Cleomar Almeida
Numa tentativa de coibir a violência nos estádios de futebol e identificar os autores de atos de vandalismo em dias de jogo, os integrantes das torcidas organizadas do Estado serão obrigados a fazer, a partir de novembro, um cadastramento biométrico, conforme recomenda o Ministério dos Esportes. O compromisso foi firmado, na noite desta segunda-feira (12/9), por meio da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), na sede do Ministério Público de Goiás.
A medida também visa separar as organizadas, nos estádios, em setores específicos, distintos da torcida comum, em jogos entre times das séries A e B. Conforme o acordo, as torcidas serão registradas como associação e deverão expedir, em 30 dias, carteira de identificação de seus integrantes. Em Goiânia, as organizadas serão impedidas de entrar no Serra Dourada com qualquer material que as identifique caso não apresentarem o documento, com o devido cadastro.
Catracas eletrônicas com identificadores de digital serão usadas para permitir a entrada das torcidas nas suas diferentes áreas. Ainda não foram definidos os locais para registro do torcedor, na capital. Entretanto, os interessados em agilizar o procedimento já podem acessar a página da Torcida Legal na internet e fazer um pré-cadastro.
Movimento nacional
Goiás é o quinto Estado a aderir ao sistema de cadastramento nacional, padronizado com o da Secretaria Nacional de Segurança Pública e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com a Assessoria Especial de Futebol do Ministério dos Esportes, o projeto inicial foi implantado no Paraná, onde os torcedores das organizadas estão em fase de realização dos cadastros. Até outubro, segundo informado, o serviço estará disponível em São Paulo e Rio de Janeiro. Os torcedores de Minas Gerais terão de fazer o cadastro no mesmo período dos goianos.
Mais esporte, menos violência
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, não esteve presente à cerimônia de assinatura do TAC, mas enviou seu assessor especial, Ricardo Gomyde, para quem a segurança nos estádios é uma questão central. “A partir do cadastramento e separação dos torcedores, será possível identificar melhor cada integrante de organizada. Isso vai evitar que os estádios se tornem espaço de violência, brigas e mortes, em vez de serem ocupados por famílias que queiram ver o espetáculo do futebol”, disse Gomyde.
Secretário de Segurança Pública do Estado, João Furtado Neto citou dois exemplos para dizer que a polícia é atuante nos dias de jogo. “O Estado já mostrou que tem condições de organizar segurança de eventos esportivos, como na final do campeonato goiano e no jogo entre Brasil e Holanda”, afirmou, acrescentando que a pasta está empenhada para garantir a integridade dos torcedores. “Vamos fazer a ordem valer”, assegurou.
De acordo com o diretor geral da Federação Goiana de Futebol (FGF), Leonídio dos Anjos, a nova medida dos esportes pode incentivar a ida de famílias aos estádios, pela segurança e organização. “Isso dá segurança para aquelas pessoas que vão ao estádio para torcer e ver o espetáculo, independentemente do resultado”, pontuou.
Também presentes no encontro, representantes das organizadas Esquadrão Vilanovense, Força Jovem Goiás e Dragões Atleticano foram unânimes com o acordo, ao avaliarem que o cadastramento biométrico vai garantir segurança aos torcedores e diminuir a violência nos dias de jogos. Mesmo diante dos recentes casos de violência e morte envolvendo integrantes de organizadas e até mesmo dirigentes, os representantes alegaram que, geralmente, os atos de violência são praticados por pessoas que não são das torcidas, e se infiltram para cometer crimes.