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Sobre a PM na USP, o que falta é bom senso

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04.11.2011 - 10:51:33

Desculpe aí, galera que está na ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), mas a Polícia Militar (PM) deve sim reforçar a segurança dentro do Campus. O fim do convênio firmado há dois meses entre a instituição universitária e a PM é a principal reivindicação de um grupo de estudantes que está no prédio do reitor desde a madrugada da última quarta-feira para quinta. Por outro lado, os policiais que estavam em trabalho deveriam ter feito vista grossa para os três estudantes que fumavam um baseado dentro de um carro no estacionamento da universidade. Tudo em nome do bom senso. E também a Justiça não deveria ter sentenciado dando prazo final com possibilidade de uso de força policial para a desocupação do imóvel. Definitivamente, não é por aí. A prova de que o bom senso anda escasso nessa celeuma em todos os partícipes.

 

Até parece que ninguém que está ali na Justiça foi jovem e universitário, com toda a inconsequência típica da fase. É claro que os estudantes não iriam ceder à decisão do magistrado. A rebeldia é a maior virtude dessa fase da vida e a assembleia dos manifestantes não iria decidir outra coisa senão a resistência. Nesse tipo de caso, tem que vencer pelo cansaço. Corta-se a energia, a água e impede a chegada de alimentos no prédio. Feito isso, esqueça. Até que uma hora a galera sai de lá. Agora, com essa decisão judicial desrespeitada, a situação fica mais complicada. Desmoralizar a Justiça nunca é bom. Por isso que o magistrado pecou ao não ter bom senso ao sentenciar.

 

Bom senso que também falou aos policiais em ronda que prenderam os três estudantes de Geografia que fumavam um baseado. Se o maior problema da segurança pública do estado de São Paulo for um grupinho de universitários queimando neurônios, estamos bem, hein… A presença dos PMs nunca foi aceita pelos alunos, estava sendo apenas tolerada. Tal atitude dos policiais serviu de estopim para acirrar ainda mais uma disputa que, agora, não deve ter um bom fim.

 

Por fim, também está faltando bom senso aos estudantes que promovem a manifestação. A presença da PM dentro do Campus não tem nada a ver com o cerceamento às liberdades, que devem ser plenas em um ambiente universitária. Ela vem como resposta a um problema de segurança urbana que é real e concreto, não tem nada de ilação: um aluno morreu baleado no estacionamento da instituição. Nesse contexto, não dá para aceitar que a polícia não exerça sua função de tentar coibir novos atos drásticos como esse que vitimou o estudante.

 

Onde esse problema uspiano vai dar? Confesso que não sou otimista quanto ao desfecho. A decisão da Justiça só radicaliza a coisa que deveria ser distensionada aos poucos, no diálogo e de forma gradual. Agora, a PM deverá ter que usar a força para retirar os manifestantes que, conhecendo o ímpeto da juventude como conheço, não vai aceitar de forma passiva. Ou seja, o que estava complicado pode ficar bem ruim.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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