Atualizada às 15h45
Catherine Moraes e Adriana Marinelli
Um tiro na cabeça tirou a vida da estudante Pamella Munike Gonçalves Volpato, 17 anos, na noite deste domingo (6/11). A jovem morreu quando voltava de uma festa, por volta das 19h, na Vila Mauá, em Goiânia. A polícia investiga a hipótese de rixa entre torcidas organizadas, já que a garota era torcedora do Goiás e integrante da torcida Força Jovem.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e está sob
responsabilidade da delegada titular, Adriana Ribeiro. A delegada conta
que dois suspeitos já foram identificados e que um deles possui
passagens por homicídio e tentativa de homicídio. A Polícia Civil
informou ter dados concretos sobre a autoria do crime. A suspeita é de
que o autor dos disparos faça parte da torcida Sangue Colorado.
A
motivação seria uma rivalidade antiga entre torcidas organizadas do
Vila Nova e do Goiás, tendo como alvo o namorado da vítima, que não foi
atingido. No último clássico Goiás e Vila, na sexta-feira (4/11),
Pamella não teria ido ao jogo, como de costume. O namorado, entretanto,
foi fotografado ao lado de um caixão que simbolizava o rebaixamento do
Tigrão, imagem que circula pelo facebook. No caixão, havia iniciais de
torcedores do Vila assassinados.
Internet
A paixão de Pamella pelo clube pode ser vista em sua página no Facebook. As fotos mostram a estudante com camisas do time, no Estádio da Serrinha e imagens da torcida em dia de jogo no Serra Dourada.
Presidente da torcida Força Jovem Goiás, Cleomar Marques confirmou que Pamella era sócia da organizada. Ele prefere não se manifestar sobre o suposto envolvimento de vilanovenses com o crime. “Vamos aguardar as investigações”, disse.
Briga na escola
A adolescente já havia sido ameaçada de morte por um torcedor do Vila Nova. O menino era aluno do Colégio Meta Pitágoras, assim como Pamella, e os dois haviam discutido. Na ocasião, o coordenador do estabelecimento, Wesley França Martins, acionou o Batalhão Escolar que registrou a ocorrência. Além disso, o coordenador pediu a presença dos pais de ambos no colégio.
“Não acredito que essa ameça seja a razão do assassinato, mas ainda assim tomamos as medidas necessárias. No colégio ela era uma menina tranquila, sempre engraçada, mas fora do ambiente escolar não sabemos como era a Pamella. Sei que é uma tristeza muito grande”, finaliza Wesley.
Violência temida
Na última sexta-feira (4/10) o clássico pela série B do Campeonato Brasileiro reuniu torcidas e a violência já era temida. O Goiás venceu por 3 a 2 sobre o Vila e, com isso, praticamente definiu a queda do Tigrão para a série C.
Na última quinta-feira (3/11), o Comando do Policiamento do Serra Dourada liberou a permanência de torcidas organizadas e a venda de bebidas alcoólicas nas imediações e dentro do estádio. Como medida de segurança, cerca de 500 policiais militares foram deslocados para o jogo. Além disso, 30 viaturas, 30 oficiais da cavalaria e 60 homens do Batalhão de Choque integraram a equipe que trabalhou no local.