Samuel Straioto
Goiânia – O apoio do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), a defesa da revogação da reforma tributária em vigor e propostas para as áreas de contas públicas e segurança pública marcaram a sabatina do senador Wilder Morais (PL), candidato ao governo de Goiás, realizada nesta sexta-feira (21/8), na sede do jornal A Redação, em Goiânia. A entrevista encerrou a série promovida pelo AR com os cinco postulantes à disputa pelo Palácio das Esmeraldas.
Morais afirmou que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) já integra sua campanha desde o lançamento da candidatura, antes mesmo da oficialização da chapa, e que isso ajuda na realização das ações. “O Flávio veio aqui no lançamento da nossa campanha. O Flávio é um colega meu, senador da República, uma pessoa muito capacitada, e que está rodando o Brasil inteiro e estará conosco aqui também na nossa campanha”, destacou.
Sobre o material de campanha, o candidato confirmou gravações conjuntas já realizadas e outras ainda previstas, destinadas ao horário eleitoral de rádio e TV. Questionado sobre o conteúdo dessas peças, preferiu não antecipar detalhes, mas indicou que a linha será de pautas em comum entre as duas candidaturas. “Nós não podemos tirar a expectativa das pessoas que vão acompanhar, mas é aquilo tudo que a gente sempre defende. O que ele defende, o que eu defendo. Nós estaremos na mesma linha […] é uma candidatura casada, até porque nós defendemos as mesmas pautas”, disse.
Visita
Segundo o candidato, a equipe de campanha ainda negocia datas para uma visita presencial de Flávio Bolsonaro a Goiás durante o período eleitoral. Wilder relembrou declaração dada por ele durante a convenção do Partido Liberal (PL) em Goiânia. Na ocasião, Wilder Morais declarou apoio prioritário a Flávio Bolsonaro ao afirmar que, em primeiro lugar, defenderia o projeto político do aliado e, em seguida, o Estado de Goiás, gerando debates públicos sobre a ordem de prioridades políticas.
O candidato classificou a fala como mal interpretada, sobre priorizar a defesa de Flávio Bolsonaro em relação a Goiás. “Não foi isso que eu quis dizer. É que eu sou uma pessoa que vai defender ele nos quatro cantos do Estado de Goiás, porque o primeiro problema é lá em Brasília. É o único candidato que vai tirar o PT do governo federal. O resto dos candidatos não tem essa chance”, afirmou.
Morais descreveu a proximidade com Flávio Bolsonaro como parte de um alinhamento ideológico mais amplo: “nós somos da direita, nós somos bolsonaristas, nós defendemos os princípios cristãos, nós defendemos a liberdade econômica, e isso tudo pesa numa eleição”. Ele citou ainda pautas que diz defender desde seu mandato no Senado, anteriores à candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, como a ampliação do porte de armas para o meio rural e a oposição à chamada progressão continuada no ensino público.
Foto: Sabrina Schreiner./ Jornal A Redação.
Orçamento e finanças
Questionado sobre a projeção de déficit de R$ 2,5 bilhões prevista na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027, Morais relacionou o cenário ao período em que o Estado deixou de pagar sua dívida, sob o regime de recuperação fiscal. “Nós estamos chegando a quase oito anos que nós não pagamos um centavo da dívida do Estado. Isso veio acumulando ao longo do tempo porque o Estado entrou na recuperação fiscal, e ao longo desses anos ele fez uma poupança que chegou, em 2022 e 2023, a quase 20 bilhões”, afirmou.
Para o candidato, esse acúmulo de recursos representou uma oportunidade não aproveitada de reduzir o endividamento estadual, o que teria dado, conforme citou o candidato, mais liberdade orçamentária à gestão atual. “Você sabe qual era a dívida nossa? 23 bilhões [de reais]. Nós podíamos ter tido a opção de ter pagado a dívida. O Estado não tinha nenhuma margem para fazer sua política de desenvolvimento, porque ele poderia ter essa liberdade que hoje não tem. Mesmo no Propag ele tem que seguir as regras. Ele está endividado do mesmo jeito, só aumentou a dívida para 30 anos, e a taxa de juros é a taxa de juros da inflação”, disse.
Segundo o candidato, a partir do próximo ano o Estado precisará retomar o pagamento da dívida, o que tornaria o equilíbrio fiscal mais dependente do crescimento da economia estadual. “Para que a gente possa fazer investimento no Estado de Goiás, a gente tem que fazer que a nossa produção aumente: a indústria tem que produzir mais, o agronegócio produzir mais, sempre criar oportunidade, o turismo, aí sim nós vamos equilibrar essas contas”, afirmou.
Morais disse ainda que, se chegar ao governo, pretende revisar contratos vigentes do Estado como parte de um trabalho de realinhamento entre despesas e receitas, sem detalhar quais contratos ou que tipo de corte seria adotado.
Foto: Sabrina Schreiner./ Jornal A Redação.
Fim dos incentivos fiscais e revogação da reforma tributária
Sobre o encerramento gradual dos incentivos fiscais estaduais, previsto pela reforma tributária aprovada nos últimos anos, Morais citou sua experiência como secretário de Indústria e Comércio para defender a atração de empresas para Goiás. “Em um ano e oito meses que eu estava como secretário de Indústria e Comércio, nós conseguimos assinar protocolo para mais de 200 empresas virem para o Estado de Goiás, com investimento de mais de 50 bilhões [de reais] e geração de mais de 30 mil empregos”, afirmou.
