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Marconi Perillo, Daniel Vilela e Wilder Morais são pré-candidatos ao governo de Goiás (Fotos: reprodução)

Vaga de vice se torna estratégia nas principais pré-candidaturas ao governo de Goiás

Partidos deixam a definição para mais perto das convenções, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto

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12.03.2026 - 07:30:04

Samuel Straioto

Goiânia – As principais pré-candidaturas ao governo de Goiás ainda não têm vice definido. Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e o PT, que ainda não tem nem o nome para o topo da chapa, tratam a vaga como um dos últimos trunfos disponíveis para articular alianças, ampliar alcance eleitoral e acomodar forças políticas à medida que o tabuleiro se estabiliza. A exceção é o PL, único campo a fechar a composição majoritária: o senador Wilder Morais já tem ao seu lado Ana Paula Rezende, filha do ex-governador Iris Rezende, como pré-candidata a vice.

Com as convenções partidárias marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, a leitura que predomina nos bastidores é a de que anunciar vice cedo significa perder margem de manobra. A vaga vale mais enquanto está em aberto — serve para sinalizar intenções a aliados, abrir portas para negociações e, dependendo do campo, aguardar o desgaste alheio. Quem define antes entrega um ativo antes do momento de maior pressão política.

O governador Ronaldo Caiado foi direto ao ser questionado sobre o perfil do futuro companheiro de chapa de Daniel. “O Daniel Vilela saberá, no momento certo, sinalizar quem deverá ser aquele que vai complementar aquilo que ele representa. Até chegar ao mês de julho, que é o mês da convenção, ele vai saber identificar qual é realmente a pessoa que acrescentará mais ao projeto de governo”, afirmou.

Vice de Daniel Vilela é uma das vagas mais disputadas nos bastidores. (Foto: Jota Eurípedes)

Distintos critérios

A chegada do PL à disputa majoritária com uma chapa de densidade eleitoral forçou o grupo de Daniel Vilela a revisar os critérios para a escolha do vice. Até recentemente, fidelidade ao governador e ausência de projeto político próprio para 2030 eram os principais requisitos para a vaga. Com Wilder Morais na disputa, a prioridade passou a ser outra: encontrar um nome capaz de ampliar o alcance eleitoral da chapa — junto ao agronegócio, ao segmento evangélico ou na Região Metropolitana.

Daniel Vilela reconhece a complexidade da equação. “A gente entende que é uma conjuntura que exige um pouco mais de tempo, uma proximidade maior das convenções para que a gente tome essa decisão”, disse. Ele reforçou que as conversas ocorrem com os presidentes dos partidos da base, com o objetivo de montar uma composição que represente a amplitude do grupo político liderado por Caiado.

Ao menos cinco nomes circulam com consistência. Gustavo Mendanha (PSD), ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, é um deles. Após o grupo governista definir candidaturas avulsas ao Senado, incluindo Vanderlan Cardoso (PSD), Gracinha Caiado (União Brasil) e Zacharias Calil (MDB).

Perfis

Gustavo Mendanha desistiu da disputa pela vaga na casa legislativa e passou a reivindicar a vice. Em suas conversas com a cúpula do governo, ele aponta a aprovação como gestor em Aparecida, a boa aceitação na Região Metropolitana e o perfil evangélico e conservador como fatores que agregariam votos à chapa. Na cúpula do governo, porém, a informação é de que não houve qualquer compromisso formal com Mendanha pela vaga.

O presidente da Faeg, José Mário Schreiner (MDB), ganhou força nas conversas internas após a revisão de critérios. É visto como um perfil que fala a língua do setor produtivo, reduz o espaço para que o tema do agronegócio fique concentrado na oposição no interior e equilibra com experiência o perfil mais jovem de Daniel, que tem 42 anos. Embora Caiado continue sendo referência nesse meio, a presença de Schreiner na chapa reforçaria a capilaridade governista no interior do Estado.

O ex-senador Luiz Carlos do Carmo (Podemos), irmão do bispo Oídes do Carmo, da Assembleia de Deus Ministério Madureira, segue no radar pelo trânsito político e pela relação construída ao longo dos anos com lideranças evangélicas — segmento em que a candidatura de Wilder Morais é especialmente forte. Neste momento, aparece um passo atrás na conta que vem sendo feita internamente.

O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima (União Brasil), era o nome mais cotado sob o critério anterior. Com a mudança de prioridade para densidade eleitoral, outros perfis passaram a ser priorizados na avaliação interna. A previsão é de que ele deixe o cargo ainda em março, à espera da definição da chapa — o mesmo vale para Mendanha, que também deve se desligar da CelgPar no mesmo período.

O ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale (União Brasil), bem avaliado como gestor na principal cidade do agronegócio do Estado, completa o grupo dos cotados. Há ainda especulações sobre representantes do Entorno do Distrito Federal.

Cautela

Em público, Daniel mantém o discurso de que só discute composição nas convenções, mas o assunto passou a aparecer com mais frequência nas reuniões da base após os movimentos mais recentes da pré-campanha.

Marconi segura o jogo

Marconi Perillo (PSDB) também deixa vice e Senado para perto das convenções, mas sua estratégia tem uma camada a mais: ele aposta que o desgaste interno na base governista abrirá portas. A percepção no entorno tucano é de que há mais interessados do que vagas na majoritária governista, e que a disputa interna tende a apertar. Perillo quer estar posicionado para receber quem ficar sem espaço.

“A campanha deste ano foi muito antecipada, tanto nacionalmente quanto em Goiás. E o certo é que a gente discuta sobre essa questão de chapas até a convenção. Não é momento para se precipitar, resolver as coisas atabalhoadamente”, disse. E foi além: “Vou continuar conversando com várias forças, inclusive que estão descontentes com o governo.

Vou conversar também com pessoas que não estão no meu campo ainda, mas que poderão vir a estar.” O ex-governador ainda deixou um recado para quem se antecipa: “Muita gente está se precipitando e às vezes pode até perder com isso.”

O deputado estadual Gustavo Sebba, um dos principais articuladores tucanos na Alego, confirma que a estratégia é deliberada e tem raízes no histórico de Perillo. “Ele tem se articulado, buscado nomes, mas isso só vai acontecer no último momento. Ele nunca anunciou com meses antes do prazo. É uma estratégia nossa”, afirmou.

Na leitura da base tucana, a experiência do ex-governador — o mais experiente entre os pré-candidatos ao Palácio das Esmeraldas — é justamente o que permite conduzir o processo com mais calma. Sebba ressalta que Perillo tem percorrido o Estado, reforçado alianças locais e crescido nas pesquisas, mesmo sem agenda de anúncios.

Marconi tenta articular para aglutinação de eventuais dissidentes da base governista. Foto: Divulgação/Assessoria PSDB)

PT: antes do vice, o candidato

O PT está em situação distinta de todos os outros campos: antes de discutir vice, o partido precisa definir quem encabeça a chapa. A presidente estadual da sigla, a deputada federal Adriana Accorsi, reafirmou que o partido terá candidatura própria ao governo e adiantou que uma reunião da executiva com os partidos da frente progressista — que inclui PCdoB e PV, e pode contar ainda com o PSOL — foi convocada para resolver o nome. O ponto tratado como inegociável é garantir palanque para o presidente Lula em Goiás, o que, na prática, descarta qualquer composição fora desse alinhamento e encerra conversas que surgiram nas últimas semanas fora desse eixo.

Internamente, os critérios para a escolha do candidato passam por dois filtros que pesam de verdade: capacidade de votos e viabilidade de campanha nas ruas. A federação com o PSOL é considerada viável; se não se concretizar nacionalmente, a parceria local segue como possibilidade na montagem da majoritária. A discussão sobre vice, nesse contexto, está no horizonte — mas ainda longe do centro da pauta.

O PL antecipou definição, e o que isso muda?

A definição antecipada do PL não é apenas organizacional — é uma pressão sobre os demais campos. Ao fechar a chapa com Ana Paula Rezende, Wilder Morais entrou na disputa com um aceno explícito ao eleitorado ligado ao legado de Iris Rezende, historicamente associado ao MDB e às classes populares.

O movimento obrigou o grupo de Daniel Vilela a rever o perfil do vice, com atenção redobrada a segmentos como o evangélico e o agronegócio, onde a candidatura do PL tende a competir com força. Para Marconi Perillo, a consolidação do campo bolsonarista como polo alternativo também é bem-vinda: quanto mais definido esse espaço, mais o tucano pode se apresentar como opção de centro para eleitores que não se identificam nem com o grupo de Caiado nem com a direita radical.

Ana Paula Rezende e Wilder Morais (Foto: João Unes)

Os próximos passos

O primeiro grande movimento do calendário eleitoral está marcado para o dia 14 de março, em Jaraguá. A base liderada por Caiado e Daniel Vilela realiza o primeiro ato político organizado de 2026, com ampla presença esperada de prefeitos, deputados e lideranças aliadas. O encontro consolida publicamente as pré-candidaturas de Daniel ao governo e de Gracinha Caiado ao Senado e serve para alinhar discurso, reforçar compromissos entre partidos aliados e organizar a estratégia regional para os meses seguintes.

Do lado do PT, a reunião da executiva com os partidos da frente progressista deve ocorrer nos próximos dias e tem na pauta a definição do nome para encabeçar a chapa. Marconi Perillo, por sua vez, segue rodando o Estado e ampliando presença nas bases sem prazo para anunciar composição. As convenções ficam para julho e agosto — e, até lá, a vaga de vice deve permanecer como moeda viva nas negociações do tabuleiro eleitoral de Goiás.

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por Samuel Straioto

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