depois do show do Gusttavo Lima, devem ser realizados outros eventos com 15 mil pessoas ou o número de público deve subir gradativamente?
Eu acho que, com os cuidados que estão sendo preparados, esse show vai servir também para que a gente possa conscientizar a população mais jovem, que tem uma dificuldade na vacinação e que, para entrar no show, vai ter que estar com a vacina em dia, e com seus testes.
Eu entendo que os protocolos serão cumpridos rigidamente, a fiscalização vai estar em cima. Tudo caminhando bem e, com a vacinação sendo ampliada, os eventos poderão, muito rapidamente, ter a volta do público quase na sua totalidade.
O prefeito acabou de liberar a realização de shows com um público maior…
Deve ter sido na reunião do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) de ontem (18/10). Já existia a liberação de shows com público limitado em 2 mil pessoas ao ar livre, não só shows, qualquer evento ao ar livre. E o futebol, por exemplo, já poderia funcionar com 50% ou até mesmo 3,6 mil pessoas, 3,5 mil pessoas. À medida que as coisas evoluem e os números caem, como taxa de ocupação, UTI, há a ampliação de acordo com o que diz o decreto.
O senhor falou de empresas e artistas procurando a prefeitura para a realização de shows. O que já está em negociação?
Não existe negociação. Goiânia é um polo artístico, de entretenimento. O show do Gusttavo Lima será um divisor até porque já começam também os eventos de finais de ano da própria prefeitura em relação ao Natal, ao Réveillon, já se é programado o Carnaval.
Com esse show [do Gusttavo Lima] teremos um norte do que poderá ser liberado imediatamente e, a partir disso, o interesse vai aumentar.
E quem já fez solicitação formal?
Eu não tenho essa informação.
Consegue me informar pelo menos o gênero musical: sertanejo, forró, o piseiro…
O público em Goiânia, para esses grandes eventos, é, em si, o sertanejo. Mas tem de todos os segmentos. Nós teremos agora a volta, em novembro, do Chorinho, do festival do Canto de Ouro. Todos os segmentos estão pulsando para fazer a retomada.
Tem conhecimento de quais outas cidades brasileiras já tiveram shows para 15 mil pessoas ou devem ter até o final do ano?
Sei que já tiveram eventos-testes em Brasília; no Rio de Janeiro, tiveram alguns eventos-testes, mas não sei te dizer com qual capacidade de público.
Goiânia já conta com 56% da população adulta, acima de 18 anos, com o esquema vacinal completo (duas doses ou dose única). Em Chicago, no festival Lollapalooza, realizado em agosto, com um público de 110 mil pessoas por dia, e com protocolos exigidos como passaporte da vacinação, teste negativo para covid-19 e uso de máscaras, o índice era de 50%. É um bom parâmetro [56%] para o evento-teste de Goiânia do próximo dia 23 de outubro?
Tenho certeza que sim e o prefeito Rogério Cruz tem tido esse cuidado. O número estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 70%, é um número para praticamente as coisas voltarem ao normal, para que não haja a possibilidade de uma nova pandemia.
Eu acho que 56% é um número muito seguro, tanto que você mesma disse que muitas cidades nos Estados Unidos já liberaram de público total, com um percentual menor de pessoas com as duas doses ou a dose única. Eu acho que é uma margem de segurança bem bacana.