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Uma declaração sobre o papel da Religiosidade perante covid-19

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19.03.2020 - 16:08:29

O estado de Goiás é composto e enriquecido por sua diversidade. É precisamente nessa pluralidade que se encontra nossa beleza e força. Focados nessa visão de coletivo, pessoas religiosas, agnósticas e ateias se unem em subscrever a presente Declaração, um convite ao amor e à harmonia, para que nesta época sem precedentes na História humana, unamos-nos como notas diferentes de uma melodia que compõe uma sinfonia de excelência e ajuda mútua.
 
Considerando a crise de uma pandemia global declarada há uma semana pela Organização Mundial de Saúde, de um vírus — covid-19 — com capacidade de contágio 2 a 4 vezes maior que o da gripe e um nível de mortalidade 20 vezes maior que ela, optamos por escrever este convite à solidariedade e paz. Mais do que nunca, tornam-se necessários os princípios de amor ao próximo e camaradagem pregadas nas diversas doutrinas religiosas e concepções filosóficas. Nosso intuito é convocar um patriotismo são e inteligente nos corações sem suprimir as diversidades de etnias, histórias, tradições ou costumes, que diferenciam nossa população: é um convite a uma lealdade mais ampla, uma aspiração maior que qualquer outra que jamais animou a raça humana.
 
O primeiro caso de covid-19 na Itália foi diagnosticado a 20 de fevereiro e, em duas dezenas de dias, a Itália colocou-se em quarentena, com um número de mortes que ascende diariamente. Se seguirmos esse exemplo de reação tardia por parte da sociedade civil, se tornará impossível fazermos uma previsão exata para sabermos quando terminará este período de desafios. O exemplo se repetiu em vários países e não queremos que o Brasil siga esse rumo.
 
Por isso, apelamos a cada instituição e pessoa religiosa, a crentes e descrentes, nacionais e imigrantes que, durante os próximos dias, se resguardem. Não alimentemos o pânico e as forças do exagero, mas cuidemo-nos e cuidemos de nossos mais vulneráveis — pessoas idosas, pessoas em situação de rua, acampados, famílias em extrema pobreza. Se há necessidade de estocarmos produtos de higiene e alimentos, há também a necessidade de lembrarmo-nos de nossas irmãs e irmãos que não terão acesso a esses mesmos produtos se nosso medo nos dominar. Somos socialmente responsáveis uns pelos outros!
 
Lembremo-nos de seguir as orientações e normas das autoridades legais. Não é o momento de contendas políticas. Se seguirmos as precauções, conseguiremos ter políticas sociais e de saúde mais eficazes neste momento crítico. Lembremo-nos que as autoridades estão trabalhando com fatos científicos, e a ciência de modo algum exclui nossa religiosidade e fé em um ou vários seres supremos que nos podem proteger: o Supremo fará a sua parte se não negarmos nosso arbítrio!
 
Por isso, rogamos a todas e todos que não abusemos da religião como forma de proteção. Adiemos ou cancelemos nossos eventos que nos exponham a grupos, e usemos meios como tecnologias para a vivência de nossas fés, em solidariedade a distância. Optemos pelo resguardo e que nossas preces, mantras, ritos e aconselhamentos sejam fonte de esperança e não contágio.
 
O propósito desta Declaração é recordarmos que a espiritualidade nos fortalece em momentos de incerteza e medo. Por isso, além de propagar notícias (que podem alimentar medos), compartilhemos textos e ideias sagradas que alimentem a esperança. Sempre lembrando e respeitando a diversidade de experiências espirituais (ou a sua ausência) entre aqueles à nossa volta. 
 
Religiosidade e espiritualidade, vividas nas suas mais diversas manifestações, são fonte de unidade, mesmo que em diversidade. Por isso, mesmo distantes, estejamos em diálogo e união. Nossas vivências religiosas ou filosofias de vida devem almejar o bem comum! Só assim a epidemia psíquica do fanatismo, tão ou mais infecciosa e que se estende com rapidez estonteante, impedirá a reação em cadeia provocada pelo grau de contágio do covid-19.
 
Temos a certeza que apesar das diferenças que compõem a belíssima e vasta comunidade goiana, estamos, ombro a ombro, com a clareza que a saúde individual é a saúde coletiva de todos nós. Seus cuidados ajudarão Goiás a ser exemplo de respeito, solidariedade e humanidade.
 
Nas palavras do pensador e místico do Oriente Rumi: “Há esperança após o desespero, e muitos sóis brilham após a escuridão”. Que sejamos, individual e coletivamente, um sol de esperança brilhando na escuridão!
 
Subscrevem:
1. Sam Cyrous (Relator da Declaração)
2. Antonio Gueiros Bezerra Junior, Abdul Aziz (muçulmano)
3. Pastor Felipe Gustavo Koch Buttelli (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil –
IECLB)
4. Garnet Healer (Matriarca e Senhora da Tradição da Trívia Negra bruxaria draconiana familiar;
Coordenadora Abrawicca Goiânia)
5. Idário Carvalho Garcês Filho (Espírita)
6. Reverendo Izaías Torquato (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)
7. Iyalorisa Mariléia Lasprilla de Òsùmàrè, Asé Dan Fé Èrò (Candomblé; Movimento Agô; URIGO)
8. Núbius Draknir (Patriarca e Senhor da Tradição da Trívia Negra bruxaria draconiana familiar;
co-coordenador Abrawicca Goiânia)
9. Rowenna Fey (Matriarca do Clan Corvos da Colina de Bruxaria Tradicional; Coordenadora do
Projeto Gaia Paganus)
10. Irmã Sandra Ede (Católica; Religiosa da Congregação das Irmãs Dominicanas de Monteils)
11. CEBI – Centro de Estudos Bíblicos – Goiás
12. Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino
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por Sam Cyrous

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