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Solidariedade permanente

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18.05.2024 - 08:22:56
Há alguém que dependa única e exclusivamente de si? "Ah, sim, 'eu sou o cara, faço e aconteço, sou uma pessoa independente'". Quem pensa assim, apenas acha que é independente, mas não é. O homem é um ser que estabelece relações, por exemplo: quando compramos um pãozinho na padaria, há um atendente, mas antes o padeiro preparou a massa e colocou no forno para assar, antes ainda o motorista levou aquela farinha até o mercado. E antes alguém que colheu o trigo, antes ainda outro que plantou. Uau! Quanta gente envolvida! 
 
Pois é, somos dependentes uns dos outros. Não nascemos por nós mesmos e, durante a vida, precisamos de educadores, formadores, médicos, bem como ao morrermos precisaremos também de alguém para fazer o enterro, um jazigo. Tudo isso para dizer que precisamos uns dos outros! O que temos visto e ouvido sobre a região Sul do Brasil é muito triste, como não nos comovermos? Não é possível ficarmos alheios a um povo que tem sofrido há dias, sendo que ainda estavam se recuperando das inundações do ano passado. 
 
Bom, ainda bem que, por outro lado, há um grande movimento de solidariedade. Ao assistir alguns noticiários, ler e ouvir informações divulgadas pelos Meios de Comunicação, tenho constatado que a solidariedade foi despertada no coração das pessoas. Igrejas, ONGs, homens e mulheres de boa vontade "arregaçaram as mangas" para ajudar nossos irmãos sulistas, são ajudas humanitárias inclusive de além-Brasil. Sim, não há muros, barreiras para a solidariedade, aliás, acredito que muros e barreiras de muitos corações e mentes caíram também com as fortes águas. 
 
As imagens e histórias são impressionantes. Ouvi uma pessoa que tinha um pequeno barco que salvava um certo número de pessoas, e lamentava por não poder fazer mais. Ora, irmão, obrigado porque seu "pouco" pode até expressar pouco em números, mas sua atitude é grande, é generosa! Não lamente as pessoas que não salvou, mas alegre-se pelo que pôde fazer.
 
Sim, querido leitor, se você pode ajudar mais, ajude, se você pode ajudar menos, ajude, o importante não são os números, mas que seja de coração e o que está ao seu alcance. O importante é envolver-se de alguma forma. Há um grande número de bombeiros, policiais, médicos, socorristas e há muita gente realizando doações de roupas, materiais de limpeza e higiene. Há ainda milhares, milhões, que se solidarizam através de orações e de forma financeira. 
 
Em relação às doações é bom que estejamos atentos, por incrível que pareça, mas há muitos que estão se beneficiando indevidamente com as doações, sejam materiais ou financeiras. Verifique se a instituição que pede ajuda realmente é séria, consulte o site, verifique outras fontes, quais são seus parceiros, converse com pessoas experientes na área. Enfim, que sua ajuda seja realmente para pessoas que estão necessitadas.
 
Tudo o que estamos vivendo deve despertar em cada um de nós um senso de responsabilidade, e que a sensibilidade solidária permaneça. Cada um precisa fazer a sua parte, precisamos cuidar uns dos outros e do nosso planeta, com pequenas e grandes ações. Nosso cuidado deve ser desde um papel jogado no chão até as grandes indústrias poluentes, todos somos responsáveis. Lógico, quem pode mais, que tem mais responsabilidade precisa fazer mais. 
 
Nossas autoridades governamentais, tanto líderes quanto empresários, precisam pensar preventivamente. Com o passar dos anos, temos visto apenas ações posteriores às catástrofes, que são muito bem-vindas, contudo, quais são os planos para evitarmos que os desastres aconteçam? Já foi pensado? Estão pensando? Já se executa algo?   
 
Bom, nossa prece a Deus é para que a tempestade, as enchentes cessem, e, em algum momento, as enchentes cessarão. Porém ainda se faz necessário que nossos governantes trabalhem na prevenção. Cuidem do nosso povo, cuidem da criação! 
 
Estamos num momento de muita solidariedade, todavia, que não seja somente por este tempo, que a solidariedade continue! Afinal, ainda sofremos com a falta de solidariedade no mundo, por isso há tanta fome, violência, corrupção e guerras. Já é hora, ou passou da hora de vivermos num estado permanente de solidariedade. 
 
Somos todos irmãos e, nessas horas, também vale a pena lembrar que não somos ou não devemos ser inimigos, ao contrário, que nos unamos pelo bem comum. Que a solidariedade deixe de ser extraordinária para ser ordinária em cada dia e momento de nossa vida.   

* Padre Marcio Prado é missionário da comunidade Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP).  Instagram: @padremarciocn
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por Marcio Prado

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