Logo

Você é realmente empático ou está em busca de marketing?

WhatsAppFacebookLinkedInX
07.04.2021 - 07:35:00
 
Certa vez vi uma frase de Carl Rogers que dizia: "ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele".
 
Forte né? Quantas vezes você realmente esteve no mundo do outro? Quantas vezes você realmente se colocou no lugar do outro? Quantas vezes você sentiu a dor ou a alegria do outro?
 
Muita gente fala, num momento de turbulência, que se coloca no lugar do outro para poder ajudar. Mas te digo que a maioria das pessoas que dizem isso, apenas o fazem para "cumprir protocolo". Isso mesmo! Querem ser simpáticas, agradar a maioria, e por isso "se colocam" no lugar do outro, sem nem saber direito quem o outro é.
 
Ter empatia é para poucos. Muita gente se dispõe a ajudar o próximo em troca de likes nas redes sociais, em troca de aumento no número de seguidores ou até mesmo para criar uma nova lista de possíveis clientes. Quantas empresas fazem ações para ajudar o próximo, mas em troca querem ser vistas nas redes sociais? Uma troca justa ou puro marketing?
 
Quem realmente quer ajudar, e ajuda, normalmente não gosta muito de aparecer. Só vem a público quando precisa pedir apoio para continuar ajudando. Mas no bem lá no fundo, quem realmente faz o bem sem olhar a quem, o ano todo, todo ano, normalmente não gosta de se expor. 
 
As pessoas que fazem o bem sem aparecer na mídia o fazem porque antes mesmo que a ajude chegue ao próximo, ela (a pessoa que ajuda) está se sentindo útil e feliz em fazer tudo isso.
 
Para ajudar alguém não é necessário dinheiro sobrando ou um espaço legal para montar um projeto. Para ajudar alguém basta apenas boa vontade e disposição. 
 
Claro que os bens materiais são importantes. Precisamos nos alimentar para ficarmos vivos e saudáveis. Mas não é só o corpo que carece de ajuda. Às vezes a alma é a que mais precisa de auxílio. Uma palavra amiga, um ombro amigo, saber ouvir. Isso pode fazer a diferença na vida de alguém.
 
Você já tentou, por exemplo, dizer bom dia para um desconhecido, aqueles invisíveis na sociedade como moradores de rua, garis, porteiros e mais um tanto de gente? Aquelas pessoas com as quais se cruza diariamente e "não se vê" por puro preconceito, ignorância ou simplesmente por achar que de alguma forma é superior a elas.
 
Somos feitos da mesma matéria. Todos nascemos e todos morreremos. Esse abismo entre as pessoas é criado por nós mesmos. Nós nos afastamos, nos aproximamos. Alguns por amor, muitos por puro interesse.
 
Então, ao invés de querer impor o "nosso mundo" ao outro, que tal nos colocarmos, pelo menos por um período de tempo, no mundo do outro? Que tal realmente sermos empáticos? 
 
Antes de querer expor a ajuda na rede social, ajude realmente. Quando a humanidade entender que amor é mais importante que likes e seguidores numa rede social, ele vai começar a entender o real sentido da palavra humanidade.
 
*Fabrício Santana é jornalista
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Fabrício Santana

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]