Logo

Só foi o Ringo Starr entre nós…

WhatsAppFacebookLinkedInX
23.11.2011 - 12:30:31

Na última sexta-feira, estive na capital do País, aquele famigerado quadradinho encravado na região Nordeste de Goiás e que é chamado de Distrito Federal, para ver o show do eterno ex-baterista dos Beatles, Ringo Starr. A apresentação ocorreu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, um interessante local para shows onde se tem uma boa visibilidade do palco de praticamente todos os lugares e os ingressos estavam esgotados já há um bom tempo. Ao final do show, eu estava com uma sensação estranha: feliz, mas achando meia boca o que havia assistido.

 

A verdade é que a gig valeu somente por ter presenciado o fato de Ringo Starr entre nós. Ponto. Musicalmente falando, só as quatro músicas dos Beatles que ele canta causam aquele sentimento eufórico tão típicos de shows. No restante do repertório, salvam umas duas da carreira solo do dono das baquetas mais famosas do mundo e umas duas que os músicos que o acompanham assumem os vocais (em especial para Hang on Sloopy interpretada por Rick Derringer, cuja versão Pobre Menina ficou famosa na voz de Leno & Lílian). O restante do show é de uma farofada sem tamanho. Chato, sem pegada, com timbre de banda de baile. Ringo nem toca sozinho a bateria, fica todo show acompanhado de outro baterista no palco. Constrangedor.

 

A sensação dúbia ao sair se deve ao fato de que o show é encerrado com o clássico absoluto With a Little Help From My Friends. E é impossível não exibir um largo sorriso quando uma música do melhor álbum de todos os tempos é executada. O coração é tocado e isso acaba influenciando na opinião geral sobre o todo. I wanna be your man e Yellow Submarine também despertam bons sentimentos. Boys faz com que a atenção aumente. O restante do show é de uma dispersão só, sem grandes emoções e até gerando certo enfado na plateia, que respeitosamente aguardava o próximo hit dos quatro garotos de Liverpool.

 

Quando eu saí para pegar um cerveja, que não podia ser bebida dentro do ambiente de show, percebi que muita gente também ficava de fora. Bebendo, fumando, lanchando, conversando, falando ao celular… As pessoas só corriam para dentro do espaço quando começava uma canção dos Beatles. Aí sim a atenção era total.

 

É até covardia comparar com a catarse que foi o show do Paul McCartney no Morumbi. Em todos os sentidos, o show do Paul dá de goleada no Ringo. Emoção, envolvimento, repertório, estrutura. Tudo. E isso é absolutamente normal. Paul é gênio. Ringo é o cara que ganhou a melhor Mega Sena da história da música. E de forma justa ainda vive desse bilhete premiado. Sorte dele.

 

Quando me perguntam se compensou ter investido a grana dos ingressos, hotel, transporte e rango no show, não tenho dúvidas: valeu demais! Não é todo dia que a história está ali na sua frente, a poucos metros dos seus olhos. Mesmo com toda a farofa do repertório da His All-Starr Band, sentir a áurea de estar ali durante as poucas músicas dos Beatles é indescritível (e não é isso que importa, tal qual já dizia Benjamin?). No final, não posso dizer que me arrependi.

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]

Noite e Dia
21.09.2026
Jardim Potrich une Yoga, cerâmica e arte em programação especial; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Jardim Potrich abriu suas portas para uma programação que aproxima duas práticas aparentemente distintas — Yoga e cerâmica — a partir de um território comum: a presença. No dia 12 de setembro, o jardim recebeu “Beta & Bia no Jardim”, uma manhã dedicada ao movimento, à respiração e à consciência […]

CURADORIA AFETIVA
20.09.2026
Da Tranquilidade botânica

“No entanto, o sábio não pode desprezar os maus, porque, em todos os tempos, as condições morais quase sempre são as mesmas. Se o mal é uma necessidade da vida, da qual os homens não podem subtrair, não se deve odiá-los, mas aprender a respeitá-los.” (Da tranquilidade da alma, Sêneca) A palavra mal vem do […]

Joias do Centro
18.09.2026
Praça Cívica preserva a ideia de ágora onde Goiânia encontrou sua identidade

Carolina Pessoni Goiânia – Antes de Goiânia existir como cidade, ela já existia como desenho. E, nesse desenho, havia um ponto destinado a concentrar o poder, organizar os caminhos e criar um lugar de encontro. Era a Praça Cívica, concebida pelo urbanista Attilio Corrêa Lima como o centro administrativo da nova capital. A ideia, segundo o […]

Noite e Dia
18.09.2026
Veja como foi a roda de conversa promovida pelo jornal A Redação sobre políticas para o setor artístico

Carolina Pessoni Goiânia – Representantes de diferentes áreas da cultura goiana se reuniram nesta quinta-feira (17) para discutir desafios, propostas e políticas públicas para o setor artístico em Goiás. O encontro “Arte Pensante – Roda de Conversa sobre Políticas para o Setor Artístico”, promovido pelo jornal A Redação, ocorreu na Galeria Aberta – Elysium Sociedade […]