Sair da zona de conforto é uma das atitudes mais difíceis de serem tomadas. Especialmente quando se trata de uma palavra de cinco letras: dieta. Mudar velhos hábitos e incorporar novos não é tarefa para amadores, requer disciplina e dedicação. E muito saco.
Sempre é mais fácil continuar como está. O conhecido nos envolve, nos dá segurança e, ao mesmo tempo, nos imobiliza e nos impede de agir. Muito mais fácil tomar dez chopes e petiscar com os amigos do que encarar duas horas de treino na academia depois de uma vida de sedentarismo, certo?
O prazer etílico e gastronômico é seu conhecido, velho amigo. Vocês já tomaram vários porres juntos, compartilharam alegrias, dores e abobrinhas sem fim. Já a relação com as endorfinas da malhação ainda está na fase das apresentações, do oi tudo bem? Você ainda não foi seduzido pelo prazer de uma hora correndo na esteira. Nenhuma endorfina começou a agir no seu corpinho e tudo o que você se sente é um desejo enorme de correr – para o próximo bar.
A tentação é grande e a força de vontade pequena. Em momentos de mais fraqueza você sente até inveja daquele seu amigo balofo que não tomou a decisão de mudar de vida. Uma hora dessas enquanto você – resignado, – calça seu tênis e sua roupinha “fitness”, o outro já está lá degustando uma loira gelada, com sorriso no rosto de satisfação. E daqui a pouco vai pedir um bolinho de bacalhau e ainda colocar um pouquinho de azeite por cima. O mundo não é justo.
Mas você permanece firme. Se apega a imagem idealizada de você mesmo, daqui a três meses. Irresistível, magro, bonito, jovem. E repassa mentalmente todos os ganhos que a nova vida lhe trará. Quilos a menos, saúde, bom colesterol e felicidade.
Mas no fundo, no fundo, sente saudades daquele seu velho eu, despreocupado, tomando uma cervejinha com os amigos e comendo pastelzinho. Alegre, leve e solto. E suspira. É hora do spinning.