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Volta aos passeios matinais

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05.06.2019 - 07:31:00
 
Passados já os tristes momentos de despedida da Julie, que foi embora de uma forma rápida e inesperada, talvez com menos sofrimento do que supomos, eis-me de novo caminhando nas manhãs, agora menos lentamente do que desejava. Babi, a nova companheira de pequenas e rápidas excursões pelas quadras vizinhas à que moro, no Setor Bueno, é mais afoita, quer seguir em frente com mais velocidade, vai me puxando pelas calçadas irregulares dessa região em Goiânia e que exigem atenção das pessoas que por ali transitam. Minha função, na caminhada matinal, é segui-la, segurando a coleira para que não se perca nesse passeio.
 
Não queria retomar esse papel, aparentemente simples, corriqueiro e descompromissado, mas acabei cedendo.
 
Despedidas são sempre despedidas, e nem sempre são como imaginamos.
 
Com a Cindy a sensação de perda foi maior, pelo tempo de convivência, pela constante demonstração de carinho e proximidade, pela preocupação em estar por perto sempre, e por ter exigido atenção de quem não era muito afeito a esse tipo de relacionamento. Chegou de mansinho, novinha, logo fez sua opção, lutou por seu espaço, que conquistou, e passamos a uma boa e intensa convivência a partir daí, durante 14 anos. Foram boas caminhadas, umas mais curtas e outras mais demoradas, ela sempre requerendo exclusividade, às vezes criando caso com pessoas que paravam para cumprimentar, conversar ou simplesmente fazer um carinho nela, uma poodle, que não passava desapercebida. Bonita, de pelo claro e dócil, dificilmente brigava e, em muitas ocasiões, sabia demonstrar apreço pelos amigos que ia conquistando a cada pequena excursão que fazíamos.
 
Julie, uma shitizu, representou outro momento. Já nos conhecíamos, não tínhamos maior envolvimento, pois morava em prédio vizinho, e gostava de vir para o nosso. Era da Laís, e veio morar conosco depois do acidente que vitimou a minha cunhada. De início, a difícil convivência com uma amiga mais velha, que se considerava dona do espaço e que não queria dividir atenções. O tempo se encarregou de apaziguar os ânimos, as refregas, e o quadro se acomodou, sem maiores desgastes. A inesperada partida de Cindy facilitou a ocupação do ambiente, das pessoas e do universo próximo, mantendo o ritmo normal das caminhadas matinais, algumas mais longas ou mais rápidas, mais demoradas ou não, o que dependia de quem encontrássemos no percurso. Chegou, inclusive, a ter um pretendente mais apressado, Tommy, bonitão, todo charmoso e elegante, mas o relacionamento ficava apenas nas brincadeiras que faziam, ambos com muito entusiasmo, alegria e boa convivência.
 
Acostumada a morar em casa, com mais espaço e mais liberdade em suas iniciativas, Babi, uma yorkshire, é mais apressada, atabalhoada e, mesmo assim, muita carinhosa, sempre demonstrando gratidão pela acolhida e retribui, às vezes até querendo entrar debaixo dos braços de quem estiver próximo. É feliz, e transmite sua alegria de viver a todos que a rodeiam, com maior ou menor intensidade, mas nunca deixando de chamar a atenção de quem se aproxima. Tem nove anos, e aparenta ser mais nova, como todos fazem questão de opinar, nesse mundo que só quem tem seu cãozinho sabe traduzir: todos se conhecem, conversam, contam histórias, dão gargalhadas, lamentam perdas, e poucos sabem o nome da pessoa com quem está dialogando, mas sabem o do cachorrinho ou da cachorrinha que acabou de conhecer ou já viu em uma ou muitas oportunidades. É tudo muito interessante.
 
Assim foi neste domingo, dia 2, em que o sol apareceu lá pelas 7h. O tempo estava fresco, gostoso. Eu, de calça comprida, camisa de manga longa e sapatos com meia, chamo a atenção do amigo de longas datas, também jornalista, Orfeu Maranhão que, de bermuda, mocassim sem meias e camisa de manga curta, indaga se vou à missa, pela vestimenta mais séria do que a dele. Expliquei que não, que não tenho o costume de andar de bermuda e nem de camisa de manga curta, só em ocasiões e locais especiais, como quando vou à praia ou à academia, e gargalhamos pela observação oportuna.
 
Despedimo-nos, e ele se dirige ao barzinho/confeitaria próxima, onde vai pedir um café com leite e pão com mortadela, ou opção parecida, o que faz periodicamente. Como também não tenho esse hábito, subi para comer em casa uma salada de frutas e tomar leite com granola e chocolate, uma opção mais convencional.
 
       
*Jales Naves é jornalista e escritor   
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por Jales Naves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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