O ponto central da proposta do candidato para o tema é, conforme detalhou, a revogação da reforma tributária em vigor — pauta que, segundo ele, já é discutida com Flávio Bolsonaro como uma das primeiras medidas de um eventual governo federal do PL. “A primeira ação dele é que a gente possa revogar essa reforma tributária. Porque o que foi aprovado, o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), que é o maior imposto do mundo, foi implantado agora por um governo com falta de responsabilidade, a toque de caixa. E agora nós vamos começar a pagar o preço”, declarou, afirmando já ter sido contrário ao modelo como senador.
Para justificar a proposta de revogação, Morais defendeu alíquotas mais baixas, citando modelos tributários adotados em países vizinhos. “Nós temos o IVA no Paraguai, lá é 10% para tudo. Por que nós não podemos baixar para 10% para todas as áreas? Aqui é 30%, e alguns produtos passam de 30% a 35%. Essas taxas ninguém suporta.” Segundo o candidato, a proposta não seria abandonar o modelo de imposto único sobre valor agregado em si — adotado em diversos países —, mas revisar as alíquotas definidas na versão brasileira.
O candidato alertou para o risco de perda de competitividade do Estado caso o modelo atual seja mantido sem ajustes, com possível deslocamento de empresas para estados consumidores, já que, pelas regras do novo sistema tributário, o imposto passa a ser cobrado no destino do consumo, e não mais na origem da produção. “Nós podemos ter uma desindustrialização, as empresas saírem daqui para ir para o estado consumidor, porque o imposto fica onde consome”, disse, defendendo que a discussão sobre uma nova reforma tributária só deveria ocorrer após a reversão do modelo atual, em articulação entre o governo estadual e a bancada federal de Goiás.

Segurança pública: mais efetivo do que tecnologia
Ao tratar de segurança pública, Morais reconheceu avanços recentes no Estado, mas fez questão de diferenciar sua proposta das políticas de investimento em tecnologia e monitoramento por câmeras defendidas por outros candidatos ao longo da semana de sabatinas. Para ele, sem policial em campo, o investimento tecnológico tem efeito limitado. “A segurança pública do Estado de Goiás melhorou nesses últimos anos, todos nós reconhecemos isso. Agora, tem muita coisa para ser feita ainda: hoje tem mais de 100 cidades que não têm um policial, que não têm uma viatura. Eu posso ter toda a tecnologia que eu quiser naquela cidade — a tecnologia vai prender alguém? Vai algemar alguém? Isso precisa do profissional lá naquele campo. A tecnologia ajuda, ela identifica, ela adianta o processo, mas ela não resolve o problema”, declarou.
O candidato defendeu a abertura de novos concursos públicos para repor o efetivo policial, citando a aposentadoria de parte significativa do quadro atual como fator de urgência, e propôs um modelo de concurso regionalizado, no qual os aprovados permaneceriam lotados na própria região de origem. “Eu não posso trazer todo o concurso para a capital, formar as pessoas aqui e depois distribuir lá para o Nordeste goiano. Isso gera um desconforto para as pessoas que vão trabalhar lá. Por que não pegar os profissionais daquela região para que eles possam ficar também naqueles lugares? É isso que nós vamos fazer, logo no edital”, explicou.
Combate ao feminicídio
Sobre o combate ao feminicídio, o candidato defendeu a ampliação da rede de proteção à mulher, citando a existência de apenas uma delegacia especializada em funcionamento 24 horas na capital e a paralisação da obra da Casa da Mulher Brasileira em Goiânia, que, segundo ele, está com cerca de 30% de execução. Morais também propôs mudanças no fluxo de atendimento a vítimas de violência doméstica, com acompanhamento mais próximo desde o primeiro registro de ocorrência.
Trajetória e apresentação ao eleitor
Ao se apresentar ao eleitor goiano, Morais recuperou a própria trajetória pessoal para se diferenciar dos demais candidatos. Nascido na cidade de Taquaral, no interior de Goiás, disse ser filho de um taxista e de uma costureira e relatou dificuldades financeiras da família na infância.
Formado em engenharia após concluir os estudos em escola pública, o candidato disse ter se tornado empresário antes de ingressar na vida pública, onde ocupou as secretarias de Infraestrutura e de Indústria e Comércio em governos estaduais distintos — o de Marconi Perillo e o de Ronaldo Caiado — antes de se eleger senador da República.
Segundo ele, a passagem pelas duas pastas e pelo Senado lhe deu conhecimento da malha viária do Estado e do funcionamento do orçamento federal, incluindo o direcionamento de recursos da União aos municípios goianos.
Vice na chapa
Wilder Morais terá como candidata a vice-governadora Ana Paula Rezende, filha de Iris Rezende Machado, ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia por quatro mandatos. Advogada e empresária, Ana Paula também preside o Instituto Iris Rezende Machado, sediado em Goiânia e voltado à oferta de diferentes atendimentos à população. A escolha reforça o vínculo da chapa com o legado político de um dos principais nomes da história política de Goiás
