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Artigo 'Sobre fé e microfone' de Rimen Amaral (foto: divulgação)
Artigo 'Sobre fé e microfone' de Rimen Amaral (foto: divulgação)

Sobre fé e microfone

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15.12.2025 - 14:36:10

Cada cidadão desse mundo crê naquilo que lhe ensinaram, no que aprenderam, no que conheceram e até naquilo que lhe convém. E ninguém é digno de julgar qualquer crença! Qualquer que seja. Todas elas são, inclusive, protegidas pela Constituição, que estabelece o Brasil como um Estado Laico, garantindo a liberdade de consciência e crença (Art. 5°, VI), o livre exercício de cultos e a proteção aos locais religiosos, ao mesmo tempo em que veda o estabelecimento de religiões oficiais e a interferência do Estado em assuntos religiosos, protegendo a pluralidade e combatendo a intolerância. Pois bem, que assim seja.

Minha família sempre morou em frente a uma igreja evangélica. Foram – e ainda existem! – muitos momentos de pico de estresse por conta de uma certa importunação, devido ao barulho a qualquer hora do dia e, principalmente, da noite. Muitas noites. Até muito tarde. Mas a relação entre o templo e as pessoas que o frequentam com os moradores à sua redondeza foi sempre respeitosa. Mesmo que eu acredite que haja tolerância apenas de um dos lados.

O microfone – A história do microfone começa com precursores como megafones na Grécia Antiga e experimentos de Robert Hooke (1665). Mas o salto veio em 1877, com Emile Berliner e Alexander Graham Bell que criaram as primeiras versões, sendo o de carbono de David Edward Hughes (1978) um avanço crucial para telefones e rádio, evoluindo para os modelos dinâmicos (1931) e condensadores (1928), essenciais para o áudio moderno e tecnologia. Ele serve para amplificar a voz!

Mas, em especial na Assembleia de Deus a que me refiro, no centro de Nova Veneza, acho que as pessoas que usam o tal aparelho não devem saber disso. Ouso julgar porque, apesar de haver apenas 11 pessoas dentro do templo, o pastor, responsável pela pregação, usa o microfone para gritar! Se ele pretende mostrar o poder histriônico de sua voz, qual o motivo de usar um microfone? Um paradoxo que me parece muito mais controverso por ser em um templo que, teoricamente, deveria haver orações, preferencialmente em silêncio, já que o local está construído no meio de uma cidade, inserido na sociedade, cercado de casas com pessoas morando nelas, que não seguem a mesma crença. São pessoas que querem sossego e pretendem ouvir o áudio de suas TVs sem precisar colocar no volume máximo.

Chega um momento em que a paciência vai se esvaindo por cada versículo gritado, cada nota musical desafinada cantada em altíssimo som nos microfones estridentes, tudo acompanhado de guitarra, contrabaixo e da potente bateria, seja por senhoras fervorosas, que não têm ideia da diferencia entre um Do e um Si, ou por crianças que mal sabem o que estão fazendo ali. Mas paciência é uma técnica e uma virtude, assim como o silêncio também deveria ser.

 

* Rimene Amaral é jornalista

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por Rimene Amaral

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