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Banda Hateen (Foto: divulgação)

Vocalista da Hateen destaca interesse da nova geração pelo rock: “A galera voltou a querer ter banda”

Banda pioneira do emocore nacional se apresenta em Goiânia neste sábado (18/4)

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16.04.2026 - 11:13:55

José Abrão

Goiânia – Com 32 anos de carreira, a banda Hateen se consolidou como pioneira do hardocre melódico no Brasil, também chamado de emocore, gênero que explodiu no começo dos anos 2000 com eles e outros nomes como Dance of Days, Fresno, CPM 22 e NX Zero. O estilo tem passado por uma fase de renascimento, renovação e redescoberta com agenda de shows cheia e novos fãs.

Neste contexto, a banda Hateen é a atração principal da Emo Night Festival, festa temática que ocorre neste sábado (18/4) em Goiânia no De Leon Music Pub, no Setor Sul. “Acho que tem algumas coisas acontecendo que ajudam isso. Uma das mais importantes é o revival do rock em geral. Eu sinto que no mundo está tendo uma revitalizada no cenário do rock que há algum tempo não acontecia. E isso dá uma puxada no som de guitarra. O moleque está procurando mais esse tipo de música. Muita gente está aprendendo instrumento, querendo fazer música. A galera voltou a querer ter banda”, avalia Rodrigo Koala, vocalista e guitarrista da Hateen e um dos compositores mais conhecidos da cena.

Ao seu ver, conforme destacou em entrevista à reportagem do jornal A Redação, o emo acabou surfando na onda primeiro por ter sido o último estilo a fazer barulho. “É a última geração, uma galera que tinha 15, 16 anos e hoje está na faixa dos 30, 35. Tem dinheiro para ir ao show, para comprar merchandise e realizar todas as vontades que talvez não tinha na época em que o negócio estava rolando. Isso é muito legal”, pontua.

E acabou que nessa nova fase, o Hateen e a Dance of Days viraram algo como santos patronos do movimento, não apenas porque foram pioneiros, mas porque permanecem em atividade tantos anos depois. “Tem essa questão da persistência, né? Por estar há tanto tempo fazendo a mesma coisa e ligado ao movimento. A gente está desde 94, a Dance deve ser 95, por aí. Esse tempo todo dá uma bagagem, aquela famosa frase de que você fez a estrada para os outros passarem (risos). Mas quando a gente começou, não tinha nem intenção do que poderia se tornar”, relembra.

“A gente era apenas um bando de moleque que foi indo fazer música. Como hoje, acho que tem várias bandas se formando com esse mesmo intuito. E espero que seja assim, sem a vontade de fazer sucesso ou aparecer. Que seja pela simples vontade de se divertir com os amigos, que é o mais legal”, completa.

Preconceito

Testemunhar a volta da popularidade do emo pode parecer estranho para quem viveu a época, já que as bandas muitas vezes eram alvo de ridicularização e piadas homofóbicas por parte de fãs de outros gêneros do rock, como entre os metaleiros. Koala avalia que o meio do rock passou por uma renovação nas últimas duas décadas, com uma galera com a mente mais aberta.

“Ficou pejorativo por causa de um viés mais machista que a gente sempre teve por aqui. O emo chegou com esse rótulo mais afeminado, o que deu uma deturpada. O rock sempre foi muito preconceituoso, muito machista. Muita gente também não tem, às vezes, a maturidade para entender um tipo de música em uma determinada fase da vida. Já ouvi gente me falar: ‘há quinze anos eu não gostava de vocês porque estava preocupado em entender outro tipo de música. Hoje eu gosto porque consigo entender a letra.’ Tem muito disso…Você estar na hora certa, no lugar certo, conectado com aquela música. Se não, não vai fazer sentido. Se ela não te capturou naquele momento, ela vai te sequestrar em outro”, relata.

E a renovação está por todo lado: Koala conta que há muitos fãs jovens e adolescentes nos shows, não só da Hateen, mas de outras bandas veteranas do hardcore nacional, como a Dead Fish. Além disso, novas bandas têm pipocado por toda parte, como a Budang e a Chão de Taco, que chamaram sua atenção. “Muitas bandas novas também estão trazendo uma galera mais nova para a cena. Quando me pedem conselho eu fico muito sem jeito de falar, porque nem sei direito como fiz as coisas para chegar até aqui. Acho que a persistência é importante — persistir e se divertir com o que você está fazendo. Eu sempre falo para os caras: vai se divertindo e vai fazendo o melhor que pode. Lá na frente você vai ter realizado coisas que não vai entender por quê, mas só de você ter continuado e feito, vai chegar esse momento”, aconselha.

Planos

Além disso, 2026 é um ano marcante para a banda. Se completam 10 anos desde o último disco, Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui, e 20 do álbum mais popular, Procedimentos de Emergência. “O pessoal está enchendo o saco querendo muito uma mini turnê de vinte anos do Procedimentos de Emergência. E a gente está terminando o disco novo também, no final de maio a gente começa a gravar aqui em São Paulo “, conta Koala. O novo álbum ainda não tem nome e deve ser lançado depois da Copa, no segundo semestre.

“Fazer a turnê do disco novo é prioridade, mas nesse meio tempo a gente vai tentar encaixar essas turnezinhas para comemorar esses álbuns [aniversariantes]. Não vai ser uma grande turnê, mas a gente vai fazer alguma coisa, com certeza”, promete.

“A gente sempre fala que o disco novo é o que a gente mais gosta, porque ele traz aquele frescor, as ideias novas da banda. Faz dez anos que a gente não grava um disco e em dez anos muda muito o direcionamento de som, a banda fica mais madura. Eu acho que a gente cada vez oferece um material diferente. Estou muito feliz com o que está chegando de material novo”, garante.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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