São Paulo – A Polícia Federal transferiu internamente, nesta segunda-fera (18/5), o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal.
Com isso, ele passa a ser submetido às regras do normativo interno da PF para a visita de advogados. Essas regras permitem duas visitas por dia por um período de meia hora.
Antes, ele estava alocado em uma sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua prisão. Vorcaro ficou no local para trabalhar na sua proposta de delação premiada com seus advogados e passava quase o dia inteiro reunido com eles.
Ainda nesta segunda-feira (18/5), a PF informou que alterou os protocolos de segurança, reforçou a proteção antidrones e adaptou o local para garantir a integridade física do banqueiro enquanto ele estiver no local.
“Registra-se que, apesar de as instalações desta unidade policial não terem sido projetadas para a custódia de presos por longos períodos, foram realizados ajustes para melhor adequar as respectivas dependências, além da alteração de protocolos e de medidas de segurança orgânica, como o reforço dos recursos antidrones”, informou a corporação.
Câmara dos deputados
O informe foi uma resposta a um requerimento protocolado pelo deputado Messias Donato (União Brasil-ES), solicitando que o Ministério da Justiça e a Polícia Federal adotassem “medidas extraordinárias de segurança visando garantir a integridade física” de Vorcaro.
A PF encaminhou o ofício ao gabinete do deputado esclarecendo que reforçou a segurança em cumprimento à uma decisão judicial do ministro André Mendonça, relator do processo do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
“O Sr. Daniel Bueno Vorcaro, ex-empresário e principal gestor e controlador do Banco Master, investigado no maior escândalo financeiro da história do Brasil, preso preventivamente desde a última quarta-feira, 04 de março, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero”, relembrou o deputado no requerimento da operação da PF que investigava a possível existência de um esquema de fraudes do banco estimadas em R$ 12 bilhões.
De volta ao presidídio
A PF já havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que Vorcaro fosse transferido de volta para um presídio, sob o argumento de que as condições dele na prisão na Superintendência alteravam e afetavam a rotina da administração.
O ministro ainda não proferiu uma decisão sobre essa mudança de endereço, mas autorizou a mudança de celas dentro da PF. Vorcaro está na Superintendência desde o dia 19 de março, quando começou a negociar sua delação premiada.
Como a defesa de Vorcaro já entregou sua proposta de colaboração, a PF decidiu aplicar a ele as regras usadas para todos os demais presos e colocá-lo em uma carceragem comum.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisam a proposta apresentada. Como mostrou o Estadão, a tendência é que essa proposta seja devolvida aos advogados com um pedido para complemento dos temas abordados.
Relembre
Vorcaro foi preso preventivamente pela primeira vez em novembro de 2025, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. A PF entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga. O banqueiro foi solto 12 dias depois.
Em março deste ano, o ministro André Mendonça, relator do caso, decidiu prender novamente Vorcaro. O ministro atendeu a um pedido da PF que o apontava como líder de uma organização criminosa voltada a vigiar e intimidar pessoas que contrariavam os interesses do Master. A defesa de Vorcaro nega todas as irregularidades, mas está negociando com o STF uma delação premiada.
O banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal em março. A mudança foi autorizada pelo STF para viabilizar negociações de delação premiada. (Agência Estado)
