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Taxas de juros sobem em reação a comunicado do Copom, na contramão do alívio externo. (Foto: Reprodução)

Taxas de juros sobem em reação a comunicado do Copom, na contramão do alívio externo

Confira análise do cenário

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18.06.2026 - 19:37:43

São Paulo – Os juros futuros fecharam a sessão desta quinta-feira (18/6) em alta firme, com mais força nos contratos de longo prazo, com a curva ganhando inclinação neste “day after” do Copom. A sinalização foi lida como dovish ao deixar, na avaliação de boa parte do mercado, a porta aberta para novos cortes da Selic. O desenho da curva local contrastou com as quedas nos rendimentos dos Treasuries e do petróleo.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caía de 14,302% para 14,235% e a do DI para janeiro de 2028 subia a 14,700%, de 14,562%. O DI para janeiro de 2029 projetava taxa de 14,765% (de 14,594%) e o DI para janeiro de 2031 tinha taxa de 14,690%, ante 14,486% de quarta-feira (17/6).

A repercussão do Copom preponderou como fator central para moldar o desenho da curva desde a abertura. As taxas a partir de 2029 abriram cerca de 20 pontos-base, refletindo o ceticismo do mercado sobre a convergência da inflação para a meta de 3%. Entre os principais vértices, apenas o DI para janeiro de 2027 mostrava queda, vista como um ajuste, dado que a curva precificava até ontem alguma chance de manutenção da taxa, aposta esta que teve de ser corrigida. “As taxas estão subindo pela leitura de que o Copom está cometendo um erro na política monetária e terá de corrigir isso mais adiante”, resume um profissional.

O comunicado foi polêmico, especialmente no parágrafo em que afirma que a trajetória necessária para assegurar a convergência da inflação, no atual horizonte relevante (4º trimestre de 2027), traria a inflação projetada a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião (1º trimestre de 2028) para baixo da meta. Com isso, o Copom vê como menos danosas aos “agregados macroeconômicos” trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028.

Ainda que não tenha trazido um guidance explícito, a impressão do mercado é de que alongar o horizonte relevante da inflação de forma antecipada foi um artifício para viabilizar o corte da Selic e deixar em aberto a continuidade do ciclo de calibragem, apesar da forte desancoragem das expectativas e dos estímulos fiscais à atividade.

Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, este é o ponto mais crítico do comunicado. “Ao indicar que ‘diferentes trajetórias de juros’ são compatíveis com a convergência da inflação à meta, e que projeções a partir do novo horizonte poderiam situar-se abaixo da meta, o Copom comunica que a régua para a interrupção do ciclo segue elevada, mas que a velocidade de chegada lá pode ser menor do que o mercado precificava”, avalia. “Num ambiente de expectativas já desancoradas, essa leitura tende a adicionar prêmio”, completa.

“Ao esticar o horizonte relevante, o BC passa a ideia da possibilidade de aceitar que a inflação ficará acima da meta”, observa o economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, que mantém por ora a expectativa de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto e taxa encerrando 2026 em 13,75%. “Ficaram muitas dúvidas e os diretores terão duas oportunidades para se explicar na próxima semana”, acrescenta, referindo-se à divulgação da ata do Copom na terça-feira (23) e à entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta (26).

Na pesquisa Projeções Broadcast, entre 27 casas consultadas, 18 apostam em nova queda de 25 pontos da taxa básica em agosto e 9 preveem estabilidade. Para o fim de 2026, a mediana aponta nível de 14,00%. Na curva a termo, o cenário é mais conservador. Para a próxima reunião, a curva precificava, perto das 16h30, 33% de chance de queda de 25 pontos e 67% de probabilidade de manutenção, com Selic a 14,38% no fim do ano. Ou seja, há apostas de aperto ao longo do segundo semestre. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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