Logo

Sócio retirante e sua responsabilidade trabalhista

25.03.2019 - 15:32:28
WhatsAppFacebookLinkedInX
 
Um dos maiores riscos de toda e qualquer atividade empresarial é, sem sombra de dúvidas, as obrigações trabalhistas. Pior ainda quando um dos sócios se retira da sociedade e não tem mais o controle da administração da empresa sobre suas mãos. Desta forma, por quanto tempo ficaria sua responsabilidade pelas obrigações contraídas perante a sociedade, a contar da sua retirada?
 
De forma bem clara e taxativa o legislador da reforma trabalhista tratou de regular esta responsabilidade, que poderá ser subsidiária ou solidária do sócio retirante, conforme o caso. O artigo 10-A, inserido na CLT, tratou de assim estabelecer: “O sócio retirante responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao período em que figurou como sócio, somente em ações ajuizadas até dois anos depois de averbada a modificação do contrato na Junta Comercial, observada a seguinte ordem de preferência”: a empresa devedora; os sócios atuais; e os sócios retirantes.
 
Portanto, a alteração do contrato social perante a Junta Comercial é de extrema importância para marcar o início do lapso temporal de até dois anos. De nada adianta uma assinatura no contrato social se esta modificação não tiver sido levada para averbação.
 
De toda forma, caso proposta uma ação trabalhista dentro de dois anos, a responsabilidade do sócio será subsidiária, obedecendo-se a seguinte ordem de preferência: primeiro no patrimônio da empresa devedora, depois dos sócios atuais e, por fim, do sócio retirante.
 
O parágrafo único do citado artigo ainda dispõe que o sócio retirante responderá solidariamente com os demais, desde que comprovada fraude da alteração societária. Isso ocorre, por exemplo, nos casos em que se comprova a atuação do sócio retirante na administração da sociedade.
 
Portanto, a principal dica para o sócio retirante é a averbação da sua retirada perante a Junta Comercial, sob pena de correr o risco de permanecer responsável pelas obrigações trabalhistas, ainda que tenha se retirado de fato da sociedade.
 
*Fabiano Rodrigues Costa é advogado, consultor jurídico, especialista em direito do trabalho e empresarial, sócio fundador do escritório Dayrell, Rodrigues & Advogados Associados e colunista no canal @trabahistalegal.
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Fabiano Rodrigues Costa

*

Postagens Relacionadas
Leonardo Ribeiro
24.02.2026
Quaresma: rumo ao deserto para escutar e viver

Com a graça de Deus iniciamos, unidos com a Igreja, o Tempo da Quaresma. Como todos os anos, neste período de quarenta dias, somos convidados a mergulhar com intensidade e coração aberto neste tempo propício de revisão de vida e conversão pessoal. A própria Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, […]

Ricardo Menegatto
17.02.2026
Prejuízos causados por eventos climáticos: quais são os direitos do consumidor?

Os alertas da Defesa Civil sobre tempestades severas tornaram-se parte da rotina de moradores de São Paulo e de diversas capitais brasileiras. Com eles, cresce também a apreensão quanto à possibilidade de quedas de energia elétrica e aos prejuízos que podem atingir residências, comércios e até a saúde de pessoas que dependem de equipamentos essenciais. […]

Carla Conti
14.02.2026
Educar com consciência planetária é um compromisso com a vida

A universidade é, historicamente, a casa do conhecimento. É nela que se formam profissionais de todas as áreas e onde se outorgam diplomas que autorizam a atuação no mundo. Mas esse gesto formal carrega uma responsabilidade que vai muito além da formação técnico-científica. Em um cenário marcado por crises ambientais, desigualdades sociais persistentes e pelo […]

Anna Carolina Cruz
13.02.2026
O tempo que não temos

Há dias em que a alma pede silêncio. Não o silêncio da ausência de barulho, mas o silêncio da consciência que desperta. Tenho pensado muito na forma como estamos vivendo. Corremos como se houvesse um incêndio permanente, como se cada mensagem ou e-mail não respondido fosse o fim do mundo, como se cada prazo fosse […]

Bruno D´Abadia
12.02.2026
Gestão de dados fortalece operadoras de saúde

O setor de saúde suplementar vive uma transição decisiva. Transparência, integridade da informação e precisão técnica deixaram de ser apenas exigências regulatórias e passaram a influenciar diretamente a sustentabilidade e a credibilidade das operadoras. Em um ambiente cada vez mais monitorado, dados corretos não são apenas números enviados à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). […]

Ralph Rangel
12.02.2026
O Homo Instagramabilis: O crepúsculo da inteligência

Houve um tempo em que o ser humano era definido pela sua capacidade de busca: a busca pelo abrigo, pelo fogo, pela forma de armazenar o alimento, pela verdade, pelo conhecimento profundo, enfim, éramos buscadores. Hoje, essa trajetória evolutiva parece ter sofrido um curto-circuito. Estamos testemunhando a ascensão de um novo tipo de pária social: […]

Luciana Brites
11.02.2026
Por que as crianças estão perdendo habilidades motoras na era digital?

O aumento do uso de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas, prejudicando o desenvolvimento motor e cognitivo. Por este motivo, temos notado que muitas crianças estão perdendo habilidades motoras. As atividades para coordenação motora são essenciais para desenvolver a integração de movimentos e a precisão no controle muscular. A coordenação motora global […]

Mardonio Pereira da Silva
10.02.2026
Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão […]