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Tunga penetrans nunca quis saber de mim

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15.08.2011 - 19:30:29

 

 
Dos meus 16 aos 30 anos eu praticamente fui uma hippie. Alma de hippie, roupa de hippie, rodinha de violão de hippie, papo cabeça de hippie. Acampava na praia, viajava com pouquíssima grana, comia o que rolava. Já fiz mochilão pela América do Sul e Europa. Hippie de classe média, sabe como é. De boutique, mas com alma hippie.
 
E tendo essa alma hippie – que até hoje conservo com orgulho – sinto uma grande frustração: nunca tive bicho-de-pé. Quem já teve fala das delícias da coceirinha causada por um bom bicho-de-pé. Fora as histórias das técnicas refinadíssimas da remoção do dito cujo. Conheço gente , inclusive, que é formada com pós-graduação em extração de bicho-de-pé. “Peguei a agulha e o bichão saiu inteirinho”, gabam-se.
 
Sendo assim, já me esforcei muitíssimo para, pelo menos uma vez na vida, pegar um bicho-de-pé. Olha que já fiquei acampada em praias como Caraíva (sul da Bahia) e Jeri (coacoara), mais de uma vez e por bastante tempo. Até na Vila hippie de Arembepe  já passei uma temporada. Nesses lugares, nunca conheci ninguém que não tenha voltado com um bicho-de-pé na bagagem. Ou pelo menos, com um bichinho geográfico na bunda. Menos eu.
 
Quando fui a Jeri e passei ali uma temporada de um mês foi no ano que a luz chegou à vila cearense. Era a minha grande oportunidade de, finalmente, pegar um bicho-de-pé. Além das dunas e natureza exuberante, Jeri é famosa pelas vacas e porcos andando nas ruas, junto com os turistas. Um prato cheio para os Tunga penetrans, mais conhecido como bicho-de-pé, pegar no meu.
 
Mas nada. Nenhunzinho para contar história.  A verdade é que o bicho-de-pé nunca quis saber de mim. Devo ser imune. Fazer o que¿ O jeito é me morder de inveja quando alguém contar sobre aquela coceirinha boa e aquele bicho-de-pé gigante que foi tirado de uma tacada só.  Definitivamente, a gente não pode ter tudo na vida.
 

 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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