Estreou na Netflix Unabomber, um novo filme que tenta recontar a história fascinante do assassino e terrorista doméstico Ted Kaczynski, o titular Unabomber, que apavorou os Estados Unidos com atentados a bomba por várias décadas antes de finalmente ser capturado em meados dos anos 1990. Infelizmente, apesar de seus méritos, o filme não consegue ficar à altura de um caso tão peculiar e serve mais como um aperitivo para despertar a curiosidade de quem não está familiarizado com a história.
O novo filme mescla dois tempos: o passado, quando Ted, vivido por Jack Tremblay, frequentava a Universidade de Harvard e desenvolveu um relacionamento com o pesquisador Henry Murray, interpretado por Russell Crowe. No “presente” dos anos 1990, acompanhamos simultaneamente Shailene Woodley no papel da investigadora do FBI Joanne Miller, fechando o cerco contra o criminoso.
Todo esse potencial acaba não rendendo muita coisa, apesar de instigante. O ponto mais forte do filme é facilmente seu elenco: Woodley, Tremblay e Crowe entregam boas performances, em particular Tremblay, que precisa equilibrar todas as contradições emocionais e psicológicas do futuro assassino em série, e Crowe, que, após anos na geladeira, entregou interpretações charmosas e envolventes tanto neste filme quanto em Nuremberg, em ambos dando vida a personagens baseados em pessoas reais.
E o próprio filme parece reconhecer parte disso: o foco narrativo não se remove desses personagens e claramente toda a parte de origem, no final dos anos 1950 e começo dos 1960, é mais interessante e melhor trabalhada que a parte nos anos 1990, que quase não ocupa espaço dentro da narrativa. E é nesse passado que o filme funciona melhor: como uma história de origem, um coming of age sinistro, quase uma versão macabra de Uma Mente Brilhante.
Em comparação, a contraparte da captura parece quase descolada, na qual Ted quase não é um personagem, na prática sem falas. A sensação é de que o filme, na verdade, era para ser uma minissérie, mas acabou sendo cortado e adaptado para um filme que não dá conta de atender à própria proposta.
Ainda assim, como mencionado, vale a pena pelas atuações e pela trama de origem, mas vai caber à própria audiência buscar conhecer mais em filmes e produções audiovisuais melhores.
