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Uma cartinha para Felipão

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12.07.2014 - 08:35:00

Felipão acredita que todo um trabalho não pode ser colocado em xeque por conta de uma fatalidade. Imagens captadas de forma sorrateira pela Fifa flagraram uma conversa informal do técnico da Seleção Brasileira com o assessor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva (aquele que se enrolou em uma briga com chilenos nas oitavas de final), e o capitão Thiago Silva. No bate-papo, ele levanta a hipótese do Brasil ter convertido em gols as quatro oportunidades que teve no início do segundo tempo, colocando o placar em 5×4. 

Eu tenho algo a dizer ao treinador e à toda comissão técnica do Brasil:

Oi, gente!

Vi na coletiva de imprensa que vocês aí na Granja Comary gostam de cartinhas, não é mesmo? Treinar é coisa chata, massante. Só alemão mesmo para perder tempo estudando o adversário, repetindo jogadas, alternando formações dentro do elenco que se tem em mãos. O talento do brasileiro, nossa ginga, nossa magia, nosso hino à capela são mais importantes. Ler cartinhas é bem mais legal. E se a Dona Lúcia teve tamanha atenção, creio que eu talvez possa ter a mesma sorte. 

Agora a fita é séria, gente. Vamos deixar de groselha, de piadinha.

Pois é, Felipão… Cada um se agarra onde pode. Acho que você segurou em pau podre na hora do naufrágio. Se você acha que a Alemanha deixaria o Brasil marcar quatro gols em também seis minutos, bem, preciso dizer que você é um otimista de primeira ordem. Se tivéssemos marcado na primeira oportunidade do primeiro tempo, os alemães se fechariam e partiriam para cima. Provavelmente ficar 10×1 o placar final da peleja.

Felipão, na boa, não foi uma fatalidade. Foram sete. Em casa. Em uma semifinal de Copa do Mundo. Não foi algo banal, corriqueiro. É provável que você esteja certo e que nem nos próximos mil anos isso aconteça novamente. Torço profundamente para que você esteja certo. Mas eu é que não quero pagar para ver se o raio cairá novamente no mesmo lugar.

Para evitar isso, acho melhor que você, Murtosa e Parreira não fiquem mais na Seleção. Mas não só a comissão técnica. Seria supérfluo responsabilizar só sua equipe. Na verdade, a questão vai além. Muito, muito, muito além. Como disse o jornalista Juca Kfouri, do presidente da CBF ao roupeiro, todos devem pedir o boné e sair de fininho. 

Você não tem dimensão do fiasco? Só pode ser isso. Pelo amor de Deus…

Está tudo errado. A formação da molecada, os times caloteiros de salários e impostos, as federações e seus insossos estaduais, a CBF e sua grana farta para o bolso de cartolas, os horários esdrúxulos para começar as partidas só depois da novela… Enfim, vamos começar do zero. Não há nada, ou muito pouco para não parecer tão apocalíptico, que possa ser aproveitado.

Teve um cantor que sofreu um bocadinho nas mãos dos militares que me ensinou que quem sabe faz a hora e não espera acontecer. Pois então estamos na marca do pênalti. Ou recolocamos o futebol brasileiro no seu lugar de destaque no mundo, ou vamos amargar o papel de um Uruguai – importante no passado e que agora se contenta com o quarto lugar de 2010 e com título de Copa América. 

Felipão, meu velho, pede para sair.

Com carinho,

Dona Lú…, ops, Pablo Kossa

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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