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UFG desenvolve método para controle biológico de Aedes aegypti

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17.03.2022 - 09:25:15

A Redação

Goiânia – Pesquisadores do Laboratório de Patologia de Invertebrados do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (LPI/IPTSP) da Universidade Federal de Goiás (UFG) têm dedicado atenção ao Aedes aegypti, transmissor principal dos vírus da dengue, zika e chikungunya. O grupo tem trabalhado no desenvolvimento de um método para controle biológico do inseto. 

A pesquisa desenvolveu formulações granulares que carregam conídios e microescleródios do fungo Metarhizium humberi. Os microescleródios, que são estruturas resistentes com reservas nutritivas, produzem novos conídios deste fungo, que é capaz de infectar e causar a morte de adultos, larvas e ovos desse mosquito.

O mosquito é atraído para um dispositivo por causa da sua semelhança com um criadouro ou local de descanso. No dispositivo, o inseto tem contato com o tecido que contém grânulos com fungo. Nesses grânulos, há microescleródios que, em ambientes com umidade elevada, produzem conídios, que são infectantes para os mosquitos. “Resultados dos nossos estudos mostram a importância da umidade elevada para produção de conídios. A formulação é aplicada dentro dos dispositivos, que não são armadilhas pois os mosquitos não ficam presos: entram, ficam contaminados e saem”. A ideia seria esse dispositivo ficar em áreas peridomiciliares onde ocorre esse mosquito.

Durante a pesquisa,  liderada pelo professor Wolf Christian Luz foram realizados testes com dois tipos de composição de veículos para grânulos ou pellets com microescleródios de Metarhizium humberi: um dos formulados foi feito com celulose microcristalina e terra diatomácea e o outro com uma combinação de vermiculita, terra diatomácea e dióxido de silício. Os pellets são grânulos também, mas passaram por um processo chamado esferonização.

Os resultados mostraram que a segunda formulação com vermiculita como veículo principal foi mais promissora do que a primeira. “O melhor rendimento de conídios nos grânulos e pellets preparados com vermiculita nos testes é provavelmente devido à maior porosidade do grânulo e pellet contendo vermiculita (comparado com celulose microcristalina) providenciando um substrato melhor para a produção de conídios”, explica o professor.

Os dados da pesquisa que demonstram a importância da umidade relativa do ar para a produção de conídios sobre os grânulos e a eficácia da formulação granulada para controle biológico de Aedes aegypti fazem parte de artigos publicados em 2021 na revista Applied Microbiology and Biotechnology. O pesquisador explica que “os microescleródios precisam de condições de umidade elevada para produzir micélio e conídios na superfície dos grânulos. O estudo sobre o efeito da umidade no desenvolvimento de Metarhizium humberi nos grânulos e pellets foi uma etapa importante do processo. Sem esses conídios, a formulação preparada com microescleródios não afeta os mosquitos”.

De acordo com o professor, Metarhizium humberi é uma espécie nova e foi isolado pela primeira vez em 2001 pelo grupo liderado pelo professor Christian a partir de amostras de solo coletadas no Cerrado. “A linhagem Metarhizium humberi IP 46 utilizada na nossa pesquisa já foi estudada intensamente em Aedes aegypti em condições de laboratório e apresenta atividade inseticida em ovos, larvas e adultos desse vetor. O objetivo dos estudos em andamento é melhorar a atividade do fungo através de métodos de produção, formulação e aplicação de fungos para controle do Aedes aegypti”, esclarece Christian.

Até o momento, já foram realizadas três etapas da pesquisa: estudos in vitro com preparações diferentes de formulação granulada para melhoramento da produção de conídios sobre os grânulos ou pellets após a aplicação; estudos em condições de laboratório com adultos de Aedes aegypti; e estudos em condições de semi-campo e de campo com um dispositivo protótipo e grânulos para controle de Aedes aegypti. Os passos seguintes consistem, entre outros, em estudos sobre o melhoramento de formulações e métodos de aplicação, o comportamento de adultos de Aedes aegypti, métodos sobre a detecção de IP 46 para o monitoramento do efeito de aplicação e dispersão do fungo em condições de semi-campo e de campo.

Os experimentos foram realizados em laboratório sob condições controladas, mas o professor já vislumbra bons resultados nas próximas etapas da pesquisa. “Fizemos testes de semi-campo e de campo com um dispositivo desenvolvido por nosso grupo utilizando uma formulação granulada desse fungo numa pequena cidade perto de Goiânia para controle do Aedes aegypti. Os resultados são promissores”, exalta.

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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