Yuri Lopes
Goiânia – O primeiro Debate Digital GO, promovido pelos portais A Redação, Mais Goiás e Diário de Goiás, na manhã desta quinta-feira (30/8), com os cinco candidatos ao governo de Goiás mais bem posicionados nas últimas pesquisas, começou em tom amistoso, mas o clima durou pouco, com trocas de ataques diretos, principalmente entre José Eliton (PSDB), Daniel Vilela (MDB) e Ronaldo Caiado (DEM).
Kátia Maria (PT) e Weslei Garcia (Psol) também participaram do evento, realizado e transmitido ao vivo nos sites dos jornais envolvidos, direto da sede da Fecomércio Goiás.
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O primeiro bloco do debate contou com perguntas feitas por representantes dos jornais promotores do evento e pelo presidente da Fecomércio Goiás, Marcelo Baiocchi. A pergunta era direcionada a um dos candidatos, com escolha de outro candidato para comentar a resposta.

(Foto: Letícia Coqueiro)
Primeiro bloco
Baiocchi perguntou a Daniel Vilela sobre propostas para reduzir o tamanho do Estado. O emedebista respondeu dizendo que a situação de Goiás é preocupante, pois, segundo ele, o Estado tem o maior número proporcional de servidores comissionados do Brasil. “Vou realizar uma gestão que busque eficiência, com diminuição do tamanho do Estado, criando iniciativas que simplifiquem a tributação e inspirem o empreendedorismo”, afirmou.
Kátia Maria comentou dizendo que ela vai realizar a retomada do crescimento e desenvolvimento de Goiás. “O Estado tem que ser o indutor do avanço da economia e da fiscalização das ações bancadas pelo Estado, tanto no turismo, na cultura e na agricultura familiar”, citou ela.
A editora do Mais Goiás, Thais Lobo, perguntou para José Eliton (PSDB) e Weslei Garcia (Psol) se eles continuariam na tentativa de implantar Organizações Sociais (OSs) na gestão da Educação em Goiás. José Eliton respondeu afirmando que OS não pode ser a única alternativa para gestão, mas é uma opção da qual ele não tem nenhum preconceito. “Sou a favor e minha meta é fazer de Goiás a referência em Educação em todo o Brasil”, finalizou.

(Foto: Letícia Coqueiro)
O candidato do Psol comentou dizendo que pretende acabar com as OSs em todo o Estado. “Minha proposta é valorizar quem trabalha na Educação, vamos dar titularidade e pagar a data-base aos professores e implantar a gestão autônoma e democrática nas unidades escolares”, prometeu.
Repórter do jornal A Redação, Kamylla Rodrigues perguntou ao senador Ronaldo Caiado se ele manterá os eventos culturais já existentes no calendário de Goiás. O democrata respondeu que sua proposta é criar iniciativas para que as ações não sejam restritas apenas aos festivais, nem para a época dos eventos. Caiado também disse que pretende criar ações para promover o desenvolvimento das aptidões artísticas de cada cidadão.

(Foto: Letícia Coqueiro)
Zé Eliton rebateu dizendo que Caiado não tem propostas para a área cultural e prometeu avançar na Cultura com a criação de uma bolsa que incentive as atividades artísticas.
Samuel Straioto, do Diário de Goiás, quis saber de Daniel Vilela o que fazer para que as propostas apresentadas sejam executadas. O candidato do MDB respondeu dizendo que Goiás gasta muito e gasta mal. “Proponho aqui uma gestão com responsabilidade fiscal, o que não ocorre hoje em Goiás. O Estado é totalmente dependente de recursos externos para fazer o essencial. Vamos mudar as práticas que penalizam os investimentos em Goiás. Qualidade dos gastos, gestão eficiente são os principais motes que eu defendo”, concluiu ele.
Kátia Maria declarou que tem como proposta mapear onde estão áreas propícias para cada tipo de produção e onde, preservando o meio ambiente, possa fortalecer o Estado. A petista disse que a carga tributária praticada em Goiás é injusta, pois quem tem mais paga menos e quem tem menos paga mais.

(Foto: Letícia Coqueiro)
De candidato para candidato
O segundo bloco começou com o governador José Eliton perguntando a Caiado se o candidato do DEM tem alguma proposta para mudar a política do comércio exterior. Caiado respondeu dizendo que vai buscar uma parceria sadia para quem está na sustentação da economia, na área da agricultura ou na pecuária, além de abrir espaço para Goiás nos países que já compram do Estado.
Eliton rebateu dizendo que, graças às missões internacionais capitaneadas por Marconi Perillo, Goiás ampliou a quantidade de países que negociam com Goiás.
Clima esquentou
O primeiro momento de tensão foi quando Daniel perguntou para José Eliton sobre críticas do setor produtivo sobre a demora na burocracia para os empreendedores. José Eliton citou o Vapt Vupt Empresarial e o Vapt Vupt Digital como ações para diminuir a burocracia e simplificar as atividades empresariais.
Daniel Vilela reclamou que o governo atual teve 20 anos para promover melhorias e não fez isso até agora. Completou dizendo que pretende implementar uma plataforma digital que atenda os empreendedores e citou o modelo do Alvará Fácil, já implantado em Goiânia. “Saia do mundo da ilusão que Goiás não está vivendo no seu mundo, José Eliton”, finalizou Daniel em sua fala.

(Foto: Letícia Coqueiro)
Eliton respondeu a provocação dizendo que não é filho de ex-governador e nem "nasceu em berço de ouro". “Nasci humilde e sou o único responsável pelo meu caminho”, disse o governador. O tucano relembrou ações do governo Marconi, como a criação da UEG, e reclamou que o candidato do MDB apelou por não ter propostas e, por isso, partiu para o ataque.
Caiado perguntou para Kátia sobre as propostas dela a área da Saúde. A petista começou sua fala dizendo que Caiado votou em favor do PL que facilita o uso de agrotóxico no Brasil. Na tréplica, Caiado disse que pretende acabar com fila de espera no que chamou de crise da saúde e promover uma política de levar médicos especialistas ao interior de Goiás, além da construção de 17 policlínicas abrangendo todas as regiões de Goiás.
Weslei perguntou a José Eliton sobre segurança pública. O governador respondeu citando dados sobre a Segurança Pública e disse que Goiás é referência em solução de crimes. Na tréplica, Weslei citou investimento na inteligência da polícia além de prevenção de crimes. José Eliton comentou sobre levar unidades da Rotam para outras regiões de Goiás, mas sem dar detalhes de como pretende fazer isso.
Uma pergunta que ficou sem resposta por conta da troca de farpas foi a sobre programais sociais, feita por Daniel Vilela a Ronaldo Caiado. O senador do DEM iniciou sua fala dizendo que Daniel fez o jogo do presidente Michel Temer ao votar a favor de vários projetos a pedido do presidente e que, segundo Caiado, são danosos à população, como o voto de Daniel a favor da anistia ao setor de telecomunicações e contra as propostas de combate à corrupção.
“O senhor aprendeu muito com o Marconi a mentir. Até pouco tempo o senhor me queria para vice na sua chapa e agora não sirvo para nada na política? Isso que é incoerência. O senhor sempre foi aliado a Marconi Perillo, tanto que indicou o José Eliton para ser vice de Marconi e não assume que fez isso”, declarou Daniel.
José Eliton perguntou então para Daniel sobre política habitacional. Daniel respondeu que vai mudar a prática política atual. “Quero adotar iniciativas para levar transparência aos goianos. A política hoje feita no Estado é basicamente em parceria com o governo federal, sendo usado pelo governo estadual como se fosse obra do governo estadual, que entra apenas com a contrapartida. Vou acabar com a prática de indicação de políticos da base aliada para receber benefícios das políticas habitacionais”, respondeu o emedebista.
Na réplica, o governador José Eliton disse ter orgulho de Marconi como padrinho político e disse estar esperançoso de que Marconi seja senador por Goiás. Ele também prometeu regularizar escrituras em todo o Estado. Daniel perguntou, na tréplica, porque o grupo político do governador não fez isso nos últimos 20 anos.
No último momento mais acalorado do debate, Daniel criticou a fala de José Eliton. “Não falte com a verdade, respeite o eleitor goiano. Disse que eu não tenho luz própria, quando na verdade o senhor nunca disputou eleição nenhuma. Virou vice-governador e está sentado na cadeira de governador hoje por indicação do Caiado, que convive com você há 20 anos”, respondeu Daniel visivelmente irritado.
Curiosidades
De todos os cinco participantes do debate, apenas Caiado não citou qual candidato para presidente do Brasil terá seu apoio. Kátia maria citou Lula em vários momentos, assim como Weslei fez com Boulos. Menos citados foram Geraldo Alckmin, por José Eliton e Michel Temer, apoiado por Daniel Vilela.
Caiado também foi o candidato que mais consultou o celular durante o debate e o que mais extrapolou o tempo para respostas. Já no início do debate, Kátia questionou a organização do evento se era permitido o uso do smartphone na mesa. Após a resposta afirmativa, Daniel Vilela comentou: “É um debate digital, né?”.