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Sou péssimo com melhores do ano

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20.12.2011 - 11:12:46

A competente e gente boníssima Raísa Ramos, repórter de Cultura aqui do A Redação, me ligou ontem com um pedido que me deixou de cabelo em pé. Com toda a educação e simpatia características de seu perfil, me solicitou uma lista com os cinco melhores discos de 2011, uma pauta clássica do jornalismo cultural no mês de dezembro. Na hora, senti o calafrio. Eu não podia simplesmente ignorar o pedido de uma amiga que trabalha em um veículo de comunicação do qual me orgulho de fazer parte do time – gratidão é coisa séria. Ou seja, não dava para pular fora.

Normalmente, não topo esse tipo de empreitada. Tenho pouco ou nenhum interesse pela obra de arte no momento em que ela é criada. Não gosto de ser influenciado pelo hype ou pelas porradas em cima do trabalho na hora de minha análise e reflexão. Enquanto aquele objeto está na berlinda, seu olhar sobre ele fica mais influenciável, sujeito a leituras externas e percepções que não são realmente vindas do seu íntimo. Acho que só depois de um tempo, uns dois anos, acredito, dá para observar se a obra foi perene ou não, se teve relevância ou não, se influenciou outros caminhos estéticos ou não. Antes disso, existe o risco de eleger algo que não terá pertinência no futuro ou esquecer algo que irá se mostrar fundamental daqui alguns anos.

Por exemplo, é impossível avaliar a obra da Adele agora. Tomei birra pela superexposição da garota e não a coloquei no meu rol de cinco discos de 2011, mesmo tendo total consciência de que ela deve levar o título na maioria das listas. Só vai dar para saber se a Adele é mais uma ou veio para ficar daqui alguns anos. Hoje, é tudo pose, puro hype. E eu ouvi Public Enemy demais na minha vida e aprendi a não acreditar no hype.

Outro caso é que não coloquei nenhuma cantora da nova MPB nos meus discos escolhidos. A motivação foi a mesma. Nesse boom de revaloração das vozes femininas na música brasileira, ainda não dá para saber quem é Zico e quem é Denílson nessa história. E, cá entre nós, eleger um Denílson como melhor do ano e deixar um Zico de fora é muita vergonha. Confesso que não quero ter uma mácula dessa envergadura em meu currículo.

Em breve você deve ter acesso aqui no nosso jornal à lista dos eleitos. Não vou publicizar ainda os meus cinco para manter o suspense. Mas, se bem conheço, os discos que escolhi de artistas já bem experimentados não devem figurar entre os vencedores. Não vou me assustar. Belchior é quem estava certo quando afirmou que o novo sempre vem. Eu costumo ter um cuidado extra com o novo para não confundir espasmos geniais com genialidade absoluta. São coisas bem distintas. E não gosto de correr riscos desnecessários.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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