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Um grito pelo Arquivo Histórico Estadual

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29.10.2021 - 17:11:24

Criado para abrigar e organizar os documentos mais antigos e históricos de Goiás, o Arquivo Histórico Estadual tem origem recente, dos primeiros tempos de Goiânia. Até 1924 competia a cada Secretaria de Estado a custódia e a manutenção dos registros e demais papéis oficiais. O nome original, Arquivo Público do Estado, foi mantido, já em Goiânia, pela Lei nº 441, de 8 de dezembro e 1944, e passou a ser subordinado à Secretaria de Justiça e Segurança Pública; em 1961, passou a Arquivo Geral do Estado e anexado à nova Secretaria Estadual de Administração.

 
O nome atual foi dado pelo Decreto nº 169/74, que alterou o Decreto nº 180, de 24 de julho de 1967, passando seu controle para a Secretaria da Educação e Cultura e a documentação considerada permanente ou histórica a pertencer ao Departamento Estadual de Cultura, da SEC (Lei nº 5.613, de 13 de novembro de 1964). Este ato só foi efetivado em 1976, quando se iniciou a sua organização; o Arquivo ganhou sede definitiva em 1987.
 
Unidade da Superintendência de Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico da Secretaria de Cultura de Goiás, tem por finalidade receber, localizar, recolher, reunir, recuperar, preservar, organizar e divulgar o patrimônio documental do poder público, para estimular estudos e pesquisas que revelem a memória e as raízes históricas do Estado.
 
No papel a história fica bem contada, mas quando a pessoa precisa encontrar um documento para resgatar a trajetória de alguém ou as ações de uma instituição, a situação fica mais complicada e até mesmo dificultada.
 
O dado mais positivo é sua localização, privilegiada, central e de fácil acesso: praça Cívica nº 2, ao lado do Palácio das Esmeraldas. Ocupa bom espaço, bem dividido, com pessoal prestativo, interessado e atencioso.
 
Se a pessoa tem uma data, facilita. Se não, encontrará dificuldades.
 
A pessoa recebe luvas para folhear o material antigo, em especial os exemplares de jornais, que, envelhecidos, estão cheios de fungos.
 
Com a data se localiza informações em jornais, relativamente recentes, ou documentos. Ao receber os exemplares indicados nas pastas com índices é que começam os problemas e as decepções. Estive lá na segunda-feira e vi como tudo funciona. Pedi edições do jornal “Folha de Goiaz” de 1950 e me deparei com coleções se desmanchando ao serem manuseadas e folhas recortadas, com fitas durex juntando partes rasgadas, e um cheiro pouco suportável.
 
A tendência, a se manter o quadro atual, é perder esse material em pouco tempo, o que levará consigo uma história que não foi devidamente resgatada. A culpa não é do pessoal, e sim da estrutura existente.
 
Esse material e o próprio Arquivo precisam ser repensados, em especial considerando as novas tecnologias, os novos instrumentos de manuseio, preservação e de recuperação do acervo existente, e a própria formação de pessoal para essa atividade específica. Ao discutir esse espaço e seu material, projetá-lo para melhor guardar e mantê-lo para disponibilizá-lo nas novas plataformas, mais higiênicas e que conservam melhor o que está sendo utilizado pelos pesquisadores.
 
Digitalizar todos os principais jornais, em especial “Folha de Goiaz”, “Diário do Oeste”, “O Popular”, “Cinco de Março”, “Diário da Manhã” e “Jornal Opção”, ou escanear as edições para evitar que se perca essas preciosas anotações, que contem parte da história de Goiás. O simples manuseio de edições pode estragar as páginas e perder trechos interessantes ali registrados.
 
Busquei uma informação relativamente recente, de um educandário que fez história e nela se inseriu pelo trabalho realizado, pelo sistema utilizado, pelo envolvimento de todos e pela formação para a cidadania, para o convívio em comunidade, onde todos são responsáveis pelos bens públicos e coletivos.
 
A intenção era localizar mais dados sobre o Ginásio Estadual de Campinas e, principalmente, de seu Grêmio Literário, ou estudantil. É que ambos foram instalados oficialmente no mesmo dia, mês e ano: 15 de abril de 1950, em solenidade que resgatou um bairro e seus moradores, até então abandonados pelo Setor Público, e representou uma mudança qualitativa, com resultados muito positivos. Basta citar que o evento foi prestigiado pelas duas autoridades estaduais mais importantes da área na época: o governador Jerônimo Coimbra Bueno e o secretário de Estado da Educação e Saúde, dr. Hélio Seixo de Brito.
 
Um ato importante, duas instituições igualmente representativas, que interferiram na rotina local e mudaram a história. O Ginásio foi o embrião de uma das mais ricas experiências educacionais de Goiás, com ensino público de qualidade, que formou gerações que muito dignificaram essa oportunidade. Ele durou 10 anos e foi sucedido pelo Colégio Estadual de Campinas, de curtíssima duração, um ano, para fazer surgir no ano seguinte, 1961, o Colégio Estadual Professor Pedro Gomes, responsável pela mudança e pela revolução no ensino que executou nos anos 1960/70.
 
Não se separa um do outro e sim se soma no conjunto de realizações, que foram se sucedendo positivamente, nos mais diversos níveis e aspectos, desde a formação escolar, ao compromisso com a cidadania, com o bem público, com a comunidade e com as pessoas. Era como uma família, em termos de união, de trabalho, de busca de objetivos comuns, de envolvimento com os projetos e com os sonhos, fazendo tudo acontecer, de forma unitária e conjunta.
 
O que encontrei no Arquivo: uma pequena coleção de jornal que está se desmanchando, motivando a perda desse rico acervo, caso não se tome a iniciativa de rever procedimentos, formas de manutenção e conservação, e que permitam o manuseio desse importante registro histórico.
 
Não encontrei o que queria, há muitas falhas nas edições existentes e por isso resolvi dar este grito de alerta pelo Arquivo Histórico Estadual, para que possa ser requalificado, redimensionado e assim, efetivamente, cumprir seu papel.

*Jales Naves, jornalista e escritor, presidiu a Associação Goiana de Imprensa (AGI) em dois mandatos consecutivos (1985-1991) e integra a Academia de Letras e Artes de Caldas Novas (Cadeira nº 30), o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (Cadeira nº 34) e o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado.
 

 

Em 11 de março de 2022, o Arquivo Histórico Estadual de Goiás se manifestou sobre o artigo, por meio de nota. Clique e leia.

 

 

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por Jales Naves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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