Adriana Marinelli
Goiânia – Jornalista, escritor e colunista do jornal A Redação, Washington Novaes será sepultado na tarde desta quarta-feira (26/8) em Vargem Grande do Sul, em São Paulo, onde nasceu. A informação é de João Novaes, filho de Washington, que publicou vídeo em homenagem ao pai nas redes sociais.
"O legado desse gigantesco pai , comparável a beleza de um Ipê Amarelo florido que ele tanto ama fica conosco, em seus artigos , livros e documentários", disse. "Sua luta pelas causas ambientais continuará atraves de cada um de nós da família e da sociedade que foi tocada por suas palavras , coragem, ética e olhar depurado como documentarista", completou João.
Washington Novaes tinha 86 anos. Ele morreu em Aparecida de Goiânia, onde estava internado desde a última quinta-feira (20/8). Diagnosticado com um tumor no intestino há alguns meses, o jornalista foi submetido a um procedimento cirúrgico no mesmo dia da internação, mas teve complicações pós-cirúrgicas e não resistiu. Ele faleceu na noite de segunda-feira (24/8).
Legado
Além de jornalista com ampla bagagem e especialista em meio ambiente, Washington Novaes, que assinava até sua morte a coluna 'Ambientes Urbanos' no jornal A Redação, era bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo, turma de 1957.
Foi repórter, editor, diretor ou colunista em várias das principais publicações brasileiras: Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Última Hora, Correio da Manhã, Veja e Visão.
Na televisão, foi durante sete anos editor-chefe do Globo Repórter e editor do Jornal Nacional, da Rede Globo. Comentarista de telejornais das Redes Bandeirantes e Manchete, além do programa Globo Ecologia. No programa “Globo Repórter” dirigiu documentários como “Amazonas – a pátria da água” e “As crianças do reino do Porantim (roteiros de Thiago de Mello), “A doença dos remédios”, “O conto do vestibular” e “O caso Ângela Diniz”, entre outros.
Como produtor independente de televisão, dirigiu as séries “Xingu – a terra mágica”, “Kuarup”, “Pantanal” e “Xingu – a terra ameaçada”. Ganhou vários prêmios internacionais e nacionais de jornalismo e televisão, entre eles medalhas de ouro e prata em festivais mundiais de televisão em Nova York, Havana, Seul e Portugal, o Prêmio de Jornalismo Rei de Espanha, o prêmio do Festival Internacional de Cinema e Video Ambiental de Serra da Estrela (Portugal), o troféu Golfinho de Ouro e o Prêmio Esso Especial de Meio Ambiente. Ganhou também o Prêmio Unesco de Meio Ambiente 2004 e o Prêmio Prof. Azevedo Netto 2004, conferido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
Foi Secretário de Meio Ambiente Ciência e Tecnologia do Governo do Distrito Federal nos anos de 1991 e 1992.
Teve vários livros publicados, entre eles “Xingu” (Brasiliense), “A quem pertence a informação” (Vozes) , “A Terra pede água” (Sematec/BSB) e “A Década do Impasse” (Editora Estação Liberdade). Participou de vários livros com outros autores.
Foi consultor do “Primeiro Relatório Brasileiro para a Convenção da Diversidade Biológica”, dos “Relatórios sobre Desenvolvimento Humano” da ONU, de 1996 a 1998, sistematizador da “Agenda 21 Brasileira – Bases para a Discussão”.
Foi colunista dos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Popular” (de Goiânia, onde vive). Na TV Cultura de São Paulo foi consultor, supervisor e comentarista do programa “Repórter Eco”.