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Sociedades de cardiologia dos EUA atualizam diretrizes para controle do colesterol. (Foto: Reprodução)

Sociedades de cardiologia dos EUA atualizam diretrizes para controle do colesterol

Veja detalhes do parecer

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17.03.2026 - 23:35:48

São Paulo – A Associação Americana do Coração (AHA) e o Colégio Americano de Cardiologia (ACC) atualizaram as diretrizes para o controle do colesterol e a prevenção de doenças cardiovasculares, como a aterosclerose.

O grande destaque do documento, segundo José Francisco Saraiva, membro do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), é o enfoque na identificação e controle precoce do colesterol. Em setembro do ano passado, a SBC também divulgou novas diretrizes nessa linha (veja aqui as mudanças do documento brasileiro).

Saraiva lembra que a aterosclerose, condição inflamatória das artérias provocada pelo acúmulo de gordura nos vasos e principal fator de risco para problemas cardiovasculares, é uma doença que começa na infância. Por isso, recomenda-se o rastreio de colesterol em crianças entre 9 e 11 anos para intervir precocemente, especialmente em casos de hipercolesterolemia familiar.

As entidades norte-americanas também propõem o uso de uma nova ferramenta, a PREVENT, que estima o risco de doenças cardiovasculares em até 30 anos. Outras calculadoras, segundo o médico, faziam estimativas de até 10 anos.

De acordo com Saraiva, as equações da Prevent consideram novos fatores de risco, como excesso de peso ou obesidade e doença renal crônica. A ferramenta ainda calcula a probabilidade de o paciente desenvolver insuficiência cardíaca, algo que as versões anteriores não faziam. “É uma reunião de dados muito interessantes, mais abrangentes e mais bem calibrados, ou seja, mais refinados”, cita Saraiva.

Segundo Andrei Sposito, diretor científico da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), a nova diretriz passa a incluir exames mais específicos para avaliar o risco cardiovascular.

Entre eles está a recomendação de medir a Lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida – também presente na diretriz brasileira. Já a Apolipoproteína B (ApoB) pode ser usada principalmente quando há dúvida sobre o risco do paciente ou como uma meta extra no tratamento, ajudando a garantir uma proteção mais adequada do coração. Além disso, o documento incluiu novas terapias e tratamentos para hipertrigliceridemia grave.

Suplementos alimentares

Outro ponto da nova diretriz diz respeito aos suplementos alimentares.

Segundo o documento, não é recomendado substituir medicamentos tradicionais, validados por grandes estudos, por suplementos alimentares, já que estes não possuem eficácia comprovada para a diminuição do risco cardiovascular. Um exemplo citado é o óleo de peixe.

“A base dessa recomendação é bastante clara. No caso dos suplementos alimentares, muitas vezes a evidência disponível se apoia em opiniões isoladas, frequentemente de quem criou ou comercializa o produto. Raramente há validação clínica robusta”, destaca Luiz Sérgio Carvalho, médico titular da equipe de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.

“Em um cenário de redes sociais e marketing em massa, é comum que pessoas acabem seguindo recomendações de pseudoespecialistas, muitas vezes com conflito de interesse não declarado, em contraste com medicamentos amplamente estudados”, adiciona.

Aline Marcadenti de Oliveira, nutricionista e assessora científica do Departamento de Nutrição da Socesp, pontua que os suplementos possuem grande variabilidade de composição e de doses, diferentemente dos fármacos, que são mais padronizados. “Além disso, ao substituir os medicamentos, a gente pode aumentar o risco de ter enfartes, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e piorar a aterosclerose.”

“O ômega-3 (presente no óleo de peixe), por exemplo, é um suplemento bastante conhecido por aumentar o LDL, que é o principal marcador de risco”, acrescenta Aline.

Já o cardiologista Leandro Costa, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que as diretrizes são construídas com base nas melhores evidências disponíveis, sempre fundamentadas no método científico. Por isso, as recomendações priorizam as opções mais bem sustentadas por esses dados.

Essa mesma recomendação, segundo Carvalho, está presente nas diretrizes brasileira, europeia, canadense, australiana e de países nórdicos. (Agência Estado)

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por Agência Estado

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