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Taxas caem com quadro favorável para corte na Selic e apoio do ambiente externo. (Foto: Reprodução)

Taxas caem com quadro favorável para corte na Selic e apoio do ambiente externo

Confira análise do cenário

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30.07.2026 - 19:41:16

São Paulo – Os juros futuros reduziram prêmios pregão desta quinta-feira (30/7), mas mesmo assim a curva a termo manteve o formato inclinado observado ontem, após o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, ter provocado desconfiança no mercado.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 recuou de 13,839% no ajuste anterior a mínima intradia de 13,805%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 14,08%, de 14,197% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 registrou baixa de 14,45% a 14,355%.

O ‘steepening’ acompanhou a curva dos Treasuries, mas, segundo agentes, reflete também questões domésticas: enquanto os dados mais recentes de inflação e atividade chancelam que o ciclo de calibragem da Selic pode continuar além de agosto, as taxas longas resistem à queda, em meio à preocupação com o quadro fiscal conforme as eleições se aproximam.

Alívio na curva de juros

Vale ressaltar, ainda, que o leilão de prefixados do Tesouro Nacional deu alguma contribuição para aliviar a curva de juros. Segundo a Warren Investimentos, o risco adicionado ao mercado ficou em US$ 357 mil, o menor desde 11 de junho, e se concentrou em títulos de curto prazo.

Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, o certame também contribuiu com a perda de fôlego dos juros futuros. “O leilão foi pequeno em risco (DV01). Bem abaixo da média do ano”, observou.

Para João Freitas, estrategista de investimentos do Santander, o mercado de renda fixa local seguiu, em parte, a descompressão dos retornos dos Treasuries mais curtos, na esteira de mais um dado de inflação benigno dos Estados Unidos. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, em inglês) caiu 0,1% em junho ante maio e avançou 3,7% na comparação anual.

Os dois dados ficaram dentro do previsto, mas o núcleo do PCE surpreendeu para baixo, ao aumentar também 0,1%, ante expectativa de 0,2% do consenso de mercado. “A decisão do Fed ontem pode ter sido um susto grande, e o discurso de Warsh deu mais sinais mistos, mas depois o mercado se acalmou um pouco com o PCE”, apontou.

Indicadores domésticos

Mais do que apenas replicar a tendência global, porém, Freitas avalia que indicadores domésticos – com destaque para o IPCA-15 de julho, que subiu apenas 0,06% – desenham um quadro propício à continuidade do ciclo de baixa da Selic, o que tem sido incorporado à curva de juros. Segundo cálculos do banco Bmg, a curva a termo apontava hoje 100% de chance de corte de 0,25 ponto do juro básico em agosto, e divisão das apostas entre manutenção e nova redução em setembro (50% para cada cenário).

“Algumas semanas atrás o mercado estava preocupado com a possibilidade de que a Selic não caia mais no ano, com o piso em 14,25% ou 14%, mas os últimos dados voltaram à dar esperança de que pode ter mais espaço para a queda. Por isso, a ponta curta tem caído e a curva tem ganhado inclinação”, apontou Freitas, do Santander.

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios

Com efeito neutro sobre a curva, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, mostrou que a taxa de desemprego caiu a 5,4% no trimestre encerrado em junho, no menor patamar da série histórica do levantamento, iniciado em 2012. O dado ficou exatamente em linha com as estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast. ” A mensagem que os dados da Pnad trazem segue a mesma dos últimos meses: o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido, apesar de alguma moderação no crescimento da renda”, disse Claudia Moreno, economista do C6 Bank.

Em segundo plano hoje, o petróleo em queda ao redor de 1% também deu suporte ao alívio nos DIs, com foco nas negociações entre Irã e Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz, em detrimento da continuidade dos ataques no Oriente Médio. (Agência Estado)

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por Michelle Rabello

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