Logo

Um alívio para a cultura

WhatsAppFacebookLinkedInX
23.07.2021 - 18:35:31

Artistas e produtores culturais de Goiás respiraram mais aliviados nesta semana após a aprovação do Projeto de Lei que autoriza o Poder Executivo estadual a utilizar os recursos federais da Lei Aldir Blanc. Essa verba, na casa de R$ 50 milhões, estava em um limbo burocrático, uma vez que sua dotação orçamentária era de 2020, mas acabou não sendo utilizada a tempo pelo setor da cultura.
 
Como relator do projeto na Assembleia Legislativa, busquei imprimir o máximo de celeridade em sua análise, produzindo o parecer pela aprovação em menos de 24 horas. Tecnicamente, a lei permite que o Executivo abra um crédito adicional, tendo como fonte o cancelamento dos restos a pagar referentes a esses recursos da União. Trata-se de um instrumento de ajuste orçamentário previsto pela legislação.
 
Mas acima da discussão jurídica, nossa pressa tem a ver com o momento dramático pelo qual passa a grande maioria dos profissionais que atuam neste segmento. Como atesta um amplo estudo da Unesco divulgado em dezembro de 2020, a cultura é um dos setores mais gravemente afetados pela crise econômica da pandemia de Covid-19. Esse relatório aponta que, por conta das restrições sociais, uma onda de desemprego, fome e desmonte de ações culturais varreu o mundo.
 
A agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura também alerta que governos, iniciativa privada e terceiro setor precisam unir forças para a retomada da economia criativa, especialmente entre os agentes com maior vulnerabilidade social. Apoiar diretamente os profissionais da cultura, como faz a Lei Aldir Blanc, é um dos três eixos de ação recomendados pela Unesco. Os outros eixos envolvem ações indiretas de apoio e políticas de fortalecimento dos mercados para produtos e serviços culturais.
 
Muito se fala do impacto econômico da crise na cultura, com o desespero da inatividade para artistas e a extensa gama de profissionais que trabalham nos bastidores. Contudo, é hora de lembrar outro profundo prejuízo social que a estagnação na cultural pode provocar. Além de ajudar a registrar, entender e assimilar o momento histórico, a arte confere à sociedade meios para sublimar suas dores.
 
Desde o início das limitações impostas às atividades culturais temos acompanhado e reforçado a mobilização por apoio emergencial aos seus operadores. Importante destacar a sensibilidade do Executivo, via Secretaria de Cultura, por enviar o projeto de lei para a Alego, que o aprovou mesmo no recesso. Com o desembaraço promovido pela nova lei, permaneceremos atentos para que os recursos sejam encaminhados o mais rápido possível.
 
Virmondes Cruvinel, professor e procurador do Estado licenciado, é líder do Cidadania na Assembleia Legislativa de Goiás
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Virmondes Cruvinel

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Wil Caravanti
04.11.2026
Design de Imaginação

“Imaginação é mais importante que conhecimento.” Albert Einstein Antes de existir no mundo, muitas das grandes realizações humanas existiram primeiro na imaginação de alguém. Walt Disney imaginou na Flórida algo que ia muito além de um parque de diversões. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ajudaram a transformar em cidade uma ideia desenhada para o centro […]

Rose Cruvinel
03.11.2026
Ministério do Idoso é boa ideia, mas precisa ser eficiente

A criação de um Ministério do Idoso foi uma das primeiras propostas anunciadas pelo presidente Lula da Silva, depois de confirmada sua reeleição. A ideia merece ser recebida com seriedade e espírito público. Como médica, vereadora e integrante da população idosa, conheço de perto os desafios do envelhecimento e apoio qualquer iniciativa que coloque esse […]

Luiz Augusto Araujo
03.11.2026
Você sabe se comunicar bem?

Você consegue expressar suas ideias com clareza? Sabe organizar o que deseja dizer, transmitir mensagens de forma objetiva e convencer as pessoas? Embora a comunicação esteja presente em praticamente todas as situações do cotidiano, nem sempre temos consciência de como nos comunicamos e de quais aspectos podemos melhorar. Para ajudar a responder a essas perguntas, […]

ANA CARLA ABRAO
02.11.2026
O Brasil que desperdiçamos

Quanto custa ao Brasil continuar sendo tão desigual? Não apenas em termos de injustiça social, de pobreza ou de oportunidades negadas a milhões de brasileiros. Quanto nos custa em crescimento, produtividade, segurança e prosperidade? E, talvez mais importante, quanto perdemos com a manutenção de uma sociedade que desperdiça tanto do seu próprio potencial? Em uma […]

Ricardo Menegatto
02.11.2026
Black Friday e os falsos descontos

A Black Friday se aproxima e, com ela, chegam as promessas de grandes descontos, ofertas por tempo limitado e oportunidades aparentemente imperdíveis. Em 2026, a principal data promocional do comércio será celebrada em 27 de novembro. Mas, em meio à expectativa de economizar, surgem situações que costumam gerar dúvidas e frustrações: a loja anuncia um […]

Edemundo Dias de Oliveira Filho
30.10.2026
A cegueira deliberada do oráculo

“A partir de certo ponto, as informações já não informam — deformam. Podem até obscurecer o mundo.” Byung-Chul Han Por que os diagnósticos — apenas ou embora certeiros — não ajudam a nação? Passadas as eleições, o Brasil não assistiu tão somente ao arrefecimento da beligerância. Assistiu, sobretudo, à sua consolidação como método de governabilidade. […]

André Naves
29.10.2026
Fim da escala 6 por 1: Prosperidade e Inclusão

A escala 6 por 1 – seis dias de trabalho para um de descanso – sempre cronometrou a semana de 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros sem se importar com o quanto de vida sobrava depois do expediente. Quase nada. José Mujica, o presidente uruguaio que se tornou símbolo mundial de humildade, simplicidade e humanidade, costumava […]

José Ricardo Caixeta Ramos
29.10.2026
Educação sanitária, um dos pilares da defesa agropecuária em Goiás

Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação […]