José Abrão
Goiânia – Disco novo, vida nova: a banda goiana Violins vai celebrar 25 anos de estrada e o lançamento do seu décimo disco, Aguacêro, no palco do Centro Cultural do Martim Cererê, templo da música independente de Goiânia, no Setor Sul. A apresentação fecha a nova edição do Cidade Rock, com entrada praticamente gratuita (1 kg de alimento não perecível), neste sábado (12/9). E, além de veteranos, também vai ter espaço para o novo: logo antes do Violins, sobe ao palco a cantora e compositora Brunê, goiana que tem chamado a atenção com sua voz e músicas autorais que navegam pelo rock e pelo folk.
Sobre o novo trabalho da Violins, o vocalista Beto Cupertino conta que o processo de composição foi diferente. “A gente nunca tinha feito o que a gente fez nesse disco, que foi, antes de começar a selecionar o repertório do disco, a gente se reuniu, trocou ideia sobre que tipo de música a gente estava pensando em gravar, que tipo de concepção de música mesmo que a gente queria abordar nesse disco”, relata.
Desse processo, emergiu naturalmente a temática do álbum, com diversas músicas que trazem a água como metáfora. “Depois de muitas músicas estarem prontas é que eu percebi que havia essa temática da água como uma metáfora ali em comum em várias letras e daí que surgiu a ideia de chamar, colocar o nome do disco fazendo uma referência à água, porque a ideia da água está ali como um elemento que, ao mesmo tempo que dá vida, também destrói”, comenta.
Tematicamente, o álbum se afasta do disco anterior, A Era do Vacilo, de 2019, mais agressivo e politicamente carregado. “Aquele disco veio de uma insatisfação da situação política do país naquela época, com um governo abertamente contra a cultura e coisas que a gente se identifica, o surgimento de uma figura completamente absurda para governar o país. Esse novo disco tem uma temática mais existencial, não necessariamente política”, pontua.
Para o show deste sábado, Beto conta que o novo álbum será tocado na íntegra e, depois, tocarão outras canções marcantes da carreira da banda. O músico afirmou ter sempre grandes expectativas para esse formato de festival por ter a oportunidade de tocar para um público que talvez não conheça a Violins: “Vamos tocar junto com alguns artistas novos que são excelentes. Eu vi o show da Brunê no Noise e é excelente. Sem dúvida, tem a chance de quem conhece ela talvez não conheça a Violins por ser uma banda mais antiga”.
Brunê e seu novo som
Nem só de rock pesado vive o Cidade Rock: Brunê sobe ao palco logo antes da Violins com um estilo de música bem diferente, que transita entre o rock, o folk e até pela MPB. Recentemente, a artista teve a chance de tocar nos festivais Vaca Amarela e no Goiânia Noise, onde também estreou ao vivo seu trabalho mais recente, a música “Eu tenho medo”, e outras inéditas.
Na ativa desde 2017, o ‘boom’ só veio em 2025, com o sucesso das canções “Guria” e “Malmequer”. “O Noise foi um grande palco pra mim. É engraçado porque eu acho que eu consegui tocar mais fora de Goiânia até agora, então a gente estava sonhando com esse momento de poder tocar num palco grande aqui”, relata. Na apresentação, a artista trouxe canções inéditas e foi surpreendida por fãs que já sabiam cantar as músicas mais antigas.
Sobre “abrir” para a Violins neste sábado, a cantora conta que é fã de longa data da banda e que ficou honrada pelo convite e ao descobrir, depois, que eles haviam assistido ao seu show no Noise. “Eu gosto muito do som do Violins, já fui em show, e a nossa sonoridade é bem diferente, vai ser uma troca de público interessante, eles têm um público já mais fidelizado e eu tenho um público mais jovem”, comenta.
Falando sobre seu som, Brunê brinca que é difícil de se definir e que até achou engraçado ser colocada com destaque no Cidade Rock: “Vocês me colocam lá e a galera vai chegar e falar ‘o que essa menina tá tocando?’ (risos)”. Tentando definir seu som, a artista conta que sua inspiração e processo de composição passam pelo folk, como Bob Dylan e Joni Mitchell, mas que também é abrasileirado e que no palco vira outra coisa.
“Acho que isso tem seu valor no sentido de que eu gosto do fato de não parecer nada específico, porque aí meio que fica assim: é meu som, eu achei uma coisa minha”, afirma. Nesse momento, a artista está concluindo seu disco de estreia, que terá oito canções e será lançado depois do carnaval de 2027. “Tá bem amarradinho, as músicas estão prontas, os clipes estão gravados. A gente quer lançar o clipe e o single antes e eu já estou montando uma agendinha para rodar agora, porque percebi que meu som funciona melhor no palco que na internet”, planeja.
