Goiânia – A derrota – digo, humilhação – do Brasil na terça-feira (8/7) foi, como o viaduto que caiu em Belo Horizonte, uma tragédia anunciada. Ao contrário do último, que quase não teve repercussão na sociedade, já que o anúncio publicitário ambulante Neymar havia se machucado, o 7×1 vai ficar para a história.
Infelizmente, o resultado do jogo será lembrado mais do que os gastos astronômicos e a corrupção na organização da "Copa das Copas".
Enquanto a mal preparada seleção brasileira ainda sobrevivia no torneio, a sociedade se apegava às festas e aos pontos facultativos, embriagada pela falaciosa esperança de vitória, pelo menos nos gramados.
Não entendo muito de futebol, mas não é preciso ser um expert para saber que levar sete gols, numa semi-final de Copa do Mundo, é atestado de incompetência. Felipão assumiu a culpa, mas não é só dele.
A culpa deve ser divida com todos nós, brasileiros. E, não há como fugir, o governo merece sua fatia desse amargo bolo.
O PT vendeu, a todo instante, a ideia de "país-sede-campeão". O preparo do Brasil para o evento foi desastroso. Obras inacabadas, superfaturadas e feitas às coxas. 50% do que foi prometido não foi entregue.
Mas, mesmo assim, Dilma, Lula e a turma de trapalhões continuaram a perpetuar a ideia de que o problema é a oposição, a mídia, que só critica. Está tudo bem, está tudo ótimo. O país vai bem, a Copa deu certo, os turistas foram bem recebidos, o Brasil foi elogiado.
O Brasil é hexa! O brasileiro vestiu a camisa da vitória iminente, de país campeão e da falsa superioridade. E, como diz o ditado, quanto mais alto, maior o tombo.
Segundo o discurso dos defensores, o brasileiro finalmente deixou o "sentimento vira-lata" e assumiu toda sua pujança. Pena que, quando o teto é de vidro, não adianta ladrar.
Late como um rottweiler, mas não passa de um pinscherzinho. Fala em PIBão, mas não chega nem a um PIBinho. Divulga cinco estrelas, mas oferece beira de estrada. Fala-se em superioridade, vivendo na mediocridade.
Já fui chamado de terrorista, de pessimista, de antipatriota e de outras asneiras sórdidas mais. Só que a verdade está aí para quem quiser ver: o Brasil perdeu em campo e fora dele.
A goleada serviu para uma coisa: a seleção brasileira entendeu que a culpa não estava nos outros times e, sim, nela mesma.
O governo do PT precisa de um 7×1 nas urnas para perceber, de uma vez por todas, que o problema não está nos outros, está nele mesmo. O partido, que se apoderou do País, manipula informações, mascara dados e embriaga o povo com "Copas do Mundo".
No entanto, uma hora não vai dar mais para esconder tanto desleixo e incompetência. E, quando este momento chegar, a ressaca vai ser brava e a dura realidade vai ser difícil de enfrentar. Como esta quarta-feira.
*Alexandre Parrode é jornalista.