Carla Lacerda
Goiânia – Pessoas fora dos grupos prioritários elencados pelo Ministério da Saúde e os respectivos aplicadores de vacinas contra covid-19 podem ser penalizados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) em caso de flagrante da situação irregular ou comprovação de denúncia. É o que afirmam o superintendente em Vigilância em Saúde de Goiânia, Yves Mauro, e o titular da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Ismael Alexandrino.
De acordo com a resolução nº 14/2021 da Comissão Intergestores Bipartite (CIB), aprovada no último dia 18 de março, e também com nota da SES encaminhada ao jornal A Redação nesta terça-feira (18/5), as doses que se enquadram como excedentes, popularmente chamadas de “xepa”, devem ser aplicadas nas pessoas pertencentes aos grupos de risco da atual fase de vacinação.
No caso de Goiânia, segundo o superintendente em Vigilância em Saúde, os imunobiológicos remanescentes são direcionados, no momento, às pessoas com comorbidades. Cerca de 50 mil delas, de uma estimativa total para o município de 120 mil, foram imunizadas. “O número desse grupo, na verdade, é menor, porque muitas são idosas e, portanto, já foram beneficiadas”, explica Yves Mauro.
Ainda segundo o superintendente, o entendimento da Prefeitura de Goiânia é de que, após os frascos terem sido abertos e para evitar o desperdício, no caso de sobras, as doses devem ser encaminhadas aos grupos priorizados pelo Plano Nacional de Imunização (PNI).
“Já há uma discussão no gabinete da Secretaria Municipal de Saúde para definir qual a próxima categoria que poderá ser contemplada com remanescentes depois das pessoas com comorbidades. A procura baixa é um dos indicativos de aquele grupo está quase totalmente vacinado”, complementa Yves Moura.
Atualmente, Goiânia conta com 20 pontos para imunização contra a covid-19: a Área I da Pontifícia Universidade Católica de Goiás; além de seis escolas e 13 unidades de saúde.
Resolução
O documento da CIB que autoriza as Secretarias Municipais de Saúde (SMS) a utilizar o volume excedente do frasco-ampola multidoses das vacinas define, também, critérios específicos para esse fim.
A resolução explicita que “esse volume excedente poderá ser utilizado desde que seja possível aspirar na seringa a quantidade necessária para uma dose completa de um único frasco-ampola”.
"A mistura de vacina de frascos-ampola diferentes para completar uma dose é rigorosamente contraindicada, devido a possibilidade de contaminação", finaliza o documento.