Sarah Mohn
Goiânia – Aos 35 anos de idade, ele já coleciona em seu currículo votações expressivas para os parlamentos municipal e estadual em Goiás. Em 2012, chegou a ser o vereador mais votado para a Câmara de Goiânia. Em 2014, foi eleito deputado estadual pelo recém criado, à época, PSD.
Autor da maioria dos projetos de lei na Assembleia Legislativa voltados para Goiânia, Virmondes Cruvinel se diz disposto a enfrentar o embate para viabilizar sua pré-candidatura a prefeito da capital e ataca a atual gestão: “Faltou criatividade. Por essa e outras razões eu vejo que pensar em trazer novamente Iris Rezende (PMDB) ou alguém indicado pelo Paulo Garcia (PT) acaba sendo um retrocesso”.
Graduado em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), professor universitário e procurador licenciado do Estado, Virmondes carrega na veia sangue político. É filho da ex-deputada estadual Maria Roselene Deusdará Cruvinel e do ex-deputado estadual e federal e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), Virmondes Borges Cruvinel.
Em entrevista ao jornal A Redação, Virmondes diz que o PSD não deve abrir mão da cabeça de chapa majoritária. “O PSD hoje não está na margem de ser coadjuvante.” Diz também que apostará nas ferramentas de internet para vencer uma eleição para a prefeitura. “Hoje, não podemos falar em comunicação sem falar em redes sociais. Esse é o grande diferencial de administração daqui para frente: ampliar os canais de comunicação, com aplicativos, com interatividade maior de respostas”, afirma.
Confira a entrevista na íntegra:
Jornal A Redação: Na visita do ministro Gilberto Kassab a Goiânia, o nome do senhor e do deputado Francisco Junior foram colocados como pré-candidatos. Por que o interesse em ser candidato?
Virmondes Cruvinel: Apresentamos o nosso nome como pré-candidato a prefeito de Goiânia por acreditar que a cidade em que eu nasci, em que tenho família, amigos e que conheço de perto, passa por problemas que não foram resolvidos por falta de criatividade ou até de pulso, de compartilhar a responsabilidade de gestão. Eu acredito que posso contribuir muito com isso. Hoje, o grande tom que prevalece é o do diálogo e das parcerias. O PSD, com a Secretaria de Cidades aliada a um plano estadual e também ao Ministério de Cidades, além de projetos, pesquisadores, pessoas capacitadas que podem ajudar na gestão da cidade, nós temos conhecimento e queremos compartilhar mais, ouvindo todas as regiões de Goiânia, todos os segmentos da sociedade civil, totalmente ao contrário do que a atual administração faz.

(Foto: A Redação)
AR: O PSD está aberto à composição com a base?
O que foi definido é teremos candidatura própria, mas respeitando todas as candidaturas da base aliada do governador Marconi Perillo. Ele é um grande parceiro e grande incentivador do PSD. Nós respeitamos qualquer candidatura. Mas pretendemos caminhar, dar mostras internas de unidade e chegar ao fim de fevereiro com amadurecimento na escolha do nome. Eu vou trabalhar para ser o meu, mas com respeito aos líderes do partido. Não existe uma candidatura individual. Eu serei candidato se tiver o apoio do Francisco Júnior, do Thiago Peixoto, do Vilmar Rocha e dos demais representantes da base do nosso partido aqui em Goiânia.
AR: O senhor concordaria em ser candidato a vice-prefeito?
Vice não. O PSD hoje não está na margem de ser coadjuvante. Teve essa oportunidade e esse desprendimento na eleição passada, quando nós ajudamos o PTB e projeto da base aliada. Agora, nós entendemos que o partido está capacitado, conhece a cidade, tem capilaridade eleitoral e sabe que pode elevar o tom do debate com qualidade, alto nível e com propostas.
AR: Sua base em Goiânia é forte e sempre lhe deu votações expressivas tanto para o cargo de vereador, quanto para o de deputado estadual. Por isso o desejo de disputar a prefeitura?
Na eleição de vereador eu fui o mais votado, em 2012. E nessa ultima eleição, para deputado, eu fui o terceiro mais votado da base e o primeiro mais votado estadual do PSD. Entre os federais e estaduais do partido, eu fui o mais votado em Goiânia.
AR: Seus projetos são voltados para a capital?
A atuação do mandato ficou dividida entre região metropolitana e região do Oeste goiano, onde eu fiquei representante de algumas cidades, como a Cidade de Goiás, Jussara e Piranhas. A região metropolitana é muito interessante e eu dediquei esse trabalho regional a um conjunto de projetos ligados à questão de mobilidade, do combate à dengue e outros temas que compartilhamos até mesmo com vereadores de cidades vizinhas de Goiânia.
AR: Quais os projetos o senhor destaca?
O primeiro é o de incentivar que projetos de iniciativa popular tramitem com prioridade na Casa. Eu acredito toda a manifestação de rua que tem havido é uma foram de ouvir a voz das ruas. Esse projeto hoje está em tramitação na CCJ da Assembleia Legislativa. Eu também cito o Estatuto da Microempresa, estamos fazendo toda uma articulação com o segmento, com entidades de classes e secretarias afins. A discussão sobre novas alternativas de mobilidade urbana têm sido pauta do mandato. Nós apresentamos cerca de cinco projetos ligados à questão da mobilidade urbana incentivando o uso da bicicleta. O foco na questão da dengue, procuramos incentivar a discussão sobre conscientização. A gente observa que várias cidades do interior ainda não se preocupam com locais abandonados e que se tornam focos de dengue.

(Foto: A Redação)
AR: Há expectativa de ser aprovado o projeto que cria ciclovias nas estradas?
Está caminhando esse e o do esporte em âmbito estadual. Consolidamos essa ideia aqui em Goiânia, com o apoio do governador. A ideia inicial do projeto foi que espaços públicos pudessem ser aproveitados preservando as características de cada local. Por exemplo, o autódromo com o uso o skate, o Centro Cultural Oscar Niemeyer com patins associados ao aeromodelismo, e as bicicletas ficando mais nos centros urbanos. Não é uma ideia de uma pessoa, é uma ideia de uma ação que vai ser boa para a cidade e agora em âmbito estadual.
AR: Muito se ouve que a atual gestão da prefeitura de Goiânia é a pior da história da cidade. Como o senhor a avalia?
Eu acredito que é uma administração que não soube ouvir a sociedade. Não ouviu os segmentos sociais, não ouviu a Câmara Municipal em debates de projetos de importância para a cidade e também a sociedade civil se viu isolada. Não existiu um debate com as redes sociais, que poderia ser um meio muito interessante e interativo por parte do poder público. Faltou criatividade. Por essa e outras razões eu vejo que pensar em trazer novamente Iris Rezende ou alguém indicado pelo Paulo Garcia acaba sendo um retrocesso, porque perde a possibilidade de forças criativas da cidade de serem estimuladas. Eu vejo que a atual administração está distanciada da sociedade.
AR: O senhor é ligado a questões de mobilidade urbana e sustentabilidade. Acredita que Goiânia é uma cidade sustentável?
Tem muito a ser feito nesse sentido. Algumas ações foram feitas, mas são muito primárias. A preocupação com essa questão ambiental ficou muito em discurso. Não há preocupação com nascentes, com planejamento urbano de forma ordenada, que respeite a parte ambiental. Tudo isso foi feito de forma muito atropelada.
AR: É tida como certa a candidatura de Iris Rezende à prefeitura. O PSD está preparado para enfrentá-lo?
Claro. Pelo que eu ando ouvindo em segmentos, reuniões em bairros e movimentos sociais, as pessoas estão cansadas dessa mesma permanência de equívocos. O Iris foi avalista do Paulo Garcia e avalista de problemas que surgiram nessa administração que ficou distanciada da população de Goiânia. O tempo curto pode trazer o favoritismo, mas a partir do momento em que se conhece e conversa a respeito, se percebe que a administração de outras capitais está sendo feita de forma qualitativa. Nos pautamos em exemplos concretos de gestores que não tinham experiência, mas mostraram resultados com uma equipe eficiente e com uma gestão de resultados aliada à tecnologia. É esse tipo de exemplo que tem deixado a marca do PMDB para trás.
AR: O senhor foi o primeiro político goiano a criar o gabinete digital. Aposta nas ferramentas de internet para vencer uma eleição majoritária?
Hoje, não podemos falar em comunicação, de todas as formas, nas ruas, nos bairros, nas entidades, sem falar em redes sociais. Nós criamos, na época de vereador, um gabinete digital no Facebook. Fomos pioneiros, mas hoje vários vereadores do interior também aplicam essa ideia. Eu uso o WhatsApp para receber demanda de pedidos, alguns órgãos públicos já fazem isso. Esse é o grande diferencial de administração daqui para frente: ampliar os canais de comunicação, com aplicativos, com interatividade maior de respostas. Também é importante ter um espaço para críticas, porque a administração melhora com críticas, não é só com elogios.
AR: Caso se confirme sua candidatura, qual será o mote de sua campanha?
Primeiro, deixar de ficar no papel o projeto de descentralização da administração. Nós já temos a lei aprovada, então isso precisa ser expandido. Uma das primeiras ações que estamos fazendo é visitar alguns órgãos que já fazem essa descentralização. Outro grande desafio é o foco no combate à marginalidade na cidade. Também abrir esse canal de dialogo direto com a população. Acima de tudo buscar que serviços públicos sejam realmente executados, essa é a bandeira que a gente vai buscar. E, para isso, vamos usar ferramentas tecnológicas e profissionais capacitados. Queremos incentivar a trazer talentos para a administração, seja em forma de parcerias, de prêmios, de trabalhos, de publicações. Dessa forma queremos dar o tom para o mandato ser feito da melhor forma.