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Lucas Almeida (Foto: reprodução)

Sorgo: a cultura resiliente que fortalece o campo

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26.05.2026 - 10:02:17

O cenário agrícola brasileiro em 2026 nos impõe um pragmatismo rigoroso. Exatamente por isso, é necessário analisa-lo como um espaço de produtividade que se torna uma arena de gestão de riscos. E é nesse contexto desafiador que o sorgo deixa de ser uma “cultura secundária” para se consolidar, cada vez mais, como o pilar de sustentabilidade econômica e produtiva para a segurança do agronegócio. E por que isso? O sorgo, se comparado, por exemplo, com o milho, revela-se com sementes muito mais baratas, menor exigência de fertilizantes e um custo operacional reduzido.

É importante destacar: o sorgo não compete com o milho ou com a soja; ele os viabiliza. Em um mercado onde o custo operacional não permite erros, a rusticidade dessa cultura oferece ao produtor uma margem de manobra que o milho, em sua sensibilidade hídrica, muitas vezes não entrega. O sorgo é, por natureza, um sobrevivente. Com um sistema radicular profundo e uma fisiologia desenhada para a eficiência no uso da água, ele se posiciona como a peça de xadrez fundamental para o sistema de plantio direto e para a proteção do solo.

A defesa técnica dessa cultura passa, obrigatoriamente, pela regeneração. Atualmente existem cultivares adaptadas para o plantio consorciado com o capim, que garante um tripé sustentável importante: conservação do solo, manutenção do perfil de matéria orgânica e palhada para uma terceira safra de gado e/ou para o plantio direto da soja na próxima safra de grãos. Desta feita, o sorgo consorciado torna-se uma excelente ferramenta para as janelas de plantio mais estreitas do Cerrado Goiano, criando um “seguro biológico e econômico” para sua estratégia entressafras.

O chamado para o setor é para uma mudança de mentalidade. Precisamos parar de olhar para a terra apenas como uma unidade de extração e passar a enxergá-la como um ecossistema de ciclos integrados. O investimento em tecnologias de sementes e a expansão da área plantada não são apenas tendências, são necessidades. O futuro da agricultura brasileira não será escrito apenas por quem produz mais, mas por quem consegue produzir com segurança, constância e respeito à resiliência do solo.

*Lucas Almeida é engenheiro agrônomo e gerente de expansão e novos negócios da Agro Ávila.

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por Lucas Almeida

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