Samuel Straioto
Goiânia – O senador Wilder Morais (PL), segundo colocado na disputa pelo governo de Goiás, afirmou em entrevista, na noite deste domingo (4), que fará oposição ao governador reeleito, Daniel Vilela (MDB), e cobrará o cumprimento das promessas de campanha. Com 99,55% dos votos totalizados, Wilder tem 21,98%, o equivalente a 794.464 votos. Ele tem mais quatro anos de mandato no Senado.
Wilder também criticou a influência de pesquisas eleitorais sobre o resultado, disse que o grupo político sai fortalecido e afirmou que fará campanha para Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
O senador avaliou a campanha de forma positiva e disse que o plano de governo apresentado deve ser considerado pelo governador eleito. “Fizemos uma campanha bonita, fizemos um plano de governo, e agora nós colocamos em pauta para o governador eleito, que eu cumprimento, o Daniel, para que ele possa resolver essas questões”, afirmou.
Entre os temas, Wilder citou saúde, segurança pública, feminicídio e educação. Ele agradeceu a Ana Paula Rezende, a quem chamou de parceira de campanha, e a quem colaborou com o plano de governo, a quem colou adesivos em carros e a quem levou a campanha aos 246 municípios do estado.
Críticas às pesquisas
Ao comentar o resultado, Wilder disse que a eleição faz parte da democracia, mas atribuiu a vitória de Daniel à estrutura do governo. “A democracia é isso: um perde, outro ganha. Ele ganhou, quer dizer, a máquina ganhou, como sempre”, disse.
O senador afirmou que as pesquisas o colocaram atrás em todo o período e que esses levantamentos influenciaram o ambiente da disputa. Ele não indicou institutos nem datas. “Não queremos justificar, mas a pesquisa atrapalha muito nesses casos, quando tem a máquina pública que vem usando essas pesquisas o tempo inteiro”, afirmou.
Segundo Wilder, os números divulgados não refletiram o que ocorreu nas urnas. “Até poucos dias atrás, em nenhum momento nós estávamos na frente. Nós sempre estivemos atrás. Isso é ruim para a democracia, é ruim para a questão das eleições. Até porque isso não demonstra a realidade do que as pesquisas estavam dizendo durante a campanha”, declarou.
Questionado sobre o que mudaria na campanha se pudesse reavaliá-la, ele respondeu que teria evitado as pesquisas. “Eu teria tirado as pesquisas que foram feitas o tempo inteiro. Isso influencia muito o momento da eleição”, disse. Ele afirmou que não mudaria nada por parte da campanha dele, que, segundo ele, trabalhou intensamente.
Oposição e cobranças a Daniel
Wilder afirmou que o grupo dele será oposição ao governo e que vai cobrar a entrega das propostas. “De agora para a frente, como sempre, nós somos oposição ao governo. Então nós queremos cobrar dele, e a gente deseja que ele tenha sucesso e que cumpra o que prometeu”, declarou.
Entre as cobranças, o senador citou a distribuição da riqueza do estado. “O que nós vamos cobrar é que essa riqueza que Goiás tem e esses números bonitos cheguem até a casa das pessoas, que possam chegar com a saúde, que possam gerar emprego e renda lá nas cidades”, afirmou.
Ele também disse que vai cobrar a industrialização do estado e a manutenção da carga tributária do agronegócio. “Nós vamos cobrar a questão da industrialização do estado de Goiás, para que não haja mais imposto e não venha a taxar o agro”, disse.
Grupo “fortalecido” e bolsonarismo
Questionado sobre o fato de Flávio Bolsonaro ter tido votação ampla em Goiás e por que a força bolsonarista não teria impulsionado mais a sua candidatura, Wilder respondeu que o grupo sai fortalecido. “Nós saímos fortalecidos também. Até o presente momento, temos quase 800 mil votos. Isso dá também uma força política muito grande, e nós continuamos como senador da República”, afirmou.
Ele disse ainda que o PL deve eleger quatro deputados federais e cinco estaduais, números parciais. Wilder também destacou o tom da campanha. “Fizemos uma campanha limpa, bonita, sem agressão”, declarou.